Ó meu rico Santo António
És um santo popular
Na tua festa não falta
Sardinha para assar.
Santo António, Santo António
Que bonito que tu és
Vou-te comprar um manjerico
E vou pô-lo a teus pés.
Há festa em Portugal
São os santos populares
Da sardinha ao manjerico
Os cheiros andam pelos ares.
Em Junho todos bailam
Assim é a tradição
As ruas estão enfeitadas
Lá de cima até ao chão
De manjerico na mão
Uma quadra a namorar
E com arquinho e balão
Vamos todos a bailar.
Ó meu rico Santo António
Tu estás muito calado
Quando estás à minha beira
Fico todo envergonhado.
A treze temos Santo António
A vinte e quatro São João
A vinte e nove São Pedro
E recebemo-los com uma grande emoção.
quadras populares
Friday, June 13, 2014
Thursday, June 12, 2014
Sem conto
Fiquei louco, fiquei tonto,
Meus beijos foram sem conto,
Apertei-a contra mim,
Enlacei-a nos meus braços,
Embriaguei-me de abraços,
Fiquei louco e foi assim.
Fernando Pessoa in Cartas para Ophélia
Wednesday, June 11, 2014
A nova Primavera
No
teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera
Ruy Belo in Aquele Grande Rio Eufrates
Tuesday, June 10, 2014
Quando as saias rodam
Ao som do
acordeão e do telintar de ferrinhos o ritmo é ligeiro e apressado. Sete passos para a frente, seguidos de três para a direita e mais três para a esquerda, até
ir de roda num impulso. Assim se perde o fôlego, no Algarve, e se mantém a
tradição.
Monday, June 9, 2014
Revelação
Sempre que penso em ti estás a dançar
levemente num clima de canela despenteada, ó aroma vagaroso, desordem aérea,
mas a memória tem pressa, o sangue tem pressa interna, e antes de pensar tremo,
e depois tremo, pelo meio desenvolve-se o pavor de uma beleza maiúscula, o
coração corre entre iluminuras rápidas, é uma criança sucessiva nas pautas da
musica, assim escrevo uma nação simultânea, desapareces na respiração do teu
vestido, entretanto a revelação anuncia-se pelo medo, curvas-te como as aldeias
devoradas pela lua, mais tarde sempre que penso em ti estás com um lenço
escrito nas duas mãos, e a tua velocidade abranda junto aos espelhos,
expandes-te assim lentamente gravada, és uma floresta de silêncios visíveis,
sempre que penso penso sempre ao contrário do fim, estás cada vez mais no
princípio de ti mesma, então vejo que nesse lugar é o meu começo eterno, quando
danças é um corpo rodeando a brancura rodeada ou de novo qualquer coisa
criminal entre o cuidado e o espaço, nas linhas puras da solidão arde a cabeça,
arde o vento, atrás de ti as imagens assassinas da noite - estrelas: subversão
da noite, sempre que penso em ti danço até à ressurreição do tempo.
Herberto Helder in Vocação Animal - Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1971
Sunday, June 8, 2014
Saturday, June 7, 2014
Como vencer o stress
As tensões não são causadas pelas pessoas, eventos, pressões ou ambientes, mas pela forma como respondemos a tudo isso. Para uma vida livre de tensão precisamos entender que não podemos controlar os outros. A única coisa que podemos controlar são os nossos pensamentos, as emoções e o comportamento. Isso irá ajudar-nos a aceitar as pessoas e as situações como elas são e assim iremos parar de resistir ou controlá-las. Esse entendimento fará com que nossa atenção vá para onde a mudança realmente precisa acontecer – dentro de nós. Quando prestamos atenção no nosso crescimento pessoal e nos alimentamos com pensamentos positivos, sabedoria espiritual e meditação tornamo-nos fortes o suficiente para enfrentar situações adversas com calma e sentimentos positivos.
