Monday, August 16, 2010

À beira mar

Mesmo que não conheças nem o mês
nem o lugar caminha
para o mar pelo Verão

Ruy Belo

Sunday, August 15, 2010

Combinação de sabores

Enquanto almoço ou janto, na brisa tórrida do Verão, rectifico o tempero das refeições, com o toque delicado de ervas frescas, que uma a uma, vou colhendo dos meus vasos. Em tapas, baguetes, sanduíches, saladas ou pastas, salpico manjericão a gosto, utilizo folhas de poejo ou hortelã, pico coentros e cebolinho, ou simplesmente guarneço com salsa.
O seu teor calórico é baixo ou nulo, e com os ingredientes ali mesmo à mão, tiro partido da sua frescura saudável e acrescento um leve sabor, apenas com um mero raminho de tomilho fresco, que se revela a ligação ideal. Acompanhado de um vinho de qualidade refrescante, saboreio o entardecer, adicionando paladar, e um irresistível aroma às minhas criações culinárias!

Saturday, August 14, 2010

sambando

Friday, August 13, 2010

Ilusão

Lançamos o barco.
Sonhamos a viagem;
quem viaja é sempre o mar
.

Mia Couto

Thursday, August 12, 2010

Sobre o fundo azul

Apresenta-se brilhante, e carregado de expectativas. O silêncio é grave, e em noite de vigília, torno-me testemunha de um processo que, emergindo da noite poderá ser tão luminoso quanto fugaz. De olhos abertos, abro caminhos a olhar o céu povoado de estrelas, e o que poderá estar para além delas. Tento adiar o momento, encenando lances saídos da imaginação, que rodopiam com nitidez, sob a ameaça iminente da luz com a erupção do dia a qualquer instante.

Temos de possuir um caos no íntimo para dar à luz uma estrela dançarina.

Nietzsche

Friday, August 6, 2010

O mar

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Monday, August 2, 2010

À espera

Tudo começa quando oiço chamar pelo meu nome. Do lado de lá do muro, mãos estendidas fazem-me chegar um cesto de figos frescos, sedutoramente carnudos e sumarentos sobre folhas recortadas. «Acabados de colher», dizem-me. Agradeço, e penso que se ao menos ela já cá estivesse, teria com quem os repartir, ao mesmo tempo que, transportada pelo sonho a sua presença quase ganha visibilidade num encontro tão enigmático quanto fugaz. Mas, ainda falta um mês e meio para que ela chegue, quando um a um, vagarosamente me delicio com toda a sua doçura.

Saturday, July 31, 2010

Aniversariante


O Hotel Paraíso foi o espaço ideal para no passado dia 29, se assinalar mais um aniversário da Teresinha Barros, contando com a presença de amigos e familiares. Visivelmente feliz, a anfitriã contribuiu em grande parte para o colorido da festa, onde não faltou um pé de dança, e até alguns momentos mais emotivos ao sabor de um óptimo jantar.

Saturday, July 24, 2010

Em direcção ao mar

Passava eu naquela rua havia muito tempo.
Logo a seguir à colchoaria
vi uma sereia sentada no cabo da ilha.
A cauda de peixe brilhante deslizava em direcção
ao mar e
o corpo levemente inclinado apoiava-se no cotovelo.
Sorria, as pálpebras verdes/azuis, as unhas
escarlates gritavam
Era uma sereia real e luminosa.
.
Maria Alexandra Dáskalos

Tuesday, July 20, 2010

A olhar para trás

Acolhedoras e aconchegantes, abarcam toda uma vida. Tendem a elevar-se de baixo para cima, em lugares próprios, tornando-se no único refúgio nos domínios da memória. No meio das cidades, suburbanas, ou absortas na paisagem em estados de silêncio que não nos conduzem a coisa alguma. Por vezes, deixo-me captar pela simplicidade do seu traçado e, enredada no tempo evoco momentos de maior afeição. Sensível à sua beleza. Intacta. Intensamente real. E, tão carregada de memórias.

Thursday, July 15, 2010

A magia do entardecer

Há as que optam pela sombra, ou as que preferem a radiação solar intensa. É em vasos que as cultivo, ao lado umas das outras, no terraço em frente à relva densa. Descalça, pelo jardim, é no final dos dias quentes e ensolarados, que lhes retiro as folhas secas, e as rego utilizando um regador, não faltando cores, formas, perfumes, e as texturas mais suaves ao tacto, para me amenizarem os dias e garantirem flores o ano inteiro!

Tuesday, July 13, 2010

O Verão

Vê como o verão
subitamente
se faz água no teu peito,
e a noite se faz barco,
e minha mão marinheiro
.

Eugénio de Andrade

Wednesday, July 7, 2010

Céu nocturno

Despeço-me do sol, e à medida que a noite avança, quanto azul e quanto céu! Entre a abstracção e o espaço, o que sobra do dia não passa de restos de uma visão. À escala real, o mundo expande-se no horizonte a um pequeno passo de ruir. O que não vejo, por estar encoberto, sucede à narrativa dos dias, quando o tempo persiste em trazer-me a alvorada duma nova claridade.

