Monday, February 16, 2009

Mundos perdidos

Revolutionary Road traz de novo ao ecrã o romântico par de Titanic, retratando um jovem casal dos anos 50 numa viagem que nunca chegarão a realizar. Arriscar uma vida diferente quando se está à beira do fracasso pode ser uma alternativa. Outra é acomodar-nos à situação, continuando resignadamente enclausurados num pequeno mundo claustrofóbico. Sonhar pode ser o escape perante o desgastante dia-a-dia de conflitos conjugais. Gostei tanto que mandei logo vir da Amazon.com o livro de Richard Yates no seu original, em cujo denso conteúdo Sam Mendes se terá inspirado para rodar o filme. Chegou-me hoje no correio, e espera-me agora toda a reconstituição duma época que não perdeu a actualidade. Afinal a derradeira felicidade pode não estar na prosperidade financeira de uma casa confortável, ou no último modelo de um carro qualquer. Existem outros caminhos, livres de mágoas, reescrevendo itinerários que nos concretizem as vontades.

Saturday, February 14, 2009

Força de atracção

Há quem o busque uma vida inteira, e quando o achamos parece que se agita dentro de nós. Surge entre olhares fugidios, numa linguagem de impulso e de desmedida emoção. Então o desejo instala-se, ganha fulgor, e por instantes faz-nos sentir superlativamente vivos, atingindo o inteligível. Definitivamente marca-me o rosto, ao mesmo tempo que me altera o comportamento, tornando-se impossível mantê-lo oculto do olhar dos demais! Um amor é para sempre? Para ser levado até ao fim? Ou depende mais da imaginação? Às vezes promete mais do que dá, e envolve tristeza, renúncias, drama, e ciúmes. Pior mesmo é quando passamos a ver o que não vimos antes, e o engano se desfaz em escombros. Destruidor e violento, é aqui que surgem histórias de perdão, e reconquista, despertando uma nova teia de subtilezas, ambiguidades cúmplices, e momentos íntimos, quando incessantemente procuramos um final feliz, que ao crepúsculo, com tempo e vagar nos faça sentir uma vez mais intrinsecamente ligados!

Thursday, February 12, 2009

O ano de Darwin

Nasceu em Inglaterra a 12 de Fevereiro de 1809, e com 22 anos partia no Beagle - um navio da Real Marinha Britânica, numa viagem à volta do mundo que dura 5 anos. O primeiro local visitado é Cabo Verde, com o objectivo de cartografar a costa, e capturar milhares de plantas e animais com os quais por associação chega à «Origem das Espécies», cuja teoria evolutiva revoluciona o pensamento científico do século XIX gerando polémica. O seu mérito deve-se ao facto de conseguir arrumar de uma forma diferente dados até então conhecidos, sistematizando a informação através de uma escrita vitoriana repleta de momentos de reflexão, e de enorme detalhe. Quem somos, e o que fazemos aqui? Afinal, os seres estariam relacionados uns com os outros, na grande árvore da vida, descendendo as espécies umas das outras. A sua modificação resulta do meio ambiente, que lhes possibilita evoluir segundo uma norma mais adaptada. A ímpar capacidade de observar a natureza tornou Darwin o verdadeiro herói da ciência, permitindo redescobrir o significado da vida à luz da evolução.

Wednesday, February 11, 2009

Magia em flor

Dizem que um rei mouro as mandou plantar. E, elas aí estão de novo, salpicando os campos de alegria com o seu branco delicado. Algumas optam por se vestir em rosa claro, ou pálido lilás, sugerindo um suave aroma a lavanda. Enquanto as observo abraço-as com o olhar, em gesto de paz, e uma a uma sinto-lhes a fragrância. Na nossa vida agitada é fácil perder a sintonia com a natureza, quando afinal os sinais aí estão, anunciando-nos a primavera, que pé ante pé vem chegando. Suspensa na crença da jovem princesa nórdica, cujas saudades da neve só terão sido extintas, quando a paisagem se cobriu de pétalas brancas, também eu, perante este cenário único me sinto renascer, com a felicidade ali mesmo ao meu alcance.