Purity Bureau, Tension free life, Purity, New Delhi, January 2012
Friday, June 6, 2014
Em tempo real
Observando com mais nitidez que nunca, pensava ir
descobrir, no lado errado, uma nova esperança expressiva. Cansada da realidade,
entrega-se à ilusão à procura de espantar as angústias que tanto a atormentavam.
Porém, o espaço imediato nunca é o que julgávamos ser, em contraste com a
intensidade do imaginário em todo o seu ambivalente esplendor. Provavelmente, não
era só o que não esperava, também não era aquilo que lhe agradava.
Thursday, June 5, 2014
A mise en scène
Na verdade, um simples encontro para um chá pode
ser visto como uma atitude social ou subentendido como uma reunião irrelevante
ao mesmo tempo que tão cheia de significados. Entre um gole e outro, há ainda,
um desfiar de segredos e queixumes, algumas confissões e breves relatos de
pequenas histórias do dia-a-dia, nem todas com um final feliz. À partida, não
só, uma a uma se vão esvaziando as chávenas, mas se vão revelando fraquezas e
incertezas, e frequentemente a disseminação de uma certa culpa.
Wednesday, June 4, 2014
Como se fosses outra
Há uma música mas não a ouço. Debruço-me sobre o som do mar.
Depois sobre o teu sono, como se fosses outra.
Casimiro de Brito
Tuesday, June 3, 2014
Monday, June 2, 2014
Memórias
De que são feitos os dias?
De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças
Cecília Meireles
Sunday, June 1, 2014
Saturday, May 31, 2014
Sem deixar rasto
A cada
Primavera, cantam, intensamente, as árias mais doces. A serenidade que
projectam, rumo ao desconhecido, reveste-se de espectacularidade ao atravessar um
tempo ainda por resgatar.
Friday, May 30, 2014
Suporte visual
Não
sabemos com exactidão quanto duram. Talvez, não mais que uns dias, e depois
disso o que porventura fica? Dir-se-á, a exaltação da cor, ou o que nos deteve
o olhar, desencadeando uma forma de harmonia que, eventualmente acaba por se diluir.
Thursday, May 29, 2014
Do quotidiano
A imensidão do oceano permitia-lhe fugir aos
lugares-comuns. Em especial, quando flutuava, por um período de tempo mais ou
menos prolongado, criando espaço para reflexões, achando solução para as
situações mais ingratas. No fim de contas, era uma longa viagem através da
expansão de horizontes que, lhe permitia usufruir de uma outra perspectiva.
Wednesday, May 28, 2014
Apenas figurantes
Às 10 e meia,
dividia os dias com o resto da gente sem rumo ou identidade. O sol da Primavera
aquecia-lhe a nuca num universo de personagens caóticas que, apareciam e
desapareciam. Tudo estava lá. O sofrimento social, a dificuldade de
financiamento, a tragédia económica e a política suicida. A dado
passo afastavam-se horrorizados.
As vozes irrompiam.
Descontínuas e desordenadas, oscilando entre o grau de incerteza e a quebra de
solidariedade, sobrepondo-se aos pecados que lhes foram atribuídos e que era
compulsivo expiar. Mal sonhavam eles que as consequências futuras viriam a ser
ainda mais graves.
Tuesday, May 27, 2014
A pobreza
A pobreza surge
dentro de nós embora cautelosos deitados de manhã e
de tarde ou simplesmente de noite despertos. Ambos meu amigo
estamos
sentados neste momento perfeitamente incautos já.
Contemplamos um país
e sentamo-nos e vestimo-nos e comemos e admiramos os
monumentos e
morremos.
Luiza Neto Jorge in Difícil Poema de Amor – Poesia - Assírio
& Alvim - 2ª edição - 2001
Monday, May 26, 2014
Visita guiada
Da margem do Arade avisto a serra
de Monchique, a marina de Portimão e o encontro entre o rio e o mar em
permanente convívio com a vila e a população de turistas e pescadores, onde
também descubro becos e ruas estreitas, deixando-me encantar por cada um destes lugares.
Sunday, May 25, 2014
Outro rumo
Porque a minha
mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
Mia Couto in Confidência
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