Saturday, June 26, 2010

Os diálogos

Integrado no programa de encerramento do 5º Ciclo de Leituras, a Cláudia e a Patrícia do Bica Teatro, permitiram uma leitura cómoda e eficaz de fragmentos de textos de várias obras de Lídia Jorge, com dramaturgia e encenação de Neto Portela. A construção das personagens tal como as imaginaram, e a expressividade e narrativa corporal intensas, serviram o propósito de traduzir sentimentos tão fortes quanto os da partida e da chegada, ou a intimidade dos seres naquilo que de mais silencioso possuem através do domínio do gesto, ou de pássaros de papel distribuídos pelo público no final.
Interpelada pela a assistência na segunda parte, a escritora fala-nos primeiramente do convívio com José Saramago, falecido recentemente, e da sua notoriedade, à qual acrescento a coragem de contrariar. Depois, revela-nos que ao contrário da maioria dos autores, não é disciplinada nem arrumada, e que até gere mal a sua vida, limitando-se a escrever no tempo que sobeja sob a inspiração dum quotidiano vasto. Sem cadeiras vazias, e sem vácuo, a reacção de todos só poderia ser surpreendente e calorosa. Parabéns à coordenadora deste projecto, Paula Miguel, que na hora de criar soube ganhar mais uma aposta.

Friday, June 25, 2010

A cal e a terra



Os edifícios do mundo, o insustentável desenvolvimento e o labor intenso, levam-me para longe numa circunstância de pausa. A cada passo, olho com prazer e pressinto a natureza quase sem dar por ela. Ao revisitar a largueza do monte e o plantio, ganho novos sentidos, recuperando memórias de infância que me servem de companhia. Na procura de contrastes e equilíbrios, retenho o melhor para lá do visível. E, é no silêncio intacto que me cruzo num imaginário tão-só emotivo como inatingível. Antes do sol se despedir do dia, é preciso desimpedir o caminho e, escutar os sons entre a viscosidade dos pinheiros recortados pelos reflexos de luz. Periclitante, desenho contornos em momentos de transitoriedade, até à serenidade total.

Wednesday, June 23, 2010

Alegria lilás

Registei-as há dias, em Évora, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar. Cruzei-me com elas à beira da estrada, alinhadas nas ruas, acumuladas em tudo o que é sitio desde que chegou a primavera, como se tomassem conta de mim. Delas me abeiro e, ao contemplá-las, deixo-me preencher por pinceladas de cor. Suspensas por cima de mim, ganho a ampla visão do céu a perder de vista sem princípio nem fim. Impossível tocar-lhe. Acariciada pela sombra, pisando um manto de flores, apenas saúdo o violeta-claro dos jacarandás em diálogo com a transcendência.

Wednesday, June 16, 2010

Tuesday, June 15, 2010

As flores e as rimas




Enquanto o deixo em infusão por alguns minutos, abraço a paisagem do lado de lá da vidraça. Emergindo do verde, a cultura alinhada do chá dá expressão ao declive numa sinfonia de cores. Bela-luisa, poejo, tília, camomila, príncipe, todos lá estão.
As nuvens cobrem o sol, mas o ar é lavado, e a lindíssima vista é para longe que me leva. Contudo, é na partilha da amizade que me reencontro, ao mesmo tempo que a subtileza das palavras me distancia do mundo real. Prevalece tão-somente o momento dos versos populares e dos poemas que falam, e retêm o amor absoluto e sem fim. Eis que o adoço com mel, vagarosamente saboreando o agradável trago e o suave aroma, que quente e reconfortante me anima por dentro e me restaura os níveis de energia. Enfeitada de flores, dos jardins de cada convidada, a mesa ganha nova tonalidade até que chegam os scones e compota, e para as mais gulosas o bolo de chocolate e os doces tradicionais! De colo em colo chora o Pedrinho, cuja mãe irradia para além de si. Em contraluz, filtrado pelos vidros do terraço, um raio de sol reflecte o horizonte já quase impossível de identificar.

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

Sophia de Mello Breyner Andresen

Tuesday, June 8, 2010

Ciclos do Ser

Resultante dos nossos actos, o karma segundo as filosofias orientais, é algo de dinâmico que em permanente acção, nos permite resgatar o passado e evoluir. Incontáveis são as nossas existências, até alcançarmos um estado de iluminação de perfeição, sem que precisemos mais reincarnar.