Monday, February 9, 2009

Rendidos aos seus encantos

Portuguesa de nascimento, de Marco de Canavezes para o mundo, desde logo arrebatou os palcos, com todo o seu talento. Deslumbrante, irreverente, colorida, e detentora duma energia incrível, ajudou a difundir a língua portuguesa, e a projectar o samba, e a música popular brasileira. Os seus turbantes, onde a fruta não faltava, e os sapatos plataforma, com cerca de 15 centímetros, foram na altura uma autêntica marca de sucesso, tornando-a emissária do tropicalismo. A sua personalidade e força atraíram o público, que na hora da sua morte não deixou de estar presente, em número mais elevado que o meio milhão de pessoas - o mais concorrido na história do Rio. Se fosse viva faria hoje 100 anos!

Saturday, February 7, 2009

Ondas do pensamento

O medo que as mulheres provocaram ao longo dos séculos foi essencialmente combatido pela Igreja, através duma autêntica perseguição às bruxas, conhecida como Santa Inquisição. Numa sociedade maioritariamente rural, algumas destas mulheres sábias, com conhecimentos sobre ervas medicinais, eram responsáveis pela assistência aos partos, e pela saúde das populações em geral. No século XV foi publicado um livro escrito por dois monges dominicanos intitulado Martelo das Bruxas, que se traduz numa espécie de manual, que ensina os inquisidores a reconhecê-las, punindo-as publicamente na praça pública, como forma de coagir e intimidar os moradores. De acordo com a Nicole, em mais uma das suas conversas, ainda nos dias que correm a mulher continua a trazer equilíbrio, impedindo a ganância dos homens de avançar. Ela vai até mais longe, ao afirmar que se não fosse pela função meramente reprodutiva, o homem não hesitaria em eliminar a mulher de uma vez por todas, transformando o mundo num cenário apocalíptico, que o conduziria a um novo ciclo de vida. A partir de 2003, e ainda durante o decorrer de 2009 temos a oportunidade de utilizar o poder da mente com grande supremacia. Tudo o que existe é constituído de energia, que pode ser transformada e controlada por cada um de nós. É esta consciência de poder, sobre as nossas vidas, que atrairá tudo o que necessitamos para viver melhor, e em abundância.
Como passo seguinte acendamos incenso, e através de uma música suave criemos um clima tranquilo. Voltando a atenção para a respiração, tentemos concentrar-nos apenas em sentir o ar. Imaginemos então a cor azul sobre nós, tal qual o céu, num claro dia de verão. Algumas nuvens que pairam no ar correspondem a situações indesejáveis, que convém enviarmos para bem longe de nós. Deixemos que a claridade azul nos invada, sentindo a luz penetrar pelo alto da cabeça, fluindo suavemente por todo o corpo. Ao retermos a atenção neste fluxo, em direcção ao coração do universo sentimos a paz interior, numa atitude positiva, e em crescimento de consciência acelerado, mais próximos da alegria, e da felicidade.

Friday, February 6, 2009

À espreita

Na semana passada o Jornal de Letras celebrou a sua milésima edição, e como bónus oferecia uma colectânea de poemas, de alguns dos mais importantes nomes, da nossa poesia contemporânea. Por ser um livro fininho guardei-o na carteira, e só hoje, enquanto esperava pela minha vez, numa fila, dum irrelevante local, como são a maioria, tive a oportunidade de o folhear. Não sei quanto tempo aguardei, nem se fazia frio, ou calor, porque totalmente alheia ao que me rodeava, me deixei embevecer por aquelas pequenas pérolas. «Que/ serviria/ meu amor/ oferecer-te/ a rosa/ se dura/ a rosa/ pouco mais/ que o tempo/ em que te/ digo rosa» pergunta-me Rita Taborda Duarte no seu poema «Dedicatória». Para logo achar a sequência nas palavras de Maria Teresa Horta: «Deixo que venha/se aproxime ao de leve/ pé ante pé até ao meu ouvido/ Enquanto no peito o coração/ estremece/ e se apressa no sangue enfebrecido». Umas páginas adiante é Afonso de Melo quem se me dirige: «Abraças-me/ como se quisesses ver-te livre de mim». E logo a seguir é Pedro Mexia quem me deixa a pensar, quando diz: «O mundo talvez esteja fora do mundo, aí nos encontramos». Indecisa, volto ao início. «Há um mar imaginário aberto em cada página/ não me venham dizer que nunca mais/ as rotas nascem do desejo/e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos/ quero o teu nome escrito nas marés/ nesta cidade onde no sítio mais absurdo/num sentido proibido ou num semáforo/todos os poentes me dizem quem tu és» desperta-me Manuel Alegre, com a sua voz de trovão. Quando com um safanão nas costas, oiço dizer: - Avança, é a tua vez!

