Sunday, July 19, 2009

Sons à beira-mar



Ontem à noite, Albufeira sofisticou-se através da força de imagens dominadas pela pirotecnia, e pelo estilo de música que nos eleva, e ao qual irremediavelmente me rendi. Um reportório que incluía várias obras sinfónicas, desde as clássicas de Strauss ou Tchaikovsky, ao jazz de Summertime de Gershwin, ou aos musicais americanos do West Side Story, verdadeiros sucessos de outros palcos, foram interpretados com emoção pela soprano Catarina Molder, e pelo tenor João Cipriano Martins. A Orquestra do Algarve amplamente reconhecida pelo público, que encheu por completo a Praça da praia dos Pescadores, foi personagem central dum espaço cénico único, com o mar à espreita, e um céu brilhante e super colorido.
Esta foi sem dúvida uma experiência artística diferente, não só surpreendente como memorável, de um enorme investimento quer humano, quer de meios técnicos, gratuitamente patrocinado pela Câmara Municipal de Albufeira, absolutamente sublime.

I feel pretty,
Oh so pretty,
I feel pretty and witty and bright!

Compositores: Leonard Bernstein and Stephen
Sondheim

Friday, July 17, 2009

A rasar os céus

Chegam à procura de um lugar seguro, de temperaturas amenas, e abundância alimentar, anunciando-nos a primavera. Acodem todos os anos, utilizando lama, pauzinhos, e palha para reconstruir o mesmo ninho revestido de penas, que mais tarde irá acolher a nova geração. Ao entardecer sobrevoam-me o jardim expandindo-se no espaço, em movimentos nítidos, transpondo qualquer via de expressão. Em breve partirão para África, deixando que de novo a nostalgia se instale no meu beiral.

Os passarinhos
Tão engraçados,
Fazem os ninhos
Com mil cuidados.

São p’ra os filhinhos
Que estão p’ra ter
Que os passarinhos
Os vão fazer.

Nos bicos trazem
Coisas pequenas,
E os ninhos fazem
De musgo e penas.

Depois, lá têm
Os seus meninos,
Tão pequeninos
Ao pé da mãe.

Nunca se faça
Mal a um ninho,
À linda graça
De um passarinho!

Que nos lembremos
Sempre também
Do pai que temos,
Da nossa mãe!

Afonso Lopes Vieira

Tuesday, July 14, 2009

Mais perto do mar

Há quem passe um ano inteiro a sonhar com as férias, a exposição ao sol, o lazer, e o ar livre. Quando a intensidade da luz, as cores quentes, as falésias coloridas da praia parecem desviar-nos das atenções do ritmo do dia-a-dia. Como se nos levassem para além dos sentidos, transpondo dimensões para lá de um horizonte vagamente delineado, e quando o tempo indissociavelmente ligado ao espaço vai marcando compasso, não indo a lugar nenhum.

Monday, July 6, 2009

Sob o nosso olhar


Entre aplausos e bandeiras, por entre a multidão, o jogador mais bem pago de sempre viu realizado o sonho de uma vida. Vulto do futebol, a exuberância, o virtuosismo, a sede de vencer, e aquilo de que é capaz em termos técnicos, deram-lhe a projecção internacional hoje alcançada num momento mais alto.

Saturday, July 4, 2009

Independência

Independentes, e livres da obediência à coroa britânica, a Declaração dos Estados Unidos da América defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano, tornando-se a data de 4 de Julho o mais importante feriado americano. Desfiles, fogos de artifício, bandeiras hasteadas, estrelas, fitas azuis, encarnadas e brancas, e tantos outros símbolos da Independência, fazem parte das decorações um pouco por todo o lado, e das cerimónias públicas deste dia, que há 233 anos os desobrigou de qualquer vassalagem.

Friday, July 3, 2009

O peso do gesto

Às vezes adianta-se à palavra, dando-lhe força. Doutras, surge-nos de uma forma espontânea, conferindo expressão ao que nos vai na alma. Noutras ocasiões é intempestivo, repleto de ódio e agressividade, na disputa própria da luta pelo poder. Não verbal, está na origem de qualquer linguagem, ajudando a ilustrar o que simplesmente se diz. Pode ser isolado, encadeando movimentos, que nos passam diante dos olhos como uma autêntica encenação. Por vezes, repetem-se com uma elegância extrema. Uma coisa é certa, o gesto sempre estará com quem o pratica. Será que ele é tudo? Que realmente faz a diferença? Que é irreflectido, indecoroso, imperfeito e negativo até? Verbalizará um desejo? Ou por outro lado nem sequer chega a ser, ou a produzir qualquer efeito?