Tuesday, June 29, 2010

O percurso das aves

Moram num ninho à minha porta. O bater de asas, soa-me a uma música delicada, ponderada por pausas quase imperceptíveis. O canto é límpido, aberto e radioso. À luz do sol se autonomizam, em perseguição de outro lugar de temperaturas abrasivas. Os rituais mecanizados e a autenticidade dos gestos, ampliam-lhes a beleza, na rota inevitável em cumprimento de um destino. Anos após anos, apenas me visitam no meu mundo tão devastador quanto incompleto, quando os ventos lhes são mais favoráveis. E, no meu exercício de olhar, vejo-as ganhar uma veloz altitude, atravessando os céus para o misterioso silêncio. No espaço vazio, não passam de meros vislumbres isolados, semi-apagados numa sequência de sombras.

Saturday, June 26, 2010

Os diálogos

Integrado no programa de encerramento do 5º Ciclo de Leituras, a Cláudia e a Patrícia do Bica Teatro, permitiram uma leitura cómoda e eficaz de fragmentos de textos de várias obras de Lídia Jorge, com dramaturgia e encenação de Neto Portela. A construção das personagens tal como as imaginaram, e a expressividade e narrativa corporal intensas, serviram o propósito de traduzir sentimentos tão fortes quanto os da partida e da chegada, ou a intimidade dos seres naquilo que de mais silencioso possuem através do domínio do gesto, ou de pássaros de papel distribuídos pelo público no final.
Interpelada pela a assistência na segunda parte, a escritora fala-nos primeiramente do convívio com José Saramago, falecido recentemente, e da sua notoriedade, à qual acrescento a coragem de contrariar. Depois, revela-nos que ao contrário da maioria dos autores, não é disciplinada nem arrumada, e que até gere mal a sua vida, limitando-se a escrever no tempo que sobeja sob a inspiração dum quotidiano vasto. Sem cadeiras vazias, e sem vácuo, a reacção de todos só poderia ser surpreendente e calorosa. Parabéns à coordenadora deste projecto, Paula Miguel, que na hora de criar soube ganhar mais uma aposta.

Friday, June 25, 2010

A cal e a terra



Os edifícios do mundo, o insustentável desenvolvimento e o labor intenso, levam-me para longe numa circunstância de pausa. A cada passo, olho com prazer e pressinto a natureza quase sem dar por ela. Ao revisitar a largueza do monte e o plantio, ganho novos sentidos, recuperando memórias de infância que me servem de companhia. Na procura de contrastes e equilíbrios, retenho o melhor para lá do visível. E, é no silêncio intacto que me cruzo num imaginário tão-só emotivo como inatingível. Antes do sol se despedir do dia, é preciso desimpedir o caminho e, escutar os sons entre a viscosidade dos pinheiros recortados pelos reflexos de luz. Periclitante, desenho contornos em momentos de transitoriedade, até à serenidade total.

Wednesday, June 23, 2010

Alegria lilás

Registei-as há dias, em Évora, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar. Cruzei-me com elas à beira da estrada, alinhadas nas ruas, acumuladas em tudo o que é sitio desde que chegou a primavera, como se tomassem conta de mim. Delas me abeiro e, ao contemplá-las, deixo-me preencher por pinceladas de cor. Suspensas por cima de mim, ganho a ampla visão do céu a perder de vista sem princípio nem fim. Impossível tocar-lhe. Acariciada pela sombra, pisando um manto de flores, apenas saúdo o violeta-claro dos jacarandás em diálogo com a transcendência.

Wednesday, June 16, 2010

Tuesday, June 15, 2010

As flores e as rimas




Enquanto o deixo em infusão por alguns minutos, abraço a paisagem do lado de lá da vidraça. Emergindo do verde, a cultura alinhada do chá dá expressão ao declive numa sinfonia de cores. Bela-luisa, poejo, tília, camomila, príncipe, todos lá estão.
As nuvens cobrem o sol, mas o ar é lavado, e a lindíssima vista é para longe que me leva. Contudo, é na partilha da amizade que me reencontro, ao mesmo tempo que a subtileza das palavras me distancia do mundo real. Prevalece tão-somente o momento dos versos populares e dos poemas que falam, e retêm o amor absoluto e sem fim. Eis que o adoço com mel, vagarosamente saboreando o agradável trago e o suave aroma, que quente e reconfortante me anima por dentro e me restaura os níveis de energia. Enfeitada de flores, dos jardins de cada convidada, a mesa ganha nova tonalidade até que chegam os scones e compota, e para as mais gulosas o bolo de chocolate e os doces tradicionais! De colo em colo chora o Pedrinho, cuja mãe irradia para além de si. Em contraluz, filtrado pelos vidros do terraço, um raio de sol reflecte o horizonte já quase impossível de identificar.

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

Sophia de Mello Breyner Andresen

Tuesday, June 8, 2010

Ciclos do Ser

Resultante dos nossos actos, o karma segundo as filosofias orientais, é algo de dinâmico que em permanente acção, nos permite resgatar o passado e evoluir. Incontáveis são as nossas existências, até alcançarmos um estado de iluminação de perfeição, sem que precisemos mais reincarnar.