Wednesday, February 4, 2009

Por trás dos sons

Prolonga-se pelos dias, e cai ininterrupta a partir do silêncio. O seu ritmo é suave, com variações melancólicas, que me compete interpretar. Dizem que molha tolos, mas, ao correr mundo molha toda a gente. Os que ficam para trás, os que não conhecemos, a torto e a direito, sem coordenadas, e em direcção ao futuro. As previsões do estado do tempo são como tudo o resto – imprevisíveis! É curioso que enquanto um eclipse pode ser calculado com séculos de antecedência, o movimento atmosférico é por outro lado tão instável. Apesar da leveza com que se precipita, o ruído acentua-se, perceptível, sussurrando em compasso de dança.

Monday, February 2, 2009

Enfrentando o stress

E porque cada vez mais sofremos de stress, fui à Biblioteca Municipal ouvir o professor Mário Cavaco, que da Argentina nos trouxe a paz interior que procurávamos. O estilo de vida que actualmente levamos contribui para um constante frenesim, que tende a afectar-nos o corpo das mais diversas formas, desde alterações do aparelho digestivo, enxaquecas, insónias, fadiga, doenças do foro cardiovascular, e dores musculares, quando o nível de tensão muscular também se inclina a aumentar. Desprotegidos, e sem mecanismos de defesa vemo-nos muitas vezes confrontados com situações angustiantes, esquecendo-nos que factores internos estão na origem de todos os males. Identificar a sua natureza, e entender o que o determina é já por si meio caminho andado. E quanto maior for a sua compreensão melhor o saberemos combater. Há quem se deixe manipular por estímulos exteriores mais facilmente que outros. Mas, é da nossa interpretação do mundo que as nossas emoções e bem-estar dependem. Se a nossa tolerância para lidar com o dia-a-dia é baixa, criemos então uma nova realidade, que de uma vez por todas nos liberte a mente de pensamentos negativos, quebrando o ciclo que nos impede de viver em equilíbrio, transmitindo serenidade e alegria, ao longo da nossa passagem.

Sunday, February 1, 2009

Rumo à consciência

Quando o mundo em que nos movemos apresenta falhas, ao reflectirmos sobre o que aqui fazemos, e o que virá depois, torna-se imperativo agir, desenvolvendo a nossa própria essência. Uma dieta vegetariana baseada em fruta, vegetais, leguminosas, nozes e sementes, consumidos em quantidades correctas, torna-se uma excelente alternativa saudável que nos sacia as carências nutricionais. Ao excluirmos a carne do regime alimentar, segundo a Nicole, não só ajudamos a proteger o ambiente, e os animais, como ganhamos uma vida muito mais longa. E já agora, porque o pensamento tem poder, crie o hábito de pensar positivo. Quando o que lhe vem à cabeça não se enquadra propriamente naquilo que idealiza, pense outra vez. Neste exercício de construção mental, ao rejeitarmos o que for nefasto, invertemos a situação para aquilo que mais desejamos. Ao fazê-lo, como se não houvesse outra condição, exercemos pleno controlo, e optimizamos as nossas mentes, ultrapassando a imaginação. Mudando a nossa maneira de imaginar mudamos tudo o que nos rodeia. Como passo seguinte inspire profundamente, retenha a respiração, e expire lentamente. Desenvolva ondas de energia emitidas do seu corpo, e visualize uma luz violeta sobre a cabeça. Quando os seus pensamentos encontrarem outros unidos pela energia, a partir do nosso pequeno planeta, viajaremos até à liberdade de um universo ilimitado.

