Thursday, May 9, 2013
Wednesday, May 8, 2013
Um caminho pela natureza
Após uma ausência de semanas, o
Rico e eu retomamos os habituais passeios. Estrada fora, as ânsias acalmam-se e
as cores mais vibrantes parecem dominar os campos abertos, impondo-nos a sua
alegria para o bel-prazer da alma e do olhar. Sob o sol escaldante tudo acaba
por se reiniciar em busca dum tempo futuro.
Tuesday, May 7, 2013
Grande plano
Apesar das limitações, a paisagem surge-me reanimada.
Tal como no primeiro registo, vai-se tornando cada vez mais definida e mais
paisagem. Sobrevivo ao entendimento com o imaginário e à recente ficção da
minha existência ao observar a musicalidade do pássaro que esvoaça, a borboleta
que flutua, as irresistíveis cores das flores, e os instantes feitos de luz
nesta Primavera. Reencontro a minha vida aqui, e como me sinto grata!
Wednesday, March 20, 2013
Thursday, March 14, 2013
Com o sol à espreita
Chegam como quem conhece os cantos
à casa, quando o ar dos dias aquece, atraídos pela luz do sol. De novo, voltam
a instalar-se no ninho que lhes pertence, e lhes satisfaz as demandas de um confortável
lar. A cada Primavera o meu olhar passeia entre sonhos e certezas. Sei ouvi-los,
quando se transformam na mais radiosa melodia. O que realmente mais desejo é
ser livre como um pássaro que atinge outra dimensão, mas não um pássaro
qualquer.
Wednesday, March 13, 2013
Música e palavras
Restaurado em 2006, o Teatro
Mascarenhas Gregório - local de referência da actividade cultural de Silves, foi
no fim-de-semana passado, palco da ópera “A pequena sereia”, inspirada na
fábula de Hans Christian Andersen, encenada por Gita Nasta, e interpretada por cantores
da Ideias do Levante, e alunos da Escola Internacional do Algarve. Fundado pelo
industrial corticeiro que lhe deu o nome, este espaço trata-se de uma magnífica réplica das salas de teatro construídas em finais do século XIX.
Tuesday, March 12, 2013
Monday, March 11, 2013
Memórias
A evidência da vida não é a imediata realidade mas o que a
transcende e estremece na memória.
Vergílio Ferreira In Aparição
Sunday, March 10, 2013
Tempos livres
Um jantar divertido, num local surpreendente e em boa
companhia. animaram a festa de mais um aniversário da nossa amiga Lurdes.
Saturday, March 9, 2013
Irrealidade
O amor de um pelo outro é como uma extensa sombra que se
beija, sem qualquer esperança de realidade.
Anaïs Nin
Friday, March 8, 2013
Os teus olhos
Enquanto as cidades costeiras
o coro trágico da posteridade
aspira o ar
como funcionário que se prepara
para as tarefas do dia
avisto os teus olhos
o coro trágico da posteridade
aspira o ar
como funcionário que se prepara
para as tarefas do dia
avisto os teus olhos
Os teus olhos deveriam ter nascido em épocas diferentes
em mundos diferentes
não neste lugar panorâmico e incurável
onde os sentidos são
repetidamente censurados
nestes barrancos áridos
para que o tempo passe
com todas as armas da culpa
No salva-vidas enquanto o meu navio se afunda
os teus olhos
dos quais nunca me poderia defender
erguem-se num louvor
capaz de ensurdecer para sempre
os que duvidam
José Tolentino de Mendonça in Estação Central, Assírio & Alvim
Thursday, March 7, 2013
Wednesday, March 6, 2013
Só a ausência
Caminho sem saber dos meus passos. Para um lugar onde tudo
se faz alheio. Nem noite, nem dia, nem dúvida, só a ausência. Deito-me na base
da montanha sobre um solo hostil. Não sei o que aí deixo. Os olhos fogem-me
para o alto. Transporto a flor do tojo e coloco-a aos teus pés, que se
desenham. Ganho raízes, tenacidade, loucura. Para saber como as nossas veias se
estendem e se encontram.
