Saturday, March 29, 2008

Alargar visões


Nasceu em Angola, cresceu em Aveiro, durante dez longos anos leu tudo o que havia para ler, até à exaustão, e escreveu ainda mais, sem contar nada a ninguém. Depois, repentinamente, resolveu publicar, tornando-se na revelação da nova geração da literatura portuguesa. Tudo isto registei sexta-feira feira à noite, acerca de Gonçalo M. Tavaresalvo de discussão, no primeiro dos 3 ciclos de leitura organizados pela Câmara Municipal. O ambiente magnificamente criado pela Paula foi deveras intimista, à luz de velas - um toque pessoal de felicitar, e entre o público presente de todas as idades, e a apresentadora do autor Luísa Monteiro, nada poderia ter corrido em mais perfeita sintonia. Para casa trouxemos um exemplar de «O Senhor Valéry» da edição Caminho, com ilustrações de Rachel Caiano, com o qual Gonçalo M. Tavares foi distinguido em 2002 com o Prémio Branquinho da Fonseca, pela Fundação Calouste Gulbenkian, e Jornal Expresso. Após leitura in loco de 4 das vinte e cinco breves histórias, que fazem parte de «O Senhor Valéry», este é apenas um de uma lista de outros senhores que se seguem, pertença de O Bairro, sempre à volta de curtos episódios lógicos, que se resumem a um excelente desafio de inteligência, à descoberta de como interpretamos os diferentes comportamentos humanos. No geral a noite agradou, e é com expectativa que aguardamos pela segunda sessão, no próximo dia 18 de Abril, no mesmo local, e à mesma hora – iniciativas da agenda mediática da Biblioteca Municipal, da máxima importância para o desenvolvimento cultural de Albufeira.


Thursday, March 27, 2008

No palco

O teatro apareceu no séc. IV a.C. na Grécia Antiga, na decorrência de festivais anuais em consagração a Dionísio - deus do vinho e da alegria. As primeiras formas dramáticas surgiram neste contexto, inicialmente com as canções dionisíacas, que aos poucos foram deixando as suas características ritualistas, para darem lugar às tragédias e comédias. Os actores usavam trajes de cores vivas, ao mesmo tempo que cobriam as caras com máscaras, que serviam para ampliar o som da voz, e para os tornar mais visíveis à distância. Todos os papéis eram representados por homens, pois não era permitida a participação de mulheres, que por sua vez eram acompanhados pelo coro - narradores da história que se movimentavam entre os actores e a plateia. As tragédias pretendiam levar à reflexão dos valores e do sentido da existência humana, enquanto que as comédias eram de crítica social, com o intuito de provocar o riso dentro da assistência. O espaço utilizado para as encenações, em Atenas, era apenas um grande círculo, mas com o passar do tempo, foram surgindo construções ao ar livre em encostas, que facilitavam o escalonamento das bancadas.
Na era medieval o teatro foi utilizado como veículo de propagação de conteúdos bíblicos, entrando em declínio a partir de meados do século XVI. Nesta altura Gil Vicente surge-nos como o pai do teatro português, quando da passagem da idade média para o Renascimento. Neste Dia Mundial do Teatro brindemos a esta tão nobre arte de representar.

Wednesday, March 26, 2008

Contagiante alegria

Tudo aquilo que a Marta possa um dia ter desejado, tem agora ao seu alcance. O pequenino Tomás tornou-se no centro da sua vida, e trouxe-lhe toda a paz e felicidade, que desfruta de momento. Ao contrário do resto dos demais mortais, que vivemos as nossas vidinhas mais agitadas que nunca, ela como que se refugiou num universo próprio, livre de preocupações e ansiedades, e cheio de esperanças no futuro, saboreando gestos e sorrisos, com todo o vagar do mundo.
Doce e suave, a verdadeira grandeza da Marta está na sua simplicidade, que merece a minha mais elevada amizade e estima. Que esta maravilhosa experiência, mantenha em profunda sintonia, o vínculo afectivo entre esta encantadora jovem mãe, e o seu mais-que-tudo recém-nascido.

