Saturday, March 14, 2009

Ausência

Sem acentos e cedilhas é pouco provável vir a postar num futuro mais próximo. Pois é, o Capricho e eu partimos para férias, e temporariamente estaremos ocultos do olhar dos outros, mas prometemos voltar em breve, com novas temáticas sobre a observação do que nos causa impacto, pelo mundo em que nos movemos. Na bagagem levo «A instrução dos Amantes» de Inês Pedrosa, que acabou de me ser oferecido ontem à noite, na abertura de mais um ciclo de leituras da Biblioteca Municipal. Como se cada momento trouxesse a necessidade de leitura, paralela à própria vida.
Até logo!

Thursday, March 12, 2009

A pirueta

E porque a manhã era de poesia, voltei à biblioteca Dr. Francisco Cabrita. Entre crianças, jovens e alguns professores deixei-me arrastar pela magia de Afonso Dias, que reconheci de outros paragens. De poeta em poeta fomos conduzidos numa fantástica viagem até ao infinito, que tal como José Fanha terá demonstrado no «Romance ingénuo de duas linhas paralelas» pode ser aqui, ou ali, onde bem quisermos. Duas linhas paralelas/muito paralelamente/iam passando entre estrelas/fazendo o que estava escrito:/caminhando eternamente de infinito a infinito.
Segundo este declamador a poesia até nem engorda, e pelo contrário faz bem à pele! Talvez porque nos dá a oportunidade de nos posicionarmos no ponto mais alto, e assim passarmos a ver mais e melhor, o que certamente nos deveria tornar mais felizes. A toada alcança a doçura do sotaque, ao apanharmos o «trem de ferro» de Manuel Bandeira quando ouvimos qualquer coisa como, menina bonita/do vestido verde/me dá tua boca/pra matar minha sede/oô... oô… Descobrimos ainda que numa fusão felicíssima a poesia pode ter perfume, e música também. É por isso que para terminar Cecília Meireles nos fez rodopiar com a sua bailarina. A tal que não conhece nem dó nem ré/mas sabe ficar na ponta do pé. /Não conhece nem mi nem fá/ mas inclina o corpo para cá e para lá.
E entre o virtuosismo dos passos roda, roda, roda com os bracinhos no ar/ e não fica tonta nem sai do lugar. Definitivamente, numa visão idílica, a poesia procurou sensibilizar inundando-nos o dia.

Wednesday, March 11, 2009

Acolhendo a escrita

Contribuindo para a vontade de continuar a dinamizar, a Biblioteca Dr. Francisco Cabrita promoveu esta manhã mais um encontro literário de alunos e professores, onde a várias vozes de todas as cores se estimulou a criatividade e a imaginação. São estes momentos expressivos, que, por instantes nos afastam do mundo e nos anulam o presente proporcionando-nos o enorme prazer da leitura. E, porque a poesia prossegue na escola, amanhã irei voltar para partilhar mais uma iniciativa em curso, na forma de um recital onde de novo irei perder-me na dimensão das palavras.

Sunday, March 8, 2009

Entre amigos


Um dia soalheiro proporcionou um animado encontro para celebrar os anos da Lurdes. Uma vez mais a data foi assinalada com um almoço fantástico com cerca de três dezenas de convidados entre familiares e amigos, reservando a tarde algumas surpresas, entre fados improvisados e um recital de poesia, que teve como tema central a mulher, ligado ao seu dia internacional.

Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.

Herberto Hélder - Lugar

Saturday, March 7, 2009

Renascer da esperança

O sol voltou hoje em toda a força antecedendo a primavera que espreita. Desencadeada pelas circunstâncias, dediquei parte do dia àquelas tarefas absorventes, que, tal como todas as funções domésticas, fazem parte dum projecto sempre inacabado! Contrariando o tempo, que irreparavelmente nos foge, arrumo as ideias e a casa, já em contagem decrescente, e é com alegria que experimento este súbito aumento de calor, e me vejo rodeada de tantas, e tão coloridas e perfumadas flores. Após uma sucessão de dias frios, e escuros, a vida parece finalmente renascer com todo o seu fulgor.

Thursday, March 5, 2009

Acedendo ao céu

A incapacidade de resolver os nossos problemas, poderá levar-nos à procura do espaço como última fronteira. Dar forma no imaginário a um futuro mais risonho, sem injustiças e corrupção poderá passar, quem sabe, por uma verdadeira aventura cósmica! Entre o entusiasmo e a descoberta, concebamos uma experiência dispersa a caminho das estrelas, e tão longe quanto possamos imaginar. Como se a vida se espalhasse pela vastidão do universo sulcando o espaço, levando-nos pouco a pouco a adquirir uma nova visão. E assim, respondendo às expectativas, vamos avançando á deriva, reflectindo a realidade na incerteza do destino. O que se esconderá por detrás da atmosfera? Talvez um novo dinamismo, ou a capacidade de uma outra organização, indefinidamente mais apaixonante, que nos projecte uma intervenção menos hostil, rumo aos confins da matéria, ou à face escondida da lua.

Tuesday, March 3, 2009

Tensões e ideais

A minha amiga Graça que se encontra a trabalhar na Guiné-Bissau, chegou a desafiar-me para a lá ir visitar. Ao longo dos últimos anos as diferentes etnias, e as constantes mudanças de líderes terão estado na origem da insegurança interna que lá se vive. Rodeada de países com problemas, também eles têm contribuído para a falta de estabilidade. Além disso, a passagem da droga da América latina com o destino da Europa dificulta o cenário ainda mais. No entanto, paradoxalmente, a morte destes dois homens dos quais um deles até era presidente, pode ser um passo em frente para a paz, passando a oferecer condições mais favoráveis no sentido de se obter um equilíbrio governativo. Oxalá!