Monday, June 7, 2010

No alto mar

... Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar.
.
Quando chega à minha beira
todo o meu sangue é um rio
onde o meu amor aporta
seu coração - um navio.
.
Meu amor disse que eu tinha
uns olhos como gaivotas
e uma boca onde começa
o mar de todas as rotas.
.
Meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade.

(…)

Manuel Alegre

Saturday, June 5, 2010

Ângulo de visão

No âmbito das comemorações dos seus 50 anos de Artes, a Galeria Samora Barros, inaugurou neste final de tarde uma exposição dedicada à pintura de Manuel Ribeiro. Com o rolar do tempo, também a poesia se confunde com a própria vida, definindo toda a sensibilidade artística e o quão longe vai o seu olhar.

Tuesday, June 1, 2010

O melhor do mundo

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

.
Fernando Pessoa



Saturday, May 29, 2010

Ligados à memória

Combinam história e ficção, e baseados em escritos, tentam recuperar os acontecimentos de épocas mais remotas. Ao serviço da coroa, reconstituem-se mitos e histórias, reinterpretando factos. A precisão da linguagem e das vestes, e a descrição detalhada dos lugares, constituem o pano de fundo ao enredo, que recria ambientes e costumes carregados de magia e mistério. A realeza, a sumptuosidade das cortes, a temporalidade e os conflitos, tornam-se elementos auxiliares de uma escrita repleta de sabedoria ancestral que, não só sustenta causas, como se assume como um verídico retrato do passado que explica muito do nosso presente.

Monday, May 24, 2010

Porte e Vigor

Num momento de pausa, emergindo do verde das folhas, muitas vezes, são as buganvílias que me atraem o olhar. Fixas, mas móveis, crescem de forma desordenada, animando-me o jardim num processo de ramificação. Trepam pelos pilares acima, tolerando, por vezes, as condições mais adversas, chegando até a cobrir-me parte do telhado. Desafiando limites, gerando formas aleatórias, transfigurando-se numa profusão de cor escarlate absolutamente espectacular. Quando o sol nos visita, o impacto é grandioso, neste espaço por excelência onde me permito sonhar.

Saturday, May 22, 2010

No palco

Com recurso ao exagero dos gestos, e às expressões inventivas, Sandro William Junqueira desenvolve uma encenação sobre o tema do amor em articulação com o grupo A Gaveta. A peça organiza-se em torno de três cupidos explorando a musicalidade da poesia de Adília Lopes, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, e Alexandre O’Neil entre outros.

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!

Alexandre O´Neill

Friday, May 21, 2010

Ao vivo

Chegaram-nos de Lisboa sem sotaque. E, marcando o ritmo com a sonoridade e a géstica personalizada, as executantes do Bica Teatro desde logo nos conquistaram. O mundo de Lídia Jorge, mais precisamente «Combateremos a sombra», foi o veículo cultural para um serão cénico de grande originalidade e criação imaginativa. Parabéns à Paula Miguel, pelo empenho e capacidade de nos surpreender.

Saturday, May 15, 2010

O novo ser

Numa fase de transição, em que a Era de Peixes cederá lugar à Era de Aquário (prevista de grandes mudanças), fui ouvir uma palestra promovida pelo Lectorium Rosicrucianum introdutória à sua filosofia. Assim, a memória vaga de um estado inicial que, entretanto, se terá perdido, poderá despertar-nos para uma outra visão de nós mesmos e do mundo, através de um processo espiritual que percorre várias etapas, permitindo-nos reencontrar o destino original.

Thursday, May 13, 2010

Romagem

Atormentados pelas condições desfavoráveis e pelas dúvidas, caminharam até onde os passos os levaram. A confiança acompanhou-os, e Fátima tornou-se hoje pequena, porque do efémero ao eterno tudo lá foi parar. Unidos pela oração, e cumprimento de promessas, o povo peregrino procurou no altar do mundo por uma palavra de esperança na exigência dos dias, num mundo que lhes é contrário. Indefesos, esperaram que os socorressem e por uma garantia de protecção, entre os raios de sol e a chuva fria e agreste. Desde a hora mais silenciosa da noite à alvorada da manhã, a experiência tornou-se inexprimível em toda a sua plenitude e esplendor. Em ligação com o cosmos, na ascensão de cada ser para as alturas, para além do entendimento, em momentos abençoados pela partilha da renovação da fé.