Monday, March 24, 2008

O berço

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Ligado à fundação do Condado Portucalense, e a épicas lutas, o Castelo de Guimarães evoca todo o heroísmo que envolve o início da nossa História. Neste castelo terá nascido D. Afonso Henriques, que resistiu ao ataque das forças do rei Afonso VII de Leão, em 1127, voltando a derrotar no ano seguinte sua mãe D. Teresa, no campo de S. Mamede, nas imediações. Até finais do séc. XIV no castelo de Guimarães protagonizaram-se heróicos combates para a defesa da integridade do jovem reino de Portugal, abalado por questões dinásticas com Castela, que tornavam vulnerável a sua independência. O centro histórico de Guimarães, e o seu castelo foram classificados pela Unesco Património Mundial da Humanidade, informalmente eleito como uma das nossas 7 Maravilhas.

Sunday, March 23, 2008

Molhar os pés



Apesar de existir tanta no planeta, parece inacreditável, mas a água é um recurso limitado. A ciência demonstra-nos que a vida teve origem nela, e que está presente nas mais belas imagens da Terra. Não podemos sequer imaginar os nossos dias sem água, para beber ou cozinhar, para a higiene pessoal, para regar as plantas, ou simplesmente navegar. Aliás, quando apelamos à imaginação, nada se compara às ondas do mar, ao espelhado de um lago, a um rio cristalino, ou às gotas da chuva, para sentirmos a máxima paz e tranquilidade! Só tomamos realmente consciência da sua importância quando ela nos falta. Em mais um dia mundial da água utilizemo-la sem a desperdiçar.

Saturday, March 22, 2008

Pietà

Logo após a primeira lua cheia, depois do equinócio da primavera, eis que nos chega a Páscoa, quando aspiramos reintroduzir espiritualidade, no modo frio e materialista, com que nos habituámos a encarar as coisas. A paixão comporta uma vertente intelectualizada da fé, e explica-se com simplicidade e clareza a partir do coração. Afinal a cruz não é senão o caminho, ou o desígnio. A vida em si é toda ela uma cruz, em representação do esforço humano, e o sentido que lhe damos é um problema de vivência que pressupõe toda uma experiência de crença. Ele é o drama de toda a nossa existência, que nos surge de duas formas absolutamente antagónicas. A primeira quando se entrega, e depois como rei, quando rasgando as trevas transita para a luz, simbolizado pela ressurreição.

Thursday, March 20, 2008

Irresistível

Ela vai e vem, ano após ano. Romântica, perfumada, sensual, e absolutamente exuberante nas cores em que se apresenta. Os pássaros anunciam-na, e quando chega não passa despercebida. Por mais distraídos, dela não nos conseguimos alhear, pelo enorme fôlego de esperança que nos transmite. De olhos fechados visualizá-la-íamos em qualquer hora, ou qualquer lugar. Ninguém lhe fica indiferente, e se Vivaldi a imortalizou, Botticelli deu-lhe identidade através de uma figura alegórica repleta de beleza. Até nas maiores obras literárias como em Hemingway recebeu lugar de destaque. Mas é a Natureza quem a melhor retrata. Quando chega é para todos, e a sua luz intensa inunda-nos o mundo, explodindo fertilidade. Ainda que efémera, e apenas de passagem, ela está definitivamente aí. Bem-vinda seja a Primavera, e que ninguém deixe de a desfrutar ao máximo enquanto dura!

As árvores que nos inspiram

Pensa-se ter sido em 1827 no estado do Nebraska, nos Estados Unidos, que surgiu a ideia do dia da árvore, dedicado à divulgação dos seus benefícios. Em Portugal, foi em 1907 que pela primeira vez se realizou uma verdadeira festa de culto, à semelhança do que então já se fazia em muitos outros países, graças em parte à acção do jornal O Século. Esta comemoração que fora interrompida, viria mais tarde a ser reeditada, passando a dia mundial da floresta, a 21 de Março.
As árvores são verdadeiros símbolos da natureza, que nos enriquecem o património natural, reduzem o vento, e a poluição atmosférica, melhoram a regularidade das chuvas, e nos embelezam as cidades tornando-se no habitat perfeito para inúmeras espécies de aves. Através dos tempos sempre exerceram um fascínio sobre o Homem, sendo presença constante, em lendas e tradições pelo mundo fora. As árvores ultrapassam largamente os homens em dimensão, em altura e em longevidade, quase parecendo eternas.