Friday, January 30, 2009

Recém-chegada

Num controverso post de há dias, José Saramago considera que Hillary Clinton deveria omitir o apelido do marido, que já terá passado à história, e lhe diminui a identidade, devendo optar pelo Rodham de nascimento, mais de acordo com o futuro brilhante que ele lhe antevê como secretária de Estado. A propósito deste facto, veio-me à ideia, uma anedota que me contaram. Num certo dia Bill e Hillary viajavam pelo estado de Illinois, donde aparentemente ela é, e pararam numa estação de serviço para atestar o carro de gasolina, quando ela se volta para o marido dizendo-lhe que na adolescência teria namoriscado o respectivo funcionário. Então, ele responde-lhe que se por acaso o namoro tivesse terminado em casamento, certamente a estação de serviço teria sido o seu cenário mais provável. Só que, como ultima palavra, ela diz-lhe que ao contrário do que ele pensava, se ambos tivessem casado que quem teria sido presidente dos Estados Unidos seria o tal homenzinho! Nem mais.

Wednesday, January 28, 2009

O mundo renovado

Em momentos de maior stress, na tentativa de eliminar uma crise sem precedentes, por vezes recusamos enfrentar os desafios que mais nos atemorizam. Encontrar forma de tudo resolver, torna-se no pior dos cenários, incontornavelmente complexo, e com um discurso negativo a depressão é inevitável. A economia privada não será certamente solução para todos os problemas, e ao nos sensibilizarmos com a situação de desequilíbrio deveríamos repensar na redistribuição, começando por cada um de nós. É certo que a imprevisibilidade nos agudiza os tempos, acrescentando-lhe outra dimensão, e quando tudo parece desabar é vital não perder nunca ideais. Já na Roma antiga se dizia, que foi o medo que trouxe os deuses ao mundo! Aprender a lidar com as pequenas dificuldades do dia a dia, transpondo a imobilidade requer um envolvimento responsável, uma atitude de compreensão, e consequentemente o entendimento global. Ao fortalecermo-nos mutuamente contribuímos para um projecto muito mais vasto e integrador. E às vezes, como se diz por aí, é preciso que tudo mude, para que no final tudo venha a ficar na mesma!

Monday, January 26, 2009

A natureza dos segredos

Quando nos preparávamos para uma nova limpidez, eis que os recorrentes registos nos lançam na obscuridade. Os indícios, as sombras que nos rodeiam, a contínua suspeita, a superioridade moral de alguns, e o multiplicar de alusões, introduzem a acção dos pequenos filmes dentro do grande psicodrama. Retomando pormenores, a cada passo aguardamos por desfechos, entre o que se esconde e o inexplicável, e as opiniões opostas e o excesso de imaginação, em incessante vaivém. Algo suspenso entre a confiança e a suspeição, que nada prova, reforça a escuridão em que nos obrigam a viver. E, a meio caminho, nas viagens de um lugar a outro, ao avaliar o explicitado e o insinuado, os perseguidos e os perseguidores, todos me sugerem mal-estar, e desencadeiam o que pressinto, e aquilo de que me querem convencer. Neste diálogo interior a preto e branco, e sem palavras, se calhar acabamos tal como começámos, sem saber a verdade, pura e simplesmente no vazio.

Saturday, January 24, 2009

Paralelismos

Erradicando a crise do pensamento, com os olhos ainda do lado de lá do Atlântico, eis senão quando sombras negras do que terá sido mal resolvido, e indesejáveis rajadas de vento, nos ameaçam o território. Na busca da verdade, entre temas e enredos, onde é difícil escapar imune, interrogo-me sobre o que é notícia, e o credível, e no que é legal, e a moralidade. E uma vez mais fico espantada com a rapidez com que tudo muda. Afinal o que está em jogo, e o que nos persegue, diminuindo-nos, e fragilizando-nos assim? Qual a dimensão do poder? Quando as minhas expectativas tendem a arrefecer. Será que Obama terá margem suficiente para tudo mudar, como num golpe de magia? Esperaremos nós demais de um homem só? Na diversidade das minhas reflexões sinto o pulso do país, e do mundo, que desesperadamente precisa de esperança, ao mesmo tempo que preservo na memória a visão da rainha do soul, que há dias deu voz ao «momento», e daquele chapéu que ainda me faz desvairar.

Thursday, January 22, 2009

Honras de destaque

Sem conseguir desligar-me, o momento forte que há dias testemunhámos, não nos irá nunca deixar. Este fenómeno de simpatia provocou-nos emoções tão intensas, que atravessou continentes contagiando o mundo, de lés a lés. Finalmente uma nova ordem muda-nos o tom, e aponta-nos diferentes soluções. Comprometido com causas, a cada novo olhar dá-nos o sinal, traça-nos linhas mestras, e define-nos critérios, abrindo-nos a porta à esperança. Chamados a recomeçar, com uma clareza maior, de festa em festa, dita-nos o ritmo numa maratona de dança, quando o seu encanto nos ultrapassa, e nos faz rodopiar.

