Saturday, December 18, 2010

Uma questão de atitude

Na vida do dia a dia, ou reunimos esforços para romper com a realidade, olhando os problemas sob uma perspectiva diferente, reagindo às dificuldades circunstanciais, ou ao continuarmos presos ao que dantes funcionava, dificilmente transporemos os obstáculos. Às vezes, mesmo as oportunidades mais óbvias são ignoradas, quando não estamos devidamente motivados. Mudar o modo de pensar e agir, requer uma certa persistência, e optando por novos caminhos desenhamos o nosso próprio futuro num mundo muito diferente do que aquele que hoje é.

Thursday, December 16, 2010

Espaço urbano

O gesto é criativo, o design inovador, as superfícies envidraçadas, e associadas ao aço elevam-se aos céus, tal como as gaivotas na luminosidade de Lisboa. A ligação com o meio envolvente, uma vez mais, deixa-me em absoluta sintonia.

Tuesday, December 14, 2010

Trajecto melancólico

Espreito por entre os troncos das árvores. Olho de perto e vejo ao longe, em direcção a uma perspectiva mais alargada, onde os pássaros voam com imaginação e liberdade ampliando-me o universo. Tomada pelo espanto, recrio novas fantasias que, se insinuam na ausência da temporalidade. Atrás de mim está o vazio.

Monday, December 13, 2010

Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

Saturday, December 11, 2010

Pelos campos fora

Retomo o caminho percorrendo trilhos em contínua descoberta. Os muros de pedra guardam o registo dum tempo que já não existe, e a memória do que terá acontecido um dia. Pequenas bagas de graciosa beleza ganham cor e forma em arbustos, ou entrelaçadas nas árvores, e no meio da vegetação nascem cogumelos, uma infinidade de pequenas flores, e trevos que se agitam com o cair da chuva miudinha. Nestes momentos de envolvimento com a paisagem que, nunca mais acaba, há sempre algo inovador e profundamente refrescante.

Friday, December 10, 2010

O resto dos dias


É claro que as cores fazem parte do meu universo de referências. Nesta altura do ano, principalmente, tornam-se bastante emotivas. Expostos ao sol directo, os pequenos arbustos são uma exuberância no meio da vegetação, crescendo selvagens em redor de ervas verdejantes sobre um solo demasiado pedregoso. Há, em tudo isto, uma atracção por este território mítico que, transforma estes passeios de final da tarde num verdadeiro sonho!

Wednesday, December 8, 2010

Para ti

Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado

Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes

A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta

o amor é uma noite a que se chega só

José Tolentino Mendonça - A noite abre meus olhos - Assírio & Alvim

Tuesday, December 7, 2010

Na face da Terra

Com um pouco de esforço a caminhada já vai em mais de uma hora. Sacudidas durante a intempérie da madrugada, as árvores esparsamente distribuídas ao longo dos campos são baixas, e uma a uma, foram perdendo as folhas. Com troncos sinuosos e casca espessa apresentam os galhos todos distorcidos. Em solos drenáveis e pouco férteis, abracei-as, e senti-lhes a frescura.

Monday, December 6, 2010

Ventos fortes

Durante a ventania os seus topos mostram-se instáveis e vulneráveis. Mas, sólidas e enraizadas as árvores não cedem à tempestade. Enquanto no ar voam pássaros embrenhados em movimentos de espectacularidade dando um sentido mais profundo a cada gesto, muito há para observar neste infindável desdobrar de espaços. E, ainda há quem lamente um dia cinzento.

Saturday, December 4, 2010

Contacto com a natureza

O Outono desafia-nos a passeios verdadeiramente imperdíveis. Muros de pedra prolongam-se ao longo de caminhos alagados pela chuva que, não nos tem impedido de explorar as redondezas, longe da densidade urbana. A terra húmida, os arbustos isolados, e o aroma a tomilho selvagem difundido no ar, fazem parte do espaço encantado alargado que, visitamos a cada final da tarde. No desenrolar dos passos, uma infinidade de perspectivas sobrepõe-se ao olhar, com um enorme desejo de o continuar a desvendar nos dias que se seguem.

Tuesday, November 30, 2010

A lua toda

Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.


Ricardo Reis

Monday, November 29, 2010

Proximidade real

Uma vez mais o pôr-do-sol domina-me as atenções. Observo-o de longe em plena e decrescente transformação. A sequência de imagens projectadas do sol promove a contemplação, ao mesmo tempo que, vai ganhando tons cada vez mais alaranjados, anunciando-me o final do dia.

Saturday, November 27, 2010

Um olhar

Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou


José Tolentino de Mendonça

Thursday, November 25, 2010

Ao sabor da noite

Enquanto o momento não chega, criamos um primeiro esboço nos vastos horizontes do pensamento. Tudo se concentra na paisagem de colinas pouco elevadas, onde a linguagem é secreta, e de grande beleza natural. Clara e visível, a lua parece querer vibrar com a luz do sol. A aceleração do tempo valoriza a sua plenitude e esplendor, na hora mais silenciosa da noite. Guardo a distância para ininterruptamente a olhar, atenta aos sinais do universo com todo o vagar que ele merece.