Monday, March 2, 2009

Traço de união

Há um carácter de urgência duma experiência diferente, de onde ressaltem outras imagens, lugares recônditos e outras gentes, que de preferência possa captar. A observação do mundo, o que me não escapa à percepção, a espectacularidade, o desconhecido, tudo que me retenha a atenção. Há um ano, quando da minha última visita a certeza era outra, e suscitava ansiedade de quem iria ganhar as eleições. Agora, com o desemprego, a quebra de consumo, e o acentuar das desigualdades o mais provável é ir de encontro a um sentimento de insatisfação social, a exigir renovação de políticas, e uma sociedade mais dinâmica por parte do novo homem providencial!
As viagens levam-nos a percorrer diferentes caminhos à medida que a vida avança, marcando rostos, e guardando memórias de momentos, sempre em constante desafio. Mas, nesta em particular é ela que sai da aventura, e se confunde com as expectativas ultrapassando a esperança. São estes episódios esporádicos que acrescentam, e nos tornam indissociavelmente ligadas.

O que é transforma-se no que foi, com a melancolia que arrasta o sentimento da passagem, como se o rio pudesse parar para sempre no instante em que a felicidade parece suspender o seu curso.
Nuno Júdice

Saturday, February 28, 2009

Perspectivando o futuro

Há dias surpreendi-me com um catálogo, que por mero acaso me terá chegado às mãos. À primeira vista, as imagens apresentadas sugeriram-me que apesar de tudo já ter começado, nunca mais irá terminar. Ali, maquettes e projectos ganham corpos próprios, abertos sobre o infinito da paisagem, dilatando-se no tempo e no espaço. Ultrapassando a crise, e a inactividade de alguns, a originalidade, e o carácter inovador anunciam-nos verdadeiras obras, de escala ousada e cuja volumetria nos transcende. A modernidade conjugada com um estilo vanguardista animar-nos-á a retoma, através dum Museu do Turismo de única e arrojada forma, dum grande Auditório a lembrar movimentos ondulatórios, e ainda dum Pólo de Tecnologias, a integrar num Parque! A aposta porém não fica por aqui, e a páginas tantas fico a saber que até o arquitecto portuense Siza Vieira, que ainda esta semana foi galardoado com o mais importante prémio do Reino Unido, vai também assinar o seu projecto no Museu do Barrocal! Por mais irónico que pareça não ficamos por aqui. As especificidades que irão passar a estruturar-nos estão lá todas, folha a folha, entre o desejo e o imaginário dum lado, e do outro o betão que nem a crise conseguiu desanimar. Aqui, o futuro prevê-se dinâmico, e enquanto aguardo pelo resultado final, incido o olhar na violência visual da grua gigante, que nos domina a cidade, e me faz estremecer.

Thursday, February 26, 2009

What's hot?


We're at Paul Buick's home overlooking Albufeira by night. The food is Mike Johnson's own-recipe curry. The results are sublime! Hopefully we'll meet again in October, when Mike returns to town. Cheers!

Wednesday, February 25, 2009

Atropelos à liberdade


Pessoalmente prefiro a «mulher entre as ondas», mas foi a «origem do mundo» que abalou o meio artístico em França, e, cento e tal anos depois ainda parece causar desconforto em Portugal.
Tratar-se-á de um acto puramente ignorante, ou o nível intelectual das forças de segurança é realmente assim tão baixo? A liberdade como forma de viver estará em risco? Ou este hino à mulher não se deverá afinal considerar a verdadeira celebração da vida? Porque é censurada a obra de Courbet, quando está exposta em Paris num dos melhores museus do mundo? Entre o estético e a pornografia, o que mais choca será talvez não propriamente o ataque ao nu, mas um certo espírito neo-moralista, que alguns sentirão emergir. Cá por mim investiria mais na educação.

Tuesday, February 24, 2009

Ao ritmo do samba

As agradáveis temperaturas convidaram a que se saísse à rua, e entre ruas e avenidas se celebrasse mais um Carnaval. Clubes culturais e colectividades centraram as suas atenções em verdadeiros cortejos de cor, com corsos constituídos por carros alegóricos temáticos para todos os gostos, e onde não faltou a sátira política e social. Bandas, foliões, figurantes, gigantones, e cabeçudos ajudaram a acelerar o compasso em ambiente de festa intenso, colocando as gentes da terra, e visitantes de todo o país a mexer em ebulição!

Saturday, February 21, 2009

Mundo colorido


No seu universo o céu é doirado e violeta, a água é límpida, as espumas esbranquiçadas, e o que bóia é escuro. As casinhas reluzem de caiadas, com os seus terraços imaculadamente brancos, as xaputas são negro-prateado, os frutos translúcidos, e os figos pingos de oiro! Nesta viagem mágica, guiados pela Elsa Ligeiro, percorremos o Algarve de palmo a palmo, pelos areais, sobre pedregulhos azuis, e pela costa fora, com a luz a amparar-nos o caminho. Aliás, para Raul Brandão basta-lhe esta luz para ser feliz!

«Ao longe, e sempre, acompanha-me o mar, que mistura o seu hálito a esta luz suavíssima.»

Raul Brandão

Wednesday, February 18, 2009

O eco das palavras


Contrariando o insucesso escolar, e partilhando desafios, participei esta manhã no clube de leitura da Biblioteca Dr. Francisco Cabrita, que sob a orientação do professor Joaquim Veiga reuniu duas turmas do 5º. Ano das professoras Marta Cirne e Isabel Pina, e uma do 10º ano do Secundário, da professora Fernanda Lamy. Numa visão optimista, e em perfeita sintonia, entre livros e poesia deu-se ritmo às palavras, e lugar ao talento, alcançando-se objectivos de sensibilização para a leitura. Por detrás da crise, professores e alunos das idades mais variadas mobilizaram-se para dar corpo a um projecto, que de uma forma simples e eficaz nos proporcionou momentos absolutamente fantásticos e surpreendentes. Todos estão de parabéns!

