Este é já o seu terceiro livro romanceado de carácter jornalístico. Longe do meu coração, é uma história verdadeira, baseada em relatos de milhares de portugueses que, nos anos 60, emigraram para França nas piores condições com o objectivo de melhorar as suas vidas. Júlio Magalhães apresentou-o em Paris há cerca de três semanas, e depois do Porto, de onde é natural, agraciou-nos com a sua agradável presença, esta noite, no salão nobre da Câmara Municipal de Albufeira.
Tuesday, November 23, 2010
Sunday, November 21, 2010
Thursday, November 18, 2010
Uma nova atitude
Vem a caminho, e não tarda está aí. Para uma renovação da política que, a humanidade precisa. A cada passo, prevê-se uma agenda intensa, e o seu papel é fundamental no plano global de segurança. Trouxe um novo fôlego, e reconciliou os Estados Unidos com o mundo, tentando transformá-lo com esforços de pacificação. À sua passagem, não seremos indiferentes, para que se revitalizem parcerias e surja um novo clima. Tuesday, November 16, 2010
Debruçada sobre o rio
Separa Portugal de Espanha, entre meandros e zonas protegidas de grande beleza. Sucessivamente ocupado por povos navegadores, às suas margens acorreram desde fenícios, a gregos, cartagineses, romanos e árabes, que o utilizaram como acesso à península ibérica encorajados pelo comércio fluvial. Actualmente, percorrem este curso de água embarcações de recreio que, desfrutando da paisagem perfeita do Guadiana lhe reafirmam a serenidade da contemplação.
Monday, November 15, 2010
Tonalidades
Friday, November 12, 2010
A incerteza
A incerteza cai com a tardeno limite da praia. Um pássaro
apanhou-a, como se fosse
um peixe, e sobrevoa as dunas
levando-a no bico. O
seu desenho é nítido, sem
as sombras da dúvida ou
as manchas indecisas da
angústia. Termina com a
interrogação, os traços do fim,
o recorte branco das ondas
na maré baixa. Subo a estrofe
até apanhar esse pássaro
com o verso, prendo-o à frase,
para que as suas asas deixem
de bater e o bico se abra. Então,
a incerteza cai-me na página, e
arrasta-se pelo poema, até
me escorrer pelos dedos para
dentro da própria alma.
Nuno Júdice
Thursday, November 11, 2010
Ao ar livre
O verde é a cor dominante da paisagem. A ela mistura-se os grandes rochedos, as árvores seculares, o som das fontes de águas límpidas, e o canto das aves. Em Monchique, o ar é puro, e respira-se uma absoluta tranquilidade. Avanço para Fóia – o ponto mais elevado do Algarve, e à distância, descubro o mundo que me cerca, saboreando-o com todo o vagar. De um vasto horizonte de mar e serra, é sempre possível ver mais longe, e beijar o céu.
Wednesday, November 10, 2010
Ideia de espaço
Voam à descoberta, concentrando a atenção nos traçados rectos e sinuosos em todo o seu redor. Os limites são-lhes indefinidos, e as nuvens espessas oferecem-lhes refúgio e evasão onde tudo é grande. Sobem colinas, viajam por campos de terra ressequida donde já nada brota, e deslizam pelos rios acima no mais fugaz dos instantes. Por fim, empoleiram-se no topo onde a vertigem é maior. E, quedos e silenciosos, suspensos no tempo em estado de perfeito equilíbrio, vão dando conta da poesia para além de si.
Monday, November 8, 2010
Retrato
Sempre que penso em ti estás a dançar levemente num clima de canela despenteada, ó aroma vagaroso, desordem aérea, mas a memória tem pressa, o sangue tem pressa interna, e antes de pensar tremo, e depois tremo, pelo meio desenvolve-se o pavor de uma beleza maiúscula, o coração corre entre iluminuras rápidas, é uma criança sucessiva nas pautas da música, assim escrevo uma nação simultânea, desapareces na respiração do teu vestido, entretanto a revelação anuncia-se pelo medo, curvas-te como as aldeias devoradas pela lua, mais tarde sempre que penso em ti estás com um lenço escrito nas duas mãos, e a tua velocidade abranda junto aos espelhos, expandes-te assim lentamente gravada, és uma floresta de silêncios visíveis, sempre que penso penso sempre ao contrário do fim, estás cada vez mais no princípio de ti mesma, então vejo que nesse lugar é o meu começo eterno, quando danças é um corpo rodeando a brancura rodeada ou de novo qualquer coisa criminal entre o cuidado e o espaço, nas linhas puras da solidão arde a cabeça, arde o vento, atrás de ti as imagens assassinas da noite - estrelas: subversão da noite, sempre que penso em ti danço até à ressurreição do tempo.
Herberto Helder, "Retrato em Movimento"/"Poesia Toda"
Herberto Helder, "Retrato em Movimento"/"Poesia Toda"
Sunday, November 7, 2010
Mudança de estações
Com os dias cada vez mais curtos, e a escurecer mais cedo, há uma tendência para se passar mais tempo em casa, após uma fase em que as actividades ao ar livre nos impeliam para o exterior. E, apesar da minha relação com o frio não ser de um total desconforto, nada, agora, me sabe melhor do que, me estender no sofá, debaixo de uma leve e suave manta de mohair, que me garante todo o bem-estar de que necessito.