Thursday, July 2, 2009

Quebra de som

A Valentim de Carvalho que durante várias décadas liderou a venda de discos no nosso país, fechou esta semana as suas portas. O sinal dos tempos, e a concorrência desleal da pirataria contribuíram para o desaparecimento de uma marca discográfica absolutamente histórica. A loja na baixa de Lisboa, gravada na memória da minha geração, remete-nos para um tempo da nossa adolescência, quando as músicas não eram descarregáveis, mas cuja recordação ainda hoje conservamos como parte importante das nossas vidas.

Wednesday, July 1, 2009

Alma poética

O desafio era desmistificar o mundo de um homem, e da sua heteronímia, em apenas poucas linhas. Diante do enigma de tal misteriosa figura, o repto não se assegurava fácil pelas diferentes leituras que a imagem do poeta suscita, muito para além de um mero exercício de olhar. No entanto, correspondendo ao apelo da editora Alma Azul, tentei o meu melhor, na elaboração do esboço possível, do que me tem sido proporcionado ler, escutar, e observar dum universo pessoano que ultrapassa o imaginável.
Esta manhã fui graciosamente surpreendida pelo Livro do Desassossego em 4 exemplares, que me foram enviados pela Elsa Ligeiro em jeito de reconhecimento, que numa postura de diálogo, e grande dinâmica cultural, se tem deslocado à Biblioteca Municipal de Albufeira, mudando-nos por vezes a percepção, e acrescentando outras uma nova dimensão, em iniciativas criativas que em tudo tem contribuido para reforçar o papel da nossa língua.

Monday, June 29, 2009

Instantes

Visita-me, à noite, fica por perto sempre que vires que algum perigo nos espreita, protege os teus filhos quando eu estiver ocupada a fazer outras coisas, derrama a voz sobre nós para que, em sonhos, te oiçamos cantar. Pinta as noites de azul e sugere que os anjos ocupem a orla das portas, espia a cor dos limões e a relva a crescer e rasa-me a pele quando me vires deitada sobre ela, a apanhar sol no jardim.
Mas não te prives de nada por nós. Hoje, sobretudo, não te prives de nada por nós. Dobra a curva da estrada e festeja o teu dia. Há quanto tempo nasceste para o céu? Dez anos? Dez dias? Ou terá sido há dez minutos apenas?...

Inês de Barros Baptista
(jornalista e escritora)

Saturday, June 27, 2009

Noite literária

Em a «Instrução dos Amantes» de 1992 como que nos aproxima da adolescência, mais tarde em 2002, através do «Fazes-me falta» leva-nos à reflexão da morte, da dor, e da perda de quem está perto, conduzindo-nos à «Eternidade e Desejo» em 2008. Aqui revisitamos o percurso da vida do Padre António Vieira por terras de Vera Cruz, quando somos fortemente impelidos ao amor e à paixão. Esta é também a trajectória de Inês Pedrosa - jornalista e escritora, que num agradável serão literário na Biblioteca Municipal de Albufeira nos falou de tudo um pouco, encerrando um ciclo de leitura que reconhecidamente lhe foi dedicado.

Friday, June 26, 2009

Rotação máxima

Foi sem dúvida a imagem dos anos 80, e marca iconográfica de várias gerações. Ditou um estilo muito próprio, criando um look pop, onde a dança sempre lhe surgiu associada. O incontornável «Thriller» obtido com todos e mais alguns meios de produção agitaram completamente o meio áudio visual de então, numa época considerada de ouro. Porém, polémicas e extravagâncias fizeram-no perder o brilho depois de ter conquistado o mundo inteiro. Apesar da sua extrema força criativa, e componente rítmica serão as estrelas imortais?

Thursday, June 25, 2009

Temática do amor

A Biblioteca Municipal acolheu em mais um serão Afonso Dias, que em redor de Luís Vaz de Camões fez a festa com alguma música, e sobretudo muita poesia e imaginação. E porque a importância de toda a obra é trazer algo de novo para quem a escuta, através da sua lírica transformada em verdadeiro tratado de amor, se provou que o conceito de ausência, por mais estranho que pareça, já naquele tempo pesava tanto como agora.