Monday, February 16, 2009

Mundos perdidos

Revolutionary Road traz de novo ao ecrã o romântico par de Titanic, retratando um jovem casal dos anos 50 numa viagem que nunca chegarão a realizar. Arriscar uma vida diferente quando se está à beira do fracasso pode ser uma alternativa. Outra é acomodar-nos à situação, continuando resignadamente enclausurados num pequeno mundo claustrofóbico. Sonhar pode ser o escape perante o desgastante dia-a-dia de conflitos conjugais. Gostei tanto que mandei logo vir da Amazon.com o livro de Richard Yates no seu original, em cujo denso conteúdo Sam Mendes se terá inspirado para rodar o filme. Chegou-me hoje no correio, e espera-me agora toda a reconstituição duma época que não perdeu a actualidade. Afinal a derradeira felicidade pode não estar na prosperidade financeira de uma casa confortável, ou no último modelo de um carro qualquer. Existem outros caminhos, livres de mágoas, reescrevendo itinerários que nos concretizem as vontades.

Saturday, February 14, 2009

Força de atracção

Há quem o busque uma vida inteira, e quando o achamos parece que se agita dentro de nós. Surge entre olhares fugidios, numa linguagem de impulso e de desmedida emoção. Então o desejo instala-se, ganha fulgor, e por instantes faz-nos sentir superlativamente vivos, atingindo o inteligível. Definitivamente marca-me o rosto, ao mesmo tempo que me altera o comportamento, tornando-se impossível mantê-lo oculto do olhar dos demais! Um amor é para sempre? Para ser levado até ao fim? Ou depende mais da imaginação? Às vezes promete mais do que dá, e envolve tristeza, renúncias, drama, e ciúmes. Pior mesmo é quando passamos a ver o que não vimos antes, e o engano se desfaz em escombros. Destruidor e violento, é aqui que surgem histórias de perdão, e reconquista, despertando uma nova teia de subtilezas, ambiguidades cúmplices, e momentos íntimos, quando incessantemente procuramos um final feliz, que ao crepúsculo, com tempo e vagar nos faça sentir uma vez mais intrinsecamente ligados!

Thursday, February 12, 2009

O ano de Darwin

Nasceu em Inglaterra a 12 de Fevereiro de 1809, e com 22 anos partia no Beagle - um navio da Real Marinha Britânica, numa viagem à volta do mundo que dura 5 anos. O primeiro local visitado é Cabo Verde, com o objectivo de cartografar a costa, e capturar milhares de plantas e animais com os quais por associação chega à «Origem das Espécies», cuja teoria evolutiva revoluciona o pensamento científico do século XIX gerando polémica. O seu mérito deve-se ao facto de conseguir arrumar de uma forma diferente dados até então conhecidos, sistematizando a informação através de uma escrita vitoriana repleta de momentos de reflexão, e de enorme detalhe. Quem somos, e o que fazemos aqui? Afinal, os seres estariam relacionados uns com os outros, na grande árvore da vida, descendendo as espécies umas das outras. A sua modificação resulta do meio ambiente, que lhes possibilita evoluir segundo uma norma mais adaptada. A ímpar capacidade de observar a natureza tornou Darwin o verdadeiro herói da ciência, permitindo redescobrir o significado da vida à luz da evolução.

Wednesday, February 11, 2009

Magia em flor

Dizem que um rei mouro as mandou plantar. E, elas aí estão de novo, salpicando os campos de alegria com o seu branco delicado. Algumas optam por se vestir em rosa claro, ou pálido lilás, sugerindo um suave aroma a lavanda. Enquanto as observo abraço-as com o olhar, em gesto de paz, e uma a uma sinto-lhes a fragrância. Na nossa vida agitada é fácil perder a sintonia com a natureza, quando afinal os sinais aí estão, anunciando-nos a primavera, que pé ante pé vem chegando. Suspensa na crença da jovem princesa nórdica, cujas saudades da neve só terão sido extintas, quando a paisagem se cobriu de pétalas brancas, também eu, perante este cenário único me sinto renascer, com a felicidade ali mesmo ao meu alcance.

Monday, February 9, 2009

Rendidos aos seus encantos

Portuguesa de nascimento, de Marco de Canavezes para o mundo, desde logo arrebatou os palcos, com todo o seu talento. Deslumbrante, irreverente, colorida, e detentora duma energia incrível, ajudou a difundir a língua portuguesa, e a projectar o samba, e a música popular brasileira. Os seus turbantes, onde a fruta não faltava, e os sapatos plataforma, com cerca de 15 centímetros, foram na altura uma autêntica marca de sucesso, tornando-a emissária do tropicalismo. A sua personalidade e força atraíram o público, que na hora da sua morte não deixou de estar presente, em número mais elevado que o meio milhão de pessoas - o mais concorrido na história do Rio. Se fosse viva faria hoje 100 anos!

Saturday, February 7, 2009

Ondas do pensamento

O medo que as mulheres provocaram ao longo dos séculos foi essencialmente combatido pela Igreja, através duma autêntica perseguição às bruxas, conhecida como Santa Inquisição. Numa sociedade maioritariamente rural, algumas destas mulheres sábias, com conhecimentos sobre ervas medicinais, eram responsáveis pela assistência aos partos, e pela saúde das populações em geral. No século XV foi publicado um livro escrito por dois monges dominicanos intitulado Martelo das Bruxas, que se traduz numa espécie de manual, que ensina os inquisidores a reconhecê-las, punindo-as publicamente na praça pública, como forma de coagir e intimidar os moradores. De acordo com a Nicole, em mais uma das suas conversas, ainda nos dias que correm a mulher continua a trazer equilíbrio, impedindo a ganância dos homens de avançar. Ela vai até mais longe, ao afirmar que se não fosse pela função meramente reprodutiva, o homem não hesitaria em eliminar a mulher de uma vez por todas, transformando o mundo num cenário apocalíptico, que o conduziria a um novo ciclo de vida. A partir de 2003, e ainda durante o decorrer de 2009 temos a oportunidade de utilizar o poder da mente com grande supremacia. Tudo o que existe é constituído de energia, que pode ser transformada e controlada por cada um de nós. É esta consciência de poder, sobre as nossas vidas, que atrairá tudo o que necessitamos para viver melhor, e em abundância.
Como passo seguinte acendamos incenso, e através de uma música suave criemos um clima tranquilo. Voltando a atenção para a respiração, tentemos concentrar-nos apenas em sentir o ar. Imaginemos então a cor azul sobre nós, tal qual o céu, num claro dia de verão. Algumas nuvens que pairam no ar correspondem a situações indesejáveis, que convém enviarmos para bem longe de nós. Deixemos que a claridade azul nos invada, sentindo a luz penetrar pelo alto da cabeça, fluindo suavemente por todo o corpo. Ao retermos a atenção neste fluxo, em direcção ao coração do universo sentimos a paz interior, numa atitude positiva, e em crescimento de consciência acelerado, mais próximos da alegria, e da felicidade.