Saturday, November 6, 2010
De rosa em rosa
Rosa em verso, rosa em prosa:
rosa rosa.
Verdadeira, recortada,
sempre votiva é a rosa.
Quem a dá, quem a ostenta,
quem a colhe, quem a inventa,
quem dela - a rosa - se lembra
faz o voto de quebrar
a pessoal solidão.
Se não troco o pão por rosas,
não troco a rosa por pão.
Rosa.
Rosa em verso, rosa em prosa:
rosa rosa.
Rosa nome, rosa coisa,
rosa flor, rosa rosa,
rosa traço de união.
Rosa fugaz, recolhida
noutra rosa já nascida.
De rosa em rosa é a vida.
Ó rosa breve fulgor,
lampejo na escuridão.
Se não troco o pão por rosas,
não troco a rosa por pão.
Alexandre O' Neill
rosa rosa.
Verdadeira, recortada,
sempre votiva é a rosa.
Quem a dá, quem a ostenta,
quem a colhe, quem a inventa,
quem dela - a rosa - se lembra
faz o voto de quebrar
a pessoal solidão.
Se não troco o pão por rosas,
não troco a rosa por pão.
Rosa.
Rosa em verso, rosa em prosa:
rosa rosa.
Rosa nome, rosa coisa,
rosa flor, rosa rosa,
rosa traço de união.
Rosa fugaz, recolhida
noutra rosa já nascida.
De rosa em rosa é a vida.
Ó rosa breve fulgor,
lampejo na escuridão.
Se não troco o pão por rosas,
não troco a rosa por pão.
Alexandre O' Neill
Friday, November 5, 2010
A bela-luísa
Acabada de colher, o seu agradável sabor cítrico, serviu para nos reunirmos, sob o pretexto de um chá bela-luísa. Quando abre as portas de sua casa, ela aprimora, e é como se uma lufada de ar fresco nos invadisse as vidas. Da janela da cozinha, por onde tudo passa e acontece, avista-se um marmeleiro, a uma curta distância. Está carregado de frutos amarelados. Antecipo-lhes o perfume intenso quando maduros, deixando-me seduzir.Na véspera, depois de os lavar, e cuidadosamente pôr a escorrer, um a um a Fátima descaroçou todos os marmelos, confeccionando uma geleia caseira, ao atingir o ponto desejado para a sua conservação. Um frasco foi-me logo reservado, e, por isso, eu aí estou de novo. Aquele lugar é o seu refúgio, e transmite o quanto ela é ali feliz. Com os dentes a romper, e uma ligeira infecção viral, o Pedro não abdicou de chorar, alertando-nos para a sua notoriedade na vida diária doméstica. Só o tempo liga tantas coisas valorizando cada momento.
Thursday, November 4, 2010
Wednesday, November 3, 2010
Ao som do jazz
Monday, November 1, 2010
A supertaça
Eles posicionaram-se, saltaram, roubaram a bola, e fizeram passes e dribles. Ao encestarem, marcaram pontos, e ganharam! Atentos, os árbitros asseguraram as regras do jogo, e verificaram os descontos de tempo, já que uma vez interrompido, paralisa imediatamente. No encontro desta tarde, no pavilhão desportivo de Albufeira, o Benfica, que mais parecia estar a jogar em casa, levou a melhor, conquistando ao Porto o troféu da Supertaça.
Saturday, October 30, 2010
Noite dos diabos
Oiço-lhes as risadas e os gritos agudos, algures, na distância. No silêncio da noite, as suas vozes ressoam incontroláveis. Monstros e diabos passam-me pela frente, uns a seguir aos outros, como se fugissem deles próprios e de mim. A lua encontra-se negra pelo poder da escuridão. E, os espíritos andam à solta, assombrando-nos o território. Directamente da linha do horizonte, atravessam-me as paredes nas suas vassouras voadoras, debaixo de um tecto coberto de teias de aranha, com caveiras incrustadas, e espelhos reduzidos a estilhaços. Amaldiçoadas bruxas que, me causam repulsa, e me deixam o sangue gelar de pavor. Lívida, e de cabelo tão desgrenhado quanto elas, sigo-lhes o rasto através do seu canto fantasmagórico, para um banquete de manjares recheado das melhores iguarias ditadas pelo imaginário.
Wednesday, October 27, 2010
Seduzida pela luz
Teria aqui uma casa numa das vielas fedorentas mais escusas. Para o exterior um muro sem uma janela, um muro velho, com um postigo mais velho ainda para entrar. Aberta a porta, seria um deslumbramento: no pátio caiado, só luz e folhas gordas, da variedade dos cactos que dão flor vermelha, humedecidas de água sempre a escorrer. Teria duas escravas para me servirem frutos translúcidos acabados de apanhar.
Teria um barco para o contrabando nos mercados de Gibraltar e Marrocos, satisfazendo assim os meus velhos instintos de pirata. E de noite, a este luar que tem não sei o quê de mulher, de pele de mulher, de seios duros e brancos de mulher, dormiria na soteia sob as estrelas, grandes como fogachos.
Era viver num meio adormecimento, seduzido pela luz, fora de todos os interesses e realidades, em Portugal e no Sonho...»
Raul Brandão - Agosto de 1922
Tuesday, October 26, 2010
Em primeiro plano
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