Sunday, January 17, 2016
Friday, January 15, 2016
Thursday, January 14, 2016
Wednesday, January 13, 2016
Todos os dias
Tudo parece
surgir do abstracto, começando pela magia duma máquina fotográfica que, capta muitas das imagens. Sem propósitos definidos e sem obrigatoriedade para
cumprir, mais adiante revisita memórias num regresso ao que fomos e para além
da criatividade ou da ficção, vai, num momento ou outro, galgando fronteiras. E
já lá vão 8 anos.
Tuesday, January 12, 2016
Monday, January 11, 2016
O irrepetível
Chegou-nos de um outro
lugar e de um outro tempo tornando-se numa referência e inspiração para toda
uma geração. Através de uma imagem ousada e inimitável sempre se soube reinventar. David Bowie foi um criativo até final e a sua música continuará connosco eternamente.
Sunday, January 10, 2016
Saturday, January 9, 2016
O lado de Nietzsche
O lado mais claramente compreensível da linguagem não é a palavra em si, mas a sonoridade, a intensidade, a modulação, o ritmo com que as palavras encadeadas são pronunciadas - em resumo, a música por detrás das palavras, a paixão por detrás desta música, a pessoa por detrás dessa paixão: tudo aquilo, portanto, que não pode ser escrito. Por isso, a escrita nunca nos levará muito longe.
Nietzsche
Thursday, January 7, 2016
Wednesday, January 6, 2016
Tuesday, January 5, 2016
Um canteiro de flores vivas
Se eu fosse para a terra do
nunca,
teria tudo o que quisesse numa cama de nada:
os sonhos que ninguém teve quando
o sol se punha de manhã;
a rapariga que cantava num canteiro
de flores vivas;
a água que sabia a vinho na boca
de todos os bêbedos.
Iria de bicicleta sem ter de pedalar,
numa estrada de nuvens.
E quando chegasse ao céu pisaria
as estrelas caídas num chão de nebulosas.
A terra do nunca é onde nunca
chegaria se eu fosse para a terra do nunca.
E é por isso que a apanho do chão,
e a meto em sacos de terra do nunca.
Um dia, quando alguém me pedir a terra do nunca,
despejarei todos os sacos à sua porta.
E a rapariga que cantava sairá da terra
com um canteiro de flores vivas.
E os bêbedos encherão os copos
com a água que sabia a vinho.
Na terra do nunca, com o sol a pôr-se
quando nasce o dia.
Nuno Júdice
Monday, January 4, 2016
Um ensaio
Sem desviar um passo, e em pleno
rodopio, frenética dá voltas, umas a seguir às outras, e perde-se no ano que
partiu. Um novo impulso sem destino transporta-a, desalmada, para a intraduzibilidade
de uma renovação.
Sunday, January 3, 2016
Quem se assenta à nossa mesa?
A palavra erguia-se como um candelabro,
a voz ardia como um inesperado campo de giestas.
E nós sustínhamos em nossos dois ombros o fulgor
e a tristeza divina. Quando os arbustos
eram bichos iluminando as regiões do céu e ao rés
da terra as pedras cantavam e os mitos davam
a forma das coisas.
Quando colhíamos o espanto nas mãos dolorosas
e em frente ao povo íamos cantando
a fábula e o próprio rosto do milagre.
Quem se assenta à nossa mesa? — dizíamos. — Quem
sobre a mesa coloca um beijo sem peso e sem mácula?
Nada existe que não seja inocente, e o hálito
perpassa à flor dos lábios,
a força da memória deu a alma ao vinho e o imponderável
ao primeiro sorriso. Toda a casa
acaba a noite, cria a auréola
em torno do objecto, enche cada instante
de um poder obscuro.
A delicada taça partia-se nas mãos — sangue:
um sinal, um símbolo. E cantar
era conceber uma estrela, um testemunho da mais alta
loucura. Cantar era uma razão
de morte e de alegria.
Desfaziam-se as pálpebras na jovem carne, na esfera
da luz, ou na ressonância e volúpia
do tempo. E a mão procurava o punhal,
a boca beijava a laje nua. Do braço divino
sumia-se o fogo e o archote corria sobre as águas
ou no coração da sementeira.
E era então o fogo aquilo a que o beijo,
em sua graça, firmemente aspirava.
Nenhuma vida tanto se gastou
que não seja visitada, nenhum deus
é tão grande que se não perca na substância
da sombra. — Uma flor e um grito,
um copo e um breve minuto, ou a aurora
cortando o peito, ou o primeiro respirar
de um pensamento.
Cantar onde a mão nos tocou,
o ombro se acendeu, onde se abriu o desejo.
Cantar na mesa, na árvore
sorvida pelo êxtase.
Cantar sobre o corpo da morte, pedra
a pedra, chama a chama — erguido,
amado,
aprendido.
Herberto Helder in poesia toda - assírio & alvim 1996
Saturday, January 2, 2016
Friday, January 1, 2016
Wednesday, December 30, 2015
Tuesday, December 29, 2015
Coisas leves
Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.
Como prender-te
em teia tão frágil?
Luísa Dacosta in A Maresia e o Sargaço dos Dias (1927-2015)
Monday, December 28, 2015
Não digas nada
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Fernando Pessoa
Sunday, December 27, 2015
O bom futuro
Quase toda a gente gosta de saber o seu futuro e
paga para isso a astrólogos ou às bruxas. Mas só na ideia de que esse futuro
seja bom. E é o que eles lhes dizem para não fecharem a porta. Mas o negócio
continuaria, ainda que te dissessem que morrerias no dia seguinte. Porque a
morte é a única certeza em que não se acredita. Se fores condenado à forca e
tiveres já a corda ao pescoço, o minuto que faltava seria ainda de vida, ou
seja de eternidade.
Vergílio Ferreira in escrever - Bertrand editora 2001
Saturday, December 26, 2015
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