Friday, February 6, 2009

À espreita

Na semana passada o Jornal de Letras celebrou a sua milésima edição, e como bónus oferecia uma colectânea de poemas, de alguns dos mais importantes nomes, da nossa poesia contemporânea. Por ser um livro fininho guardei-o na carteira, e só hoje, enquanto esperava pela minha vez, numa fila, dum irrelevante local, como são a maioria, tive a oportunidade de o folhear. Não sei quanto tempo aguardei, nem se fazia frio, ou calor, porque totalmente alheia ao que me rodeava, me deixei embevecer por aquelas pequenas pérolas. «Que/ serviria/ meu amor/ oferecer-te/ a rosa/ se dura/ a rosa/ pouco mais/ que o tempo/ em que te/ digo rosa» pergunta-me Rita Taborda Duarte no seu poema «Dedicatória». Para logo achar a sequência nas palavras de Maria Teresa Horta: «Deixo que venha/se aproxime ao de leve/ pé ante pé até ao meu ouvido/ Enquanto no peito o coração/ estremece/ e se apressa no sangue enfebrecido». Umas páginas adiante é Afonso de Melo quem se me dirige: «Abraças-me/ como se quisesses ver-te livre de mim». E logo a seguir é Pedro Mexia quem me deixa a pensar, quando diz: «O mundo talvez esteja fora do mundo, aí nos encontramos». Indecisa, volto ao início. «Há um mar imaginário aberto em cada página/ não me venham dizer que nunca mais/ as rotas nascem do desejo/e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos/ quero o teu nome escrito nas marés/ nesta cidade onde no sítio mais absurdo/num sentido proibido ou num semáforo/todos os poentes me dizem quem tu és» desperta-me Manuel Alegre, com a sua voz de trovão. Quando com um safanão nas costas, oiço dizer: - Avança, é a tua vez!

Wednesday, February 4, 2009

Por trás dos sons

Prolonga-se pelos dias, e cai ininterrupta a partir do silêncio. O seu ritmo é suave, com variações melancólicas, que me compete interpretar. Dizem que molha tolos, mas, ao correr mundo molha toda a gente. Os que ficam para trás, os que não conhecemos, a torto e a direito, sem coordenadas, e em direcção ao futuro. As previsões do estado do tempo são como tudo o resto – imprevisíveis! É curioso que enquanto um eclipse pode ser calculado com séculos de antecedência, o movimento atmosférico é por outro lado tão instável. Apesar da leveza com que se precipita, o ruído acentua-se, perceptível, sussurrando em compasso de dança.

Monday, February 2, 2009

Enfrentando o stress

E porque cada vez mais sofremos de stress, fui à Biblioteca Municipal ouvir o professor Mário Cavaco, que da Argentina nos trouxe a paz interior que procurávamos. O estilo de vida que actualmente levamos contribui para um constante frenesim, que tende a afectar-nos o corpo das mais diversas formas, desde alterações do aparelho digestivo, enxaquecas, insónias, fadiga, doenças do foro cardiovascular, e dores musculares, quando o nível de tensão muscular também se inclina a aumentar. Desprotegidos, e sem mecanismos de defesa vemo-nos muitas vezes confrontados com situações angustiantes, esquecendo-nos que factores internos estão na origem de todos os males. Identificar a sua natureza, e entender o que o determina é já por si meio caminho andado. E quanto maior for a sua compreensão melhor o saberemos combater. Há quem se deixe manipular por estímulos exteriores mais facilmente que outros. Mas, é da nossa interpretação do mundo que as nossas emoções e bem-estar dependem. Se a nossa tolerância para lidar com o dia-a-dia é baixa, criemos então uma nova realidade, que de uma vez por todas nos liberte a mente de pensamentos negativos, quebrando o ciclo que nos impede de viver em equilíbrio, transmitindo serenidade e alegria, ao longo da nossa passagem.

Sunday, February 1, 2009

Rumo à consciência

Quando o mundo em que nos movemos apresenta falhas, ao reflectirmos sobre o que aqui fazemos, e o que virá depois, torna-se imperativo agir, desenvolvendo a nossa própria essência. Uma dieta vegetariana baseada em fruta, vegetais, leguminosas, nozes e sementes, consumidos em quantidades correctas, torna-se uma excelente alternativa saudável que nos sacia as carências nutricionais. Ao excluirmos a carne do regime alimentar, segundo a Nicole, não só ajudamos a proteger o ambiente, e os animais, como ganhamos uma vida muito mais longa. E já agora, porque o pensamento tem poder, crie o hábito de pensar positivo. Quando o que lhe vem à cabeça não se enquadra propriamente naquilo que idealiza, pense outra vez. Neste exercício de construção mental, ao rejeitarmos o que for nefasto, invertemos a situação para aquilo que mais desejamos. Ao fazê-lo, como se não houvesse outra condição, exercemos pleno controlo, e optimizamos as nossas mentes, ultrapassando a imaginação. Mudando a nossa maneira de imaginar mudamos tudo o que nos rodeia. Como passo seguinte inspire profundamente, retenha a respiração, e expire lentamente. Desenvolva ondas de energia emitidas do seu corpo, e visualize uma luz violeta sobre a cabeça. Quando os seus pensamentos encontrarem outros unidos pela energia, a partir do nosso pequeno planeta, viajaremos até à liberdade de um universo ilimitado.