À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim

António Ramos Rosa

Monday, March 17, 2008

Medo e fascínio


No outro dia voltei lá. Onde o mar nos molda a cultura, e faz qualquer um sentir-se pequenino diante da imensidão. Lá, mesmo no ponto mais ocidental da Europa, no grande promontório, onde mares dantes povoados de mistérios e visões fantásticas se cruzam, e a ligação da natureza com o Homem nos faz sentir mais perto de Deus! Património histórico repleto de experiência marítima, que a ciência, o imaginário, o movimento náutico, e a cartografia revolucionaram por completo. O lugar que imortaliza a memória do infante D. Henrique, através dum projecto ambicioso e idealista, de navegar mais longe. A escola de Sagres é a escola da vida - ponto de partida para todos os nossos sonhos!

Tuesday, March 11, 2008

Gente calorosa

No sábado passado a Atabueira foi cenário da festa de anos de Lurdes Cruz, que na sua casa concentrou muitos convidados, entre família que veio propositadamente de Lisboa, e colegas da universidade sénior.
O espaço foi perfeito para acolher todos quantos quiseram participar numa tarde informal, que teve início com um magnífico cocktail, e se revelou repleta de iguarias, e bastante animada. Eu adorei, e espero que tivesse sido uma iniciativa para repetir, apreciando toda aquela paisagem natural, e tendo como anfitriã a Lurdes.

Ver registo fotográfico em www.uatialbufeira.blogspot.com

Saturday, March 8, 2008

Alma de Mulher

Nada mais contraditório que ser mulher...
Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas num único olhar.

Que cobra de si a perfeição e vive
arrumando desculpas para os erros,
daqueles a quem ama.
Que hospeda no ventre outras almas, dá à luz
e depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gera.

Que dá as asas, ensina a voar, mas que não quer ver partir
os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito,
ainda que seu amor nem perceba mais tais detalhes.

Que como numa mágica transforma
em luz e sorriso as dores que sente na alma,
só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte para dar os ombros
pra quem neles precise chorar.

Feliz do homem que por um dia souber,
entender a Alma da Mulher!!!

Lucinete Vieira

Thursday, March 6, 2008

Um outro atractivo

Quando as grandes questões da existência me atormentam, e as dúvidas persistem, é lá que procuro refúgio. Por vezes, a encruzilhada da vida também se complica, e sem sinais de esperança, um a um vão-se apagando todos os meus sonhos. Entre os silêncios e a palavra, é lá que procuro resposta às minhas necessidades, e me permito encontrar o equilíbrio. É que a partir dele, tudo parece ganhar outra dimensão, como se de uma descoberta guiada se tratasse. A clareza da sua linguagem, a forma de se exprimir, a grandeza do seu espírito, tornou-se referência obrigatória, domingo após domingo. Ali a doutrina não se esvazia, e firme e absoluto, com sentido de missão, ele promove o diálogo com perícia, combatendo a consciência ligeira, e o adormecimento da actual sociedade. Com uma enorme capacidade de chegar aos outros, ele mobiliza, e acrescenta, sem nunca deixar de investir na interactividade com a comunidade. Todo o seu discurso é estruturado, pertinente, e vibrante de convicção. As palavras são acesas, e é de viva voz que nos cativa, por vezes elevando o tom. Orador magistral, e atento ao mundo que mudou, o seu papel é preponderante, quer nos gestos, quer na forma de comunicar, ou noutros ângulos de abordagem. O território é vasto, e os caminhos intermináveis. Em busca do sagrado, nesta viagem ao meu interior, a dinâmica da escuta leva-me às profundezas da alma, e acalenta-me de novo as expectativas. Para lá da justeza dos vocábulos, o padre César simplesmente desperta-nos para a vida, embalando-me os sentidos.

Wednesday, March 5, 2008

Saturday, March 1, 2008