Wednesday, January 21, 2009

Finalmente

Tuesday, January 20, 2009

Sensibilidade e percepção

Mudança é a palavra-chave, e daqui a 2 horas, com o avançar do dia, cumprir-se-á o sonho do direito à diferença. Contrastando com o seu antecessor, surge-nos inteligente, qualificado, dotado de um carácter excepcional, e muito mais ligado à realidade dos nossos dias. O momento é histórico, os objectivos essenciais, e o efeito terá forçosamente de ser positivo para a retoma global. A incógnita reside no tempo que durará o seu estado de graça. Em torno de Obama está o olhar messiânico, algumas dúvidas, o que é expectável, e toda a pressão do jogo económico. Os desafios são imensos, as situações difíceis, as esperanças mais que muitas, e a oposição feroz, quer por parte dos neoconservadores, ou dos grandes grupos económicos, ou até dos cristãos fundamentalistas, da «outra América», mais rural e profunda que eu conheço. O importante é lançar bases, reunir uma equipa coesa, e em clima de unidade responder afirmativamente, com uma nova atitude que faça renascer a paz.

Monday, January 19, 2009

Ao invés

Imaginar a vida do fim para o início, levados pela fantasia e a imaginação, é a proposta do «Estranho caso de Benjamin Button». Um percurso de toda uma existência, mas, em sentido inverso, com as consequências que daí resultam. A ideia original surge a partir da literatura de Scott Fitzgerald – um dos mais talentosos escritores americanos do século XX, e acaba por se transformar num filme complexo, que essencialmente contempla o amor, e nos faz reflectir sobre a condição humana, as suas experiências mais marcantes, as ligações sentimentais, os desencontros, e o que o destino teima reservar. Registo brilhante, acompanhado de admiráveis manipulações tecnológicas no compor das personagens, absolutamente imperdível.

Saturday, January 17, 2009

Força motriz

No arranque de mais um ano, e sempre em renovação, eis que nos surge pertinente e criativa, com mais uma das suas tertúlias. Esta tarde, o grande homenageado foi António Aleixo (1899-1949) – poeta popular, que onde quer que calhasse, não perdia a oportunidade de improvisar as suas rimas, que a várias vozes, ali mesmo ganharam expressão artística. De realçar a presença do seu neto Victor, que, socorrendo-se de uma mão cheia de quadras avulsas, apaixonadamente nos agraciou com a sua presença. Nesta, que terá sido a sua derradeira tertúlia, a Zizi, através de mais uma acção concreta, na actual conjuntura, terá esgotado a paciência, mas nunca a pulsação dos poemas. Que o seu efeito criativo possa ser levado à avante, noutra hora, rasgando outro espaço qualquer, afim de que possa continuar a transmitir-nos com a sua onda de cor, toda a sua versatilidade, e constante prazer pela vida.

Os teus olhos, mulher linda,
P’ra quem neles soube ler,
Dizem mais coisas ainda
Do que tu sabes dizer.
António Aleixo

Friday, January 16, 2009

Escapando às convenções

Por mero acaso, a alusão aos cruzamentos de credos fez recuar-me no tempo. Há pouco mais de 30 anos, também fui aconselhada a não casar com um cidadão americano, que estaria condenado à partida, tomando como exemplo as uniões falhadas das estrelas de Hollywood!? Certamente haverá pólos de conflitualidade difíceis de ajustar, sobretudo nos casos em que a mulher perde o seu carácter igualitário, nos dias que correm. Frequentemente as implicações religiosas surgem-nos como um dispositivo moral, com o intuito de nos reger as vidas. Contudo, o poder de sedução, que não escolhe idades, nem culturas, em geral sobrepõe-se, e duvido que alguém ponha de lado uma visão idílica, por causa da fé do outro, ainda que um pouco de incerteza não deixe nunca de nos acompanhar. Claro que o assunto promove a reflexão, e gera opiniões mais ou menos consensuais, mas, acima de tudo deverá ser um indício de liberdade, que tem a ver com a nossa própria intimidade, e com a tolerância e a compreensão do outro.