Friday, January 30, 2009

Recém-chegada

Num controverso post de há dias, José Saramago considera que Hillary Clinton deveria omitir o apelido do marido, que já terá passado à história, e lhe diminui a identidade, devendo optar pelo Rodham de nascimento, mais de acordo com o futuro brilhante que ele lhe antevê como secretária de Estado. A propósito deste facto, veio-me à ideia, uma anedota que me contaram. Num certo dia Bill e Hillary viajavam pelo estado de Illinois, donde aparentemente ela é, e pararam numa estação de serviço para atestar o carro de gasolina, quando ela se volta para o marido dizendo-lhe que na adolescência teria namoriscado o respectivo funcionário. Então, ele responde-lhe que se por acaso o namoro tivesse terminado em casamento, certamente a estação de serviço teria sido o seu cenário mais provável. Só que, como ultima palavra, ela diz-lhe que ao contrário do que ele pensava, se ambos tivessem casado que quem teria sido presidente dos Estados Unidos seria o tal homenzinho! Nem mais.

Wednesday, January 28, 2009

O mundo renovado

Em momentos de maior stress, na tentativa de eliminar uma crise sem precedentes, por vezes recusamos enfrentar os desafios que mais nos atemorizam. Encontrar forma de tudo resolver, torna-se no pior dos cenários, incontornavelmente complexo, e com um discurso negativo a depressão é inevitável. A economia privada não será certamente solução para todos os problemas, e ao nos sensibilizarmos com a situação de desequilíbrio deveríamos repensar na redistribuição, começando por cada um de nós. É certo que a imprevisibilidade nos agudiza os tempos, acrescentando-lhe outra dimensão, e quando tudo parece desabar é vital não perder nunca ideais. Já na Roma antiga se dizia, que foi o medo que trouxe os deuses ao mundo! Aprender a lidar com as pequenas dificuldades do dia a dia, transpondo a imobilidade requer um envolvimento responsável, uma atitude de compreensão, e consequentemente o entendimento global. Ao fortalecermo-nos mutuamente contribuímos para um projecto muito mais vasto e integrador. E às vezes, como se diz por aí, é preciso que tudo mude, para que no final tudo venha a ficar na mesma!

Monday, January 26, 2009

A natureza dos segredos

Quando nos preparávamos para uma nova limpidez, eis que os recorrentes registos nos lançam na obscuridade. Os indícios, as sombras que nos rodeiam, a contínua suspeita, a superioridade moral de alguns, e o multiplicar de alusões, introduzem a acção dos pequenos filmes dentro do grande psicodrama. Retomando pormenores, a cada passo aguardamos por desfechos, entre o que se esconde e o inexplicável, e as opiniões opostas e o excesso de imaginação, em incessante vaivém. Algo suspenso entre a confiança e a suspeição, que nada prova, reforça a escuridão em que nos obrigam a viver. E, a meio caminho, nas viagens de um lugar a outro, ao avaliar o explicitado e o insinuado, os perseguidos e os perseguidores, todos me sugerem mal-estar, e desencadeiam o que pressinto, e aquilo de que me querem convencer. Neste diálogo interior a preto e branco, e sem palavras, se calhar acabamos tal como começámos, sem saber a verdade, pura e simplesmente no vazio.

Saturday, January 24, 2009

Paralelismos

Erradicando a crise do pensamento, com os olhos ainda do lado de lá do Atlântico, eis senão quando sombras negras do que terá sido mal resolvido, e indesejáveis rajadas de vento, nos ameaçam o território. Na busca da verdade, entre temas e enredos, onde é difícil escapar imune, interrogo-me sobre o que é notícia, e o credível, e no que é legal, e a moralidade. E uma vez mais fico espantada com a rapidez com que tudo muda. Afinal o que está em jogo, e o que nos persegue, diminuindo-nos, e fragilizando-nos assim? Qual a dimensão do poder? Quando as minhas expectativas tendem a arrefecer. Será que Obama terá margem suficiente para tudo mudar, como num golpe de magia? Esperaremos nós demais de um homem só? Na diversidade das minhas reflexões sinto o pulso do país, e do mundo, que desesperadamente precisa de esperança, ao mesmo tempo que preservo na memória a visão da rainha do soul, que há dias deu voz ao «momento», e daquele chapéu que ainda me faz desvairar.

Thursday, January 22, 2009

Honras de destaque

Sem conseguir desligar-me, o momento forte que há dias testemunhámos, não nos irá nunca deixar. Este fenómeno de simpatia provocou-nos emoções tão intensas, que atravessou continentes contagiando o mundo, de lés a lés. Finalmente uma nova ordem muda-nos o tom, e aponta-nos diferentes soluções. Comprometido com causas, a cada novo olhar dá-nos o sinal, traça-nos linhas mestras, e define-nos critérios, abrindo-nos a porta à esperança. Chamados a recomeçar, com uma clareza maior, de festa em festa, dita-nos o ritmo numa maratona de dança, quando o seu encanto nos ultrapassa, e nos faz rodopiar.

Wednesday, January 21, 2009

Finalmente

Tuesday, January 20, 2009

Sensibilidade e percepção

Mudança é a palavra-chave, e daqui a 2 horas, com o avançar do dia, cumprir-se-á o sonho do direito à diferença. Contrastando com o seu antecessor, surge-nos inteligente, qualificado, dotado de um carácter excepcional, e muito mais ligado à realidade dos nossos dias. O momento é histórico, os objectivos essenciais, e o efeito terá forçosamente de ser positivo para a retoma global. A incógnita reside no tempo que durará o seu estado de graça. Em torno de Obama está o olhar messiânico, algumas dúvidas, o que é expectável, e toda a pressão do jogo económico. Os desafios são imensos, as situações difíceis, as esperanças mais que muitas, e a oposição feroz, quer por parte dos neoconservadores, ou dos grandes grupos económicos, ou até dos cristãos fundamentalistas, da «outra América», mais rural e profunda que eu conheço. O importante é lançar bases, reunir uma equipa coesa, e em clima de unidade responder afirmativamente, com uma nova atitude que faça renascer a paz.