Wednesday, May 5, 2010

Metamorfoses

Para mim o M é de mar, de multiplicados murmúrios, de música e movimentos harmoniosos que lhe dão uma maior riqueza sensual. Com M se escreve Mariana, morangos e malmequeres, e mimos, de preferência muitos mimos. Pertence ao mês de Maio, e ao planeta Marte. M de mundo, de mitos e magia, de míticos sonhos, mas de momentos mais críticos, e do medo de nos entregarmos ao futuro. M de mecanismos de sobrevivência, de verdadeiros milagres, e de todas as memórias que a mente suscita. Contudo, para a minha sobrinha de 13 anos, a noção do M é diferente, e pela sua mão obtém outro protagonismo, tendo sido premiada pela sua original versão!

EU SOU A LETRA M
MEIO MOLE
MEIO MEL
MEIO ZIG
MEIO ZAG
MEIO DIREITO
MEIO TORTO
NEM MEIO ASSIM
NEM MEIO ASSADO
NEM MEIO MORTO
POR ISSO FICA DE LADO

Madalena Salema

Sunday, May 2, 2010

Dedicatória

Pequeno Poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o sol escureceu,
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha mãe...

Sebastião da Gama

Saturday, May 1, 2010

Mozzarela e Manjericão


Dividido em dois andares, o espaço é amplo. Foi do piso superior com vista panorâmica para a marina, e iluminação ténue que, foi servido o buffet, consistindo de uma variada mesa de pratos de tagliatelle com funghi, e frutos do mar, fettuccine de espinafres, spaghetti à bolonhesa, carbonara, pizza, e saladas combinadas com diversos molhos. À sobremesa apreciou-se a poesia, numa linguagem de aproximação, porque afinal ela também nos alimenta, gerando os melhores aromas!

Thursday, April 29, 2010

Espaço de encontro

O local escolhido foi o Clube Padernense, e o autor a debater Valter Hugo Mãe. E, à chamada não faltaram a Ana, a Mª João, o Luís, a Mª de Jesus, que esmeradamente organiza estas sessões literárias, além de eu própria e da Cláudia que se lhes juntamos pela primeira vez! Foi numa ampla sala, da moderna sede deste clube, da freguesia de Paderne que, nos reunimos ofuscados pelo brilho de centenas de troféus, conquistados ao longo dos anos, premiando verdadeiros campeões! Quanto ao autor, todos fomos unânimes em considerar que nos seus quatro romances editados nos últimos seis anos, a sua escrita é acessível e agradável de se ler. Pessoalmente, li recentemente «a máquina de fazer espanhóis», onde o pai já falecido, é homenageado e, apesar de alguns momentos mais comoventes, me fascinou pela forma como o próprio autor com apenas 39 anos, não só antecipa a velhice, como a descreve de uma forma tão realista, não esquecendo todas as suas implicações, desde as crenças religiosas, ao amor na terceira idade, ou mesmo ao declínio e à morte, tanto a dos que nos são mais queridos, como também o nosso próprio fim, e o medo do que virá a seguir, quando a dúvida nos assombra como uma nuvem negra. Depois, além da personagem central – o Senhor Silva, teve ainda a originalidade de ir buscar dois polícias ficcionais a Francisco José Viegas, e o delicioso Sr. Esteves à Tabacaria de Fernando Pessoa, que num mundo inventado, uma vez mais voltaram a inspirar, e desta vez este inédito escritor! A sessão terminou doce, com queijo de figo caseiro decorado de amêndoas – um produto de grande tradição regional, acompanhado de licor de café. Um autêntico mimo que, conto voltar a saborear para o mês que vem!

Sunday, April 25, 2010

Donos da vida

Fazer escolhas, e reconhecer a igualdade, independentes para pensar e sentir, sem intervenções por parte de outros, ou nos subordinarmos a nada, senão a uma vontade muito própria – eis a liberdade!

Friday, April 23, 2010

Análise de leitura

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
que fala com a nossa voz?
É então a isto que chamam "livro",
a este coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?