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Camões

Monday, June 22, 2009

Zona tórrida

Do alto da serra, rio acima, ou à beira mar, o Verão com as suas noites longas, definitivamente nos traz um outro atractivo. Em momentos de verdadeira rêverie, que se repetem de forma excessiva e incontrolável, sinto-me projectar para cenários mágicos, de cores quentes e arrojadas, encimados por um céu sobrevoado de gaivotas. Sem pestanejar, aproprio-me de todas e quaisquer paisagens, onde os meus olhos sonham em espaços sem fim. Às vezes, parecem até prolongar-se no tempo, com um especial sabor a eternidade, intensificados por uma paz absoluta, em plena oposição ao frio.

A paixão nua e cega dos estios
Atravessou a minha vida como rios

Sophia de Mello Breyner Andresen

Friday, June 19, 2009

A duas vozes

A facilidade com que os papéis se trocam, quando as circunstâncias externas mudam, é não só expectável, como faz parte da encenação do dia a dia de todos nós. Não fora os sinais inquietantes, e o tempo curto, a lógica discursiva manter-se-ia a mesma. Assim, sem mais demoras, a duplicidade parece melhor ajustar-se à realidade, embora estruturalmente não haja qualquer mudança. Um e outro imiscuindo-se reflectem as mesmas posições, compartilhando uma admiração mútua, que, ao alterar o tom, apenas pode trazer um pouco mais de consistência a uma nova postura. Entre o passado e o presente é claramente visível não existir qualquer diferença de natureza, porque ambos são faces da mesma moeda. O que é radicalmente diferente, ou pode parecer convincente, apenas serve para retirar argumentos de confronto, numa tentativa de reconquista, através de um derradeiro sopro.

Saturday, June 13, 2009

One more


A Quinta do Casalinho foi uma vez mais palco de animada festa, onde não faltaram momentos de verdadeira descontracção e alegria. Neste caso para celebrar o meu próprio aniversário. Gostaria de agradecer aos presentes, e aos ausentes que impossibilitados de se nos juntar, connosco estiveram em sintonia de energia. Resta-me agradecer do fundo do coração à Lurdes e ao Mário a simpatia com que nos receberam, e abriram as portas da sua acolhedora casa.

Friday, June 12, 2009

Geminianas de gema

Prontas para os festejos, entre o aniversário duma a 11, e a 13 da outra, ao som das marchas populares há bailarico e muita sardinha na brasa, noivas de Sto. António e cheirinho a manjerico, guitarras afinadas e fado, e da Bica a Alfama as festas seguem animadas em Lisboa.


Este Junho, mês tão quente
É sinónimo de folia,
É do povo, é da gente,
Trinta dias de alegria.

Santo António é o primeiro
A trazer a gente à rua,
Santinho casamenteiro,
Juntou o Sol e a Lua.

(quadras populares)

Wednesday, June 10, 2009

Figura maior

Tentar decifrá-lo através das várias vidas que criou, leva-nos a uma reflexão profunda. Praticamente indefinível, numa tentativa de o descodificar, a sua grande paixão pela literatura será talvez a única certeza. De espírito inquieto, e insatisfeito, sem sair de casa atravessa todo um inesgotável cosmos, muito para além do que possamos imaginar. Partir numa viagem à descoberta da sua identidade é um desafio constante por todo o mistério que a envolve. Fingidor, porque poeta, enigmático, pela capacidade criativa de se desdobrar, cada um dos seus companheiros existenciais são as referências que em vão procuramos, e tanto nos confundem, ao mesmo tempo que confirmam todo o seu prestígio. Além disso, reforça o papel da língua numa expressão superior, acrescentando-lhe uma outra dimensão.

A minha pátria é a língua portuguesa
Fernando Pessoa

Thursday, June 4, 2009

Tomar-lhe o gosto

A lenda conta que para se encontrar amorosamente com Marte, Vénus terá utilizado o estratagema de servir a seu marido Vulcano um sublime caldo encorpado, (que muito mais tarde terá dado origem à bouillabaisse), com o intuito de o adormecer. Da Grécia antiga para a região mediterrânica, mais propriamente para a cidade portuária de Marseille foi um pulinho. Inicialmente preparada pelos pescadores, na praia, sobre fogueiras de lenha, trata-se de uma combinação de diferentes peixes brancos, ervas aromáticas, e especiarias, como pimenta do reino, noz moscada, açafrão e casca de laranja seca, enriquecida de lagostins, camarões, anéis de lulas, pequenos caranguejos, e lagosta, quando a bolsa assim o permite. Este típico prato da culinária francesa designado por alguns por sopa de ouro traduz-se por bouillir (ferver) e abaisser (reduzir), e é servido em tigelas fundas, sobre fatias torradas de pão duro da véspera, temperadas com um fio de azeite virgem. Claro que haverá mil e uma formas de combinar todos estes elementos, e certamente de os saborear, mas o que torna uma das mais famosas sopas do mundo tão especial, é exactamente a história que a envolve por trás da receita, além da autenticidade dos seus ingredientes, que lhe dão a cor e o aroma inconfundíveis.