Monday, January 19, 2009

Ao invés

Imaginar a vida do fim para o início, levados pela fantasia e a imaginação, é a proposta do «Estranho caso de Benjamin Button». Um percurso de toda uma existência, mas, em sentido inverso, com as consequências que daí resultam. A ideia original surge a partir da literatura de Scott Fitzgerald – um dos mais talentosos escritores americanos do século XX, e acaba por se transformar num filme complexo, que essencialmente contempla o amor, e nos faz reflectir sobre a condição humana, as suas experiências mais marcantes, as ligações sentimentais, os desencontros, e o que o destino teima reservar. Registo brilhante, acompanhado de admiráveis manipulações tecnológicas no compor das personagens, absolutamente imperdível.

Saturday, January 17, 2009

Força motriz

No arranque de mais um ano, e sempre em renovação, eis que nos surge pertinente e criativa, com mais uma das suas tertúlias. Esta tarde, o grande homenageado foi António Aleixo (1899-1949) – poeta popular, que onde quer que calhasse, não perdia a oportunidade de improvisar as suas rimas, que a várias vozes, ali mesmo ganharam expressão artística. De realçar a presença do seu neto Victor, que, socorrendo-se de uma mão cheia de quadras avulsas, apaixonadamente nos agraciou com a sua presença. Nesta, que terá sido a sua derradeira tertúlia, a Zizi, através de mais uma acção concreta, na actual conjuntura, terá esgotado a paciência, mas nunca a pulsação dos poemas. Que o seu efeito criativo possa ser levado à avante, noutra hora, rasgando outro espaço qualquer, afim de que possa continuar a transmitir-nos com a sua onda de cor, toda a sua versatilidade, e constante prazer pela vida.

Os teus olhos, mulher linda,
P’ra quem neles soube ler,
Dizem mais coisas ainda
Do que tu sabes dizer.
António Aleixo

Friday, January 16, 2009

Escapando às convenções

Por mero acaso, a alusão aos cruzamentos de credos fez recuar-me no tempo. Há pouco mais de 30 anos, também fui aconselhada a não casar com um cidadão americano, que estaria condenado à partida, tomando como exemplo as uniões falhadas das estrelas de Hollywood!? Certamente haverá pólos de conflitualidade difíceis de ajustar, sobretudo nos casos em que a mulher perde o seu carácter igualitário, nos dias que correm. Frequentemente as implicações religiosas surgem-nos como um dispositivo moral, com o intuito de nos reger as vidas. Contudo, o poder de sedução, que não escolhe idades, nem culturas, em geral sobrepõe-se, e duvido que alguém ponha de lado uma visão idílica, por causa da fé do outro, ainda que um pouco de incerteza não deixe nunca de nos acompanhar. Claro que o assunto promove a reflexão, e gera opiniões mais ou menos consensuais, mas, acima de tudo deverá ser um indício de liberdade, que tem a ver com a nossa própria intimidade, e com a tolerância e a compreensão do outro.

Thursday, January 15, 2009

Paragem obrigatória

Entalada entre o passado e o futuro, eis que se dirige a toda a sociedade. Incontornável, espreita-nos à superfície, abaixo da linha de água, do lado mais sombrio, ou à beira do limite. Reduz-nos o poder de compra, oprime-nos e destrói-nos. Desencantados, sentimo-la na pele, encarando-a com a maior apreensão e angústia. Ela representa o vazio, onde introduzimos as causas de cada um dos nossos males, como uma espécie de ameaça colectiva. Por vezes, rouba-nos o sorriso, e afasta-nos da esperança, que se torna mais longínqua. E de nada tem valido as movimentações políticas, os pacotes anti-crise, e o resto das medidas decisivas, tendo em conta a falência do sistema. Os estímulos parecem insuficientes para suster os danos, quando tudo se modifica e relativiza. Porém, o desgaste e a frustração levam-me a repensar as regras do jogo, deste terrível beco sem saída. Em vez de continuarmos a andar para trás, talvez que o retomar de novas directrizes nos tirasse desta trajectória descendente, ao mudarmos de postura privilegiando os laços, a autenticidade, e tantas outras boas práticas de outrora.

Tuesday, January 13, 2009

Desafiando o sistema

O drama é roubado à vida real. Ocorre em Los Angeles, em finais dos anos 20, quando um momento muda por completo a vida de uma mulher. O filme conta a jornada da sua incessante busca, sem nunca, nunca desistir. A não perder.

Sunday, January 11, 2009

A todo o vapor

Ele teve um papel dinamizador, um outro espaço serviu de tubo de ensaio, e dali, num ápice o Capricho se converteu em projecto pessoal. Depois, limitei-me a contemplar o mundo, a captar os lugares e os momentos, a pegar nos gestos de cada um, a ouvir em surdina, a prender os pormenores, e a recolocá-los em linguagem e imagens, sob a minha perspectiva. Nesta janela para o mundo, o que me move é o desafio constante, o olhar crítico, e a permanente encenação, que me convida à reflexão, me dá oportunidade de reacção imediata, e me estimula a criatividade, a rapidez do raciocínio, e o discurso positivo. Absorvente, apaixonante, intimista, e interventivo, exige-me esforço, disciplina, tempo que não disponho, e por vezes o melhor de mim própria. Em redor de todos estes ideais, encontro a realização num infindável exercício de aprendizagem. O Capricho celebra hoje o seu 1º aniversário, e tornou-se na minha aposta para o futuro próximo.

Saturday, January 10, 2009

Travessia do tempo

Na intensidade da procura, voltámos ao seu encontro precipitados por respostas, nesta que terá sido a 5ª sessão, desde que o ano passado desencadeámos este ciclo de conversas. «Vale a pena viver a vida» serviu de mote à Nicole, para dar início ao colóquio desta tarde. E porque o processo de desenvolvimento do ser é o nosso principal objectivo, através das experiências do conhecimento, e de técnicas de aperfeiçoamento pessoal, prosseguimos o nosso trabalho para chegar ao bem-estar interior, à pureza absoluta, e à verdade mais íntegra. Ao contrariarmos o plano divino, em vez de nos aproximarmos, afastamo-nos regredindo. É necessário estarmos atentos a todos os sinais, e à vibração energética, afim de nos libertarmos do ego, dissonante do amor incondicional. Através do reiki aprendemos a crescer em consciência, e a criar a nossa própria realidade, quando no decurso de autodestruição e irresponsável conduta de devastação do planeta. Num universo de 12 dimensões, logo após uma época em que nos subjugámos ao materialismo, demos em 2003 um grande passo do 3º para o 4º nível. Que cada um desperte em si a oportunidade de se libertar dos bloqueios que nos atormentam, e nos impedem de viver a vida em alegria, para que em 2012 estejamos receptivos à mudança de uma nova etapa cósmica, que transformará o mundo, e nos trará um novo amanhecer.