Manuel António Pina In Uma Luz de Papel, Edições Eterogémeas, 2007

Wednesday, April 21, 2010

Um pouco maiores

Numa manhã inteiramente dedicada à poesia, uma vez mais, deixamo-nos guiar pela voz de Afonso Dias, que a cobriu de melodia, simplesmente para nos seduzir! Através dos versos dos poetas que nos imortalizam a língua, fomos desde logo apresentados à prosa poética de Mia Couto, cujas palavras inventadas, evocam imagens fantásticas dum universo vivo em histórias, dos quais os seus «Contos do Nascer da Terra» são um bom exemplo. Também os poemas com sotaque marcaram presença, e foi um prazer voltar a ouvir a bailarina de Cecília Meireles, a tal que «Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar/ e não fica tonta nem sai do lugar/Põe no cabelo uma estrela e um véu/ e diz que caíu do céu.», ou o trem de ferro de Manuel Bandeira: «Agora sim/Café com pão/Agora sim»! Prosseguindo a viagem, também Fernando Pessoa, num poema destinado à Lili, diz que «No comboio descendente/Vinha tudo à gargalhada/Uns por verem rir os outros/E os outros sem ser por nada». Alexandre O’Neill, antecipa-nos por sua vez, o significado da palavra amigo quando fala que «Amigo é um sorriso de boca em boca» ou mais adiante «Amigo vai ser,/é já uma grande festa!». Luís de Camões não escapa igualmente ao rol. E, se os Lusíadas davam para um ou mais guiões de filmes, todo o perfume do amor habita na sua poesia, quando escreve que «amor é fogo que arde sem se ver/É ferida que dói e não se sente/ É um contentamento descontente/É dor que desatina sem doer» num verdadeiro jogo de opostos. Já para António Gedeão através da «Pedra Filosofal», a poesia alimenta-nos os sonhos e, é da opinião que «Eles não sabem, nem sonham,/que o sonho comanda a vida,/que sempre que um homem sonha/o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança.». E, porque a musicalidade é uma faceta da poesia, as canções de Zeca Afonso também não podiam ficar esquecidas, lembrando «Venham mais cinco», ou a «Balada do Sino», cantarolada mais baixo, para melhor se ouvir o silêncio! Dali navegámos com Cabral do Nascimento: «Fui ao mar buscar sardinha/E encontrei uma sereia./Agora, pensei, é minha./Virei mais logo à tardinha./Quando, nos longes da areia,/ A negra sombra caminha./Mas rompeu a lua cheia/ E todos viram que eu vinha…/Adeus, disse eu./E larguei-a.» À poesia é que confesso ter sido difícil largar, porque em momentos mais nobres, nos elevou a um patamar mais alto, dando-nos a oportunidade de ver mais longe, e com muito mais minúcia.

Tuesday, April 20, 2010

Nos céus do mundo

Poeiras, fuligens, gases, e minúsculos detritos quentes, escapam para a superfície terrestre, libertando nuvens de cinza gigantes que nos assombram a atmosfera. Após repouso profundo, um vulcão adormecido entra repentinamente em erupção, passando a controlar-nos as rotas e o tráfego aéreo. Um fenómeno natural, cujos movimentos sísmicos internos têm causado importantes mudanças nestes últimos dias, com consequências globais bastante significativas.

Saturday, April 17, 2010

Em alta frequência

Através da sua luz, beleza e cor, depressa nos apercebemos da energia que transmitem. Aliás, não é novidade, pois a vibração das suas ondas hertzianas, e os seus poderes curativos, chegam-nos de longe, da antiguidade. Os quartzos serão os mais comuns, e as drusas - aglomerados de cristais com pontas infinitas. Cada cristal tem as suas frequências energéticas específicas, e diferentes propriedades aproveitadas em inúmeros fins. Antes de os utilizarmos precisamos de os limpar de forma adequada, através de processos purificadores, e, uma vez adquirida a energia, são programados tanto para funções de uso pessoal, como para protecção, usados em plantas, ou no reequilíbrio de ambientes. São ainda magníficos na meditação, ou em alinhamentos dos chakras localizados ao longo da coluna vertebral, ajudando a libertar as tensões e ansiedades, acumuladas no dia-a-dia de uma forma mais negativa.