Tuesday, June 2, 2009

Monday, June 1, 2009

Pureza do mundo

São claras as crianças como candeias sem vento,
seu coração quebra o mundo cegamente.
E eu fico a surpreendê-las, embebido no meu poema,
pelo terror dos dias, quando
em sua alma os parques são maiores e as águas turvas param
junto à eternidade.
As crianças criam. São esses os espaços
onde nascem as suas árvores.

Enquanto as campânulas se purificam no cimo do fogo,
as crianças esmigalham-se.
Seu sangue evoca
a tristeza, tristeza, a tristeza
primordial.
- Enlouquecem depressa caídas no milagre. Entram
pelos séculos
entre cardumes frios, com o corpo espetado nas luzes
e o olhar infinito de quem não possui alma.

Seu grito remonta ao verão. Inspira-as
a velocidade da terra.
As crianças enlouquecem em coisas de poesia.
Escutai um instante como ficam presas
no alto desse grito, como a eternidade as acolhe
enquanto gritam e gritam.

- É-lhes dado o pequeno tempo de um sono
de onde saem
assombradas e altas. Tudo nelas se alimenta.
Dali a vida de um poema tira
por um lado apaixonamento; por outro,
purificação.
Nelas se festeja a imensidade
dos meses, a melancolia, a silenciosa
pureza do mundo.

Quem há-de pensar para as crianças, sem ter
espinhos nas vozes desertas
até ao fundo? É vendo-se aos espelhos,
no seguimento da noite,
que as crianças aparecem com o horror
da sua candura, as crianças fundamentais, as grandes
crianças vigiadoras –
cantando, pensando, dormindo loucamente.

Não há laranjas ou brasas ou facas iluminadas
que a vingança não afaste.
As crianças invasoras percorrem
os nomes – enchem de uma fria
loucura inteligente
as raízes e as folhas da garganta.
Aprendemos com elas os corredores do ar,
a iluminação, o mistério
da carne. Partem depois, sangrentas,
inomináveis. Partem de noite
noite – extremas e únicas.
- E nada mais somos do que o Poema onde as crianças
se distanciam loucamente.
Loucamente

Herberto Helder – A Colher na Boca

Sunday, May 31, 2009

Festa Azul

Cresci assistindo a um sem número de jogos de futebol, e a ouvir relatos radiofónicos com Artur Agostinho, e Alves dos Santos, que ainda hoje me dão prazer escutar, tanto em viagem, ou mais recatadamente na cozinha, ao preparar uma refeição. No rescaldo das vitórias o Futebol Clube do Porto centrando-se nos seus objectivos acabou por confirmar a sua superioridade a nível nacional, pelo rigor, disciplina, trabalho, e estabilidade interna, que se traduziram em permanente liderança. Parabéns aos campeões.

Saturday, May 30, 2009

Exercício de liberdade

A sua intenção foi criar um território, no qual sucessivas situações abrissem espaço a que o leitor partilhasse da sua construção. Desta forma o autor convida-nos a intervir, permitindo várias leituras de histórias que acabam por se cruzar. Como cenário temos a arquitectura duma cidade qualquer, com casas que ele atribui serem esqueletos de almas, e personagens representativas de corpos, ou não fosse o Sandro actor, encenador e director artístico. E porque somos vários homens, um a um estamos todos lá. E connosco estão não só os dejectos e o lixo urbano, mas também a náusea, a bílis verde, o sémen, o cuspo, o ranho, borbulhas e pontos negros, e muito sangue, sobretudo o que é morno, e deixa marca, que ao contrário das palavras não dá para apagar. O nojo puro está lá, ora nas costas duma mão, no rebordo duma cama, em quartos vazios, ou em acto de profanação. «O sagrado e o mundano, o crime e o maravilhoso, separados apenas por umas centenas de metros e umas quantas paredes rebocadas». E apesar de ser primavera, quase sempre a chuva cai, ininterruptamente como uma maldição, debaixo de um vento, que não se sabe bem donde vem, mas que conseguimos sentir, tal como tudo o resto. Propositadamente violento, por vezes até perturbador, apenas para nos provocar, também nos seduz quando «no meio do preto, por entre estrelas baças, o menino vislumbrou a lua. E a lua era para ele uma bolacha com recheio de baunilha. Suspensa de forma invisível e ainda inviolada. Bolacha gigante, cremosa e doce, regularmente trincada pelos seres e coisas que habitam o céu». O Caderno do Algoz da Caminho, da autoria de Sandro William Junqueira, a cuja apresentação tive o privilégio de assistir ontem à noite, é um livro que nos traz momentos surpreendentes, num processo criativo absolutamente genial.