Thursday, January 8, 2009

Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

Não mata, mas pode originar complicações respiratórias graves, e a culpa de todo este surto, ou epidemia de gripe, que está a esgotar as camas hospitalares vai todinha para as condições climáticas, e sobretudo para as temperaturas negativas. A intuição diz-me que beber muitos líquidos, sobretudo chás e infusões são nesta altura o melhor remédio. Além disso a sensação de dor e cansaço que nestas ocasiões nos acompanha é também a forma do nosso organismo pedir descanso, sendo aconselhável abrandar-se o ritmo, ou mesmo enfiarmo-nos na cama. Pessoalmente ingiro diariamente vitamina C ao longo de todo o ano, e sinto que tenho o sistema imunitário bem protegido. No outro dia, em Lisboa, um taxista dizia-me amparado pela Igreja Universal do Reino de Deus, que o tornava menos vulnerável a contrair esta ou quaisquer outras mazelas. Seja o que for que acreditemos, convém que nos mantenhamos atentos aos próximos boletins, e nos agasalhemos contra esta onda de frio, que tanto nos tem surpreendido, deixando-nos verdadeiramente a bater o dente…

Wednesday, January 7, 2009

Reconhecimento de evidências

Porque as assimetrias existem, a quadra festiva que terminou terá sido de excessos para alguns, e de carências para outros. Porém, retomando a rotina do dia-a-dia, um episódio ocorrido ontem ter-me-á remetido para um outro, quando nos tempos da minha juventude visitei os Estados Unidos pela primeira vez. Mal cheguei ao aeroporto de JFK, em Nova York, e apesar de levar um visto de turista, retiveram-me o passaporte, que supostamente me seria entregue na delegação de imigração do meu destino, após interrogatório mais prolongado!? Lembro-me como se fosse hoje do impacto negativo que o acontecimento me causou, e de como na altura me arrependi de alguma vez ali ter ido parar, durante o voo que me levou a Dallas. No entanto, uma vez no Texas alguém do meu círculo de amizades ter-me-á dito qualquer coisa que na altura me pareceu tão estranho que nunca mais esqueci, e que se resumia à seguinte frase: - «Na América não importa quem tu és, mas quem tu conheces»! Escusado será dizer que dias depois, sem ter sequer que me deslocar a lado nenhum, tinha o passaporte de novo nas mãos. Ontem à tarde, ao aplicar a regra no ímpeto de um momento, ainda que em circunstâncias da menor relevância, constatei que passados mais de 30 anos, a mesma continua a funcionar também deste lado do Atlântico, da mesma forma, e nos dias que correm. Obrigada Adelina!

Tuesday, January 6, 2009

Enredados no tempo

Desfaz-se a árvore, arrecada-se o presépio, e retira-se a coroa que pendurámos à porta, anunciando a todos que o Natal tinha chegado. Voltamos a colocar nas caixas as bolas de várias cores, os laços, as estrelas brilhantes e as meias-luas, que novamente volto a colocar na prateleira mais alta. De cima da lareira, e do armário lacado a branco, um a um vou recolhendo todos os cartões de boas-festas que nos foram chegando do Canadá, do Reino Unido, da Alemanha, e o meu preferido de todos da Nathalie, na Áustria, de quem fui «au pair» na década de 70, quando tinha apenas dois anos e meio de idade, e que hoje é baronesa e vive num castelo com os seus 4 filhos retratados no postal!
Termina assim, neste dia de reis mais um ciclo no qual a mensagem mais profunda se resume ao renascer da esperança, para o mundo inteiro. Pena é que a violência que muitas vezes se apodera de cada um de nós, se acabe por projectar no sangue derramado por tantos inocentes, na terra prometida.

O mundo viu o Salvador
nascer humilde e pobre.
Ouviu os anjos proclamar
a paz que os homens vem salvar.
(cântico)

Saturday, January 3, 2009

Riqueza humana

Não querendo fugir à tradição, eis que esta manhã nos trouxeram as Janeiras, sob a orientação artística da maestrina ucraniana Olga Panchenko, no programa Portugal Sem Fronteiras da RTP1. Pelo trabalho que têm vindo a desenvolver, recebem frequentes convites, actuando regularmente em encontros de coros, e festas comemorativas, um pouco por todo o lado, na contínua procura de se afirmarem. A música faz parte integrante das suas vidas, e entrar no seu mundo, objectivamente definido, é um apelo interior, e uma experiência que cresce, e nos alimenta de emoções. Com cerca de 40 elementos, o coro da Universidade da Terceira Idade do Barreiro – Corutib, que já tive o privilégio de assistir ao vivo em Junho de 2007, na Igreja Matriz de Albufeira, é a verdadeira fonte de inspiração, em actividade intensa.

A todos muito obrigada

Desejando Boas Festas
Senhora da Graça ajude
As pessoas como estas
(adaptação)

Friday, January 2, 2009

Volte-face

Terminado o ano mergulhados na crise social e económica, entramos em 2009 num verdadeiro cenário de imprevistos e tensões. E, logo surgem as inevitáveis reflexões. Afinal o que está errado, e o que se esgotou? O que estagna, e o que avança? Qual a diferença entre a estatística e o real? Ou a verdade e a ilusão? O que se desenha no horizonte? E como iremos a médio prazo governar as nossas vidas? Que soluções nos reservam os nossos actores políticos? Eis senão quando descobri, que depois do ano do Porco no Zodíaco chinês, voltamos ao simpático Rato, lá para Fevereiro, mais precisamente no primeiro dia da sétima Lua! Abençoada seja. Porque o Rato é criativo, imaginativo, e trabalhador respeitado exactamente pela sua capacidade de resolver todas as situações, mesmo as mais difíceis. E segundo a tradição chinesa, os seres humanos centralizam as características pessoais do signo regente de cada ano. Com tamanho potencial renovador, não tenho dúvidas de que passarei a dormir muito mais descansada, impermeável a quaisquer abalos externos.

