Com o pseudónimo de António Gedeão, publica em 1956 o seu primeiro livro de poesia, seguido de outros. As preocupações sociais, a visão científica do mundo e da sociedade, e a consciência do sentido colectivo dão-lhe uma enorme dimensão humana. Depois, foi um mestre no uso da rima, imprimindo grande ritmo aos seus versos, cantados e declamados por Afonso Dias em mais um magnífico serão de poesia.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança.










Há dias meti as mãos na terra, sujei a roupa, e plantei umas sementinhas que são as mais recentes presenças do meu jardim. Ao longo das semanas, irei regá-las e apaparicá-las na esperança que dos meus cuidados e dedicação, lá para a Primavera possam florescer. Com sorte, pode mesmo dar-se o caso de uma segunda floração, e ainda que menos abundante, é provável que através do crescimento rápido que as caracteriza, me veja repentinamente rodeada de lilases e azuis intensos, em longos e perfumados cachos pendentes, reais, ou inventados no traçado incompleto da imaginação.





