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Monday, August 31, 2015

Corpo deitado

Silêncio: a palavra
 respira. Corpo deitado
 no mar. Silêncio de fogo
 e música.

 Silêncio: a palavra sangra
 seu cântico de pó. Peixe
 de sombra
 mordendo as estrelas.

 A palavra só. A palavra
 refresca. Osso abandonado
 na praia deserta.

 A palavra de água
 onde nego a morte. Pausa
 do sol.


Casimiro de Brito


Wednesday, January 23, 2013

A arte lenta


O desejo é um desastre que se vai
acumulando silencioso à sombra
de oliveiras interiores. Arte lenta,
essa que vem de longe: o ofício das ondas,
a sedução do corpo pelas rotinas do dia,
e tudo canta.
O corpo vazio, em Delfos, foi abrigo
das estrelas; um lugar invisível onde,
sendo cego, me deixei banhar em águas
primeiras. Para tudo ver. E vi o tormento,
mais amplo do que o desejo: e desejei morrer,
e morri, nas tuas sedas mais íntimas.

Casimiro de Brito