Wednesday, December 31, 2008

O fim da linha

Na contagem decrescente para o final do ano, vou ser ousada trajando o meu vestido mais sexy. E, por uns instantes tentarei distanciar-me da crise, do conflito em Gaza, de tantas promessas sem concretização, do colapso económico, do sacrifício colectivo que aí vem para nos salvar, ou dos aumentos anunciados para o pão, ou a electricidade. E a cada badalada, e trago de um espumante Chardonnay, de boa estrutura e suave tonalidade, irei imperturbavelmente desdramatizar, concentrando esforços, para que em tempos de depressão, de oportunidade em oportunidade, novos projectos sejam abraçados, e passos alternativos me conduzam a uma outra vitalidade, que possa resultar em plena renovação.
Eu brindo a 2009!



Tuesday, December 30, 2008

Uma questão transparente

Quase no final do ano, e quando a crise é real, e demonstra o quão frágil somos,ganha-se uma certa desconfiança. Apesar das limitações, é urgente engendrar outro desfecho, agora que a nova verdade nos bate à porta. Ao percepcionarmos os outros, e a falta de afectividade, que cada vez menos existe entre nós, que esta tomada de consciência nos desperte a sensibilidade, para que a um outro ritmo, e de uma outra forma, seja possível transformar, reinterpretando o mundo.

Monday, December 29, 2008

Poesia de inverno

Meu coração busca as palavras de estio
Busca o estio prometido nas palavras


Sophia de Mello Breyner Andresen

Saturday, December 27, 2008

Narrativa heróica

Ela é Nicole Kidman, e ele Hugh Jackman, considerado pela revista «People», o actor mais sexy do mundo! Tanto, que irá ser o anfitrião da cerimónia dos Óscares, já em Fevereiro. Eles protagonizam o par romântico de Austrália - um épico que pela sua dimensão faz lembrar os grandes clássicos de outra era, com quase três horas de duração! O filme decorre no período que antecede a segunda guerra mundial, em lugares perdidos do vasto continente australiano, onde não falta romance, drama e aventura, falando-nos do relacionamento dos colonos ingleses com os aborígenes, e da magia da sua fábula mitológica. Eu já fui ver, e recomendo.

Thursday, December 25, 2008

Testemunho da luz

No refazer de experiências, que representam a vida, acolhemos neste dia um novo estímulo, e uma outra alegria. Quando tantas vezes, somos enganados, pelas luzes do mundo, eis que a chama viva nos traz proximidade, e nos abre caminhos de esperança, correspondendo às expectativas das nossas aspirações.
A todos os seus leitores, o Capricho deseja um feliz Natal.

Wednesday, December 24, 2008

Tuesday, December 23, 2008

Chama acesa

Num exercício de memória tentei recuperar outros Natais. O primeiro fora do país teve lugar em Londres nos anos 70, e ainda por cima a trabalhar, mas nessa altura a cidade era um verdadeiro fascínio, e uma porta que se abria para o mundo inteiro. O mais frio aconteceu em Illinois. Tão frio que fazia congelar os canos, sem se conseguir obter uma gota sequer de água corrente! No entanto, recordo-me da beleza dos dias a seguir a nevar, e sobretudo das árvores, que ao sol brilhavam como se fossem de cristal. No estado do Texas também apanhei neve em 76, e em 78 já noutra cidade, passei talvez o Natal mais quente de toda a minha vida!? Houve ainda um outro já na época de 90 na Ilha de Wight repleto de tradições britânicas. Mais recentemente, com os meus filhos crescidos, também celebrámos a maior festa do mundo na Georgia, sob amenas temperaturas. Mas, o que mais me traz à lembrança nesta época do ano, são os familiares mais chegados, que tendo já partido evocamos, e as vozes que ainda guardamos, além dos cheiros e receitas, que ano após ano tento reproduzir, inspirada nos incomparáveis sabores de infância.

Monday, December 22, 2008

Natividade

Aproveitei o fim-de-semana, para num rasgo criativo, por de pé a nossa árvore de Natal. Numa das caixas, que fui buscar ao alto duma prateleira, contendo alguns elementos decorativos, encontrei na tampa, com a minha caligrafia a data de 1984! Nessa altura tinham os meus filhos 5 e 3 anos respectivamente, e a vida era completamente diferente. Aos poucos, fui retirando algumas das decorações de então, que juntei às que adquiri este ano, e noutros ainda, entre a época de 80 e a presente. Para criar um espírito festivo, pus a tocar um cd de Natal, e entre uma bola cor de laranja, um sino em vidro, ou uma meia-lua dourada, que ia pendurando aqui e ali, quase sem dar por isso, fui também cantarolando ao som do Bing Crosby, e das Andrew Sisters. Mantendo a chama da inspiração acesa, em baixo coloquei o presépio, transformando-se num pequeno oratório, que ano após ano me sublima a fé e os sentidos, e me prepara interiormente para receber a luz.

Saturday, December 20, 2008

White Christmas

Friday, December 19, 2008

Despertar

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


Eugénio de Andrade

Thursday, December 18, 2008

No princípio

Primeiro que tudo houve o Caos e depois
a Terra de peito ingente, suporte inabalável de tudo quanto existe,
e Eros, o mais belo entre os deuses imortais,
que amolece os membros e, no peito de todos os homens e deuses,
domina o espírito e a vontade esclarecida.
Do Caos nasceram o Érebo e a negra Noite e da Noite,
por sua vez, o Éter e o Dia.
A Terra gerou primeiro o Céu constelado,
com o seu tamanho, para que a cobrisse por todo
e fosse para sempre a mansão segura dos deuses bem-aventurados.
Gerou ainda as altas Montanhas, morada aprazível
das deusas Ninfas, que habitam os montes cercados de vales.

Teogonia 116-130 de Hesíodo – Tradução de M.H. da Rochas Pereira, in Hélade 52