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Wednesday, October 22, 2014

Gestos

 
Que saia a última estrela
 da avareza da noite
 e a esperança venha arder
 venha arder em nosso peito
E saiam também os rios
 da paciência da terra
 É no mar que a aventura
 tem as margens que merece
  E saiam todos os sóis
 que apodreceram no céu
 dos que não quiseram ver
 mas que saiam de joelhos
 E das mãos que saiam gestos
 de pura transformação
 Entre o real e o sonho
 seremos nós a vertigem


 Alexandre O'Neill, in Poesias Completas

Tuesday, August 6, 2013

A flor de acaso


 Flor de acaso ou ave deslumbrante,
 Palavra tremendo nas redes da poesia,
 O teu nome, como o destino, chega,
 O teu nome, meu amor, o teu nome nascendo
 De todas as cores do dia!


 Alexandre O'Neill in No Reino da Dinamarca, Obra Poética (1951-1965), 2.ª edição

Thursday, September 27, 2012

O barco escondido


A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos

Alexandre O'Neill