Thursday, May 28, 2009

Produtos e serviços

Impõem-se no mercado como uma referência, quer pela sua qualidade, ou pelo preço competitivo, e estilo. Nos Estados Unidos, onde me desloquei recentemente são várias as marcas que pela sua popularidade se tornaram verdadeiros símbolos, e por vezes motivos de um orgulho genuinamente patriótico. Aqui fica o registo de algumas que fotografei, desde a Coca-Cola e cerveja Coors, em milhares de bares, e frigoríficos por esses lares afora, aos cachorros quentes presentes em churrascos, pelos quais há quem seja verdadeiramente louco, aos combustíveis Exxon, ou às livrarias Barnes & Noble – rede de enormes lojas que nunca deixo de entrar, super confortáveis e aconchegantes, com cafés e mesas de leitura, e milhares de livros distribuídos por estantes, que nos convidam a ficar. Falta ainda fazer referência à cadeia de lojas JCPenney localizadas em centros comerciais, que fazem as delícias duma sociedade absolutamente virada para o consumo, e para terminar o molho Tabasco, esse mesmo, o tal número um no mundo, que nos apimenta o prato, e nos traz colorido à vida!

Tuesday, May 26, 2009

Produto final

Há dias chegou-me às mãos um e-mail com o seguinte teor:
Numa pequena vila e estância balnear na costa sul de França nada de especial acontece. A crise sente-se. Toda a gente está carregada de dívidas e deve a toda a gente. Subitamente, um rico turista russo chega ao foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 Euros sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar. O dono do hotel pega na nota de 100 Euros e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100 Euros, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100 Euros que lhe devia há algum tempo. Este, por sua vez, corre ao criador de gado que lhe vendera os leitões e este por sua vez corre a entregar os 100 Euros a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os 100 Euros e corre ao hotel a quem devia 100 Euros pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes. Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100 Euros. Recebe o dinheiro e sai. Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescentado. Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e estes elementos da pequena vila costeira encaram agora com optimismo o futuro.
Toda a historieta com um final feliz, como este, nos propicia um sorriso. Mas, falando a sério, urge corrigir hábitos, tentando perceber qual a relação que temos com o dinheiro, conseguindo rentabilizá-lo passando das muitas teorias à prática. Desde despertar consciências, até criar outras rotinas, tudo vale para que as renovadas regras prevaleçam após a crise. Aproveitar os seus aspectos negativos para novas oportunidades, eis afinal o grande desafio do momento.

Saturday, May 23, 2009

Palavras desdobradas


Ontem à noite Manuel Ribeiro propôs-nos um outro modo de pensar, através do seu livro Dicionário da Desconstrução. Trabalhando as palavras como se de um jogo se tratasse, uma a uma vai desconstruindo o seu lado fonológico, reaparecendo com novas combinações, em estreita articulação com a pintura, da qual o próprio não se consegue demarcar. A sua faceta delicada e subtil reflecte-se mais do que nunca na sua afirmação pela arte.

Vai meu olhar para além de mim
e ultrapassa os tempos do Sol,

Vai meu olhar para além de mim,
vai onde Ícaro não conseguiu.

Vai meu olhar e leva-me contigo
conhecer
os sonhos que ainda não sonhei.

Manuel Ribeiro

Thursday, May 21, 2009

Visão positiva


E porque o melhor da vida está dentro de nós, independentemente da crença de cada um, a prática da meditação é um processo mental com o objectivo de despertar consciências. Há tanto aspectos positivos quanto negativos nos nossos pensamentos, dotados de energia própria, e onde tudo começa. Ao eliminarmos os sentimentos que nos causam infelicidade desmontamos a ilusão em que tantas vezes vivemos, disciplinando a mente para reagir de uma forma mais realista. Este será sem dúvida um acto natural da alma, cuja auto-transformação encontra responsabilidade na mudança. Ao aceder ao meu potencial eterno estabeleço uma ligação com a fonte suprema baseada numa relação de amor. Livres e criativos podemos desenvolver este estado mental como meio de vida, para em conjunto nos deixarmos levar pelas asas do pensamento, permitindo que a paz, a doçura, a quietude, e a sabedoria nos preencha, em direcção à essência mais elevada. Om Shanti.