Silvina Rodrigues Lopes in Sobretudo as Vozes, Edições Vendaval
Tuesday, March 5, 2013
Teia de imagens
À medida que avanço, é como o
despertar dum sonho que, se desenrola perante o olhar. São caminhos únicos, que
me chegam na sequência de outros, infindáveis em várias frentes, sem fronteiras,
e marcantes por celebrarem um instante incrivelmente belo!
Monday, March 4, 2013
Sem rumo certo
Alice chegou a um jardim onde viu flores que falavam e
cantavam. Muito admirada perguntou-lhes: - Como posso crescer novamente? - Siga
em frente, responderam as flores em coro. Alice obedeceu. Andou, andou, e
encontrou em cima de um cogumelo um bichinho verde que lhe perguntou: - Que
deseja, menina? Percebendo a tristeza de Alice, o bichinho verde disse: - Coma o
cogumelo, mas só do lado direito, senão diminuí de tamanho. Minutos depois de
comer, Alice voltou ao seu tamanho normal. Muito feliz, levou consigo mais dois
pedacinhos do cogumelo. E, sem rumo certo, Alice continuou a andar.
Alice no País da Maravilhas (conto infantil)
Alice no País da Maravilhas (conto infantil)
Sunday, March 3, 2013
Enfrentar audiências
Os sinais de nervosismo são transversais a todo o ser humano, quando se trata de falar em público, e o medo nos dificulta a exposição. O nosso corpo tende a alterar-se, por vezes, gaguejamos, ficamos desprovidos de gestos e raciocínio, chegando até a ruborizar. É como se a plateia representasse um animal feroz, e ou nos limitamos a sorrir, ou nos determinamos a domá-la! Porém, enquanto o stress tóxico apenas nos intoxica, em alternativa, o stress tónico pode contribuir para uma performance feliz! Predispondo-nos ao sucesso através de pequenas técnicas, conseguimos não só dissimular cada uma das nossas inquietações, como ao esquecê-las as passamos a aplicar.
Afinal, o sucesso de qualquer discurso está em informar, entreter, saber
persuadir pelas emoções, e convencer pela razão. Foi esta a comunicação que nos
foi transmitida por Jorge Freitas, autor do livro 7 segundos, numa palestra
sobre a arte de falar em público com paixão, organizada pelo Banco do Tempo, na
Biblioteca Municipal Lídia Jorge.
Saturday, March 2, 2013
O protesto
A perda de direitos, e a ausência de horizontes e expectativas,
fez com que o acumular de tensões levasse um milhão e meio de pessoas a sair à
rua, numa manifestação pacífica que transcendeu partidos. Slogans anti-troika e
anti-austeridade foram a forma de expressão política encontrada, quando a «Grândola Vila Morena», de boca em boca, se transformou no grito de alma de um
povo.
Friday, March 1, 2013
Thursday, February 28, 2013
O golpe
Estremece-se às vezes desde o chão,
Por se ter uma navalha no bolso:
por o sexo ser sumptuoso:
por causa dos buracos luminosos na camisa,
Tem-se medo do poder
da nudez,
A finura da carne: uma unhada
no coração:
o modo de fazer rodar o quarto:
o barulho que se ouve nos canos onde
a água vive - tudo
sob a ameaça de uma riqueza
brusca
em nós, Quando um raio se desencadeia
pela coluna vertebral
abaixo, O golpe entre as madeixas
frias, Toca-se na cama:
e nunca mais se dorme, Toca-se
onde os pulmões se cosem à boca para gritar,
Às vezes tem-se o dom de fincar os pés na
paisagem
em massa, Um feixe
desenfeixa-se no avesso - estala
fora, Com que vozes se encontra a gente
quando
o pavor se faz música
ordem
exercício nominal?,
Arrancamo-nos a tudo como
se arranca a unha
a um dedo: ou o dedo à mão: ou à mão
ao gesto
amassando a terra como se penteia,
Pente que reabre a chaga e a alastra,
Que a aprofunda
como o sangue aprofunda a claridade
pequena
de um lenço, se o lenço
se molha na costura que sangra
perpetuamente, A coroa irrompe da cabeça
pelo ímpeto
da realeza animal, O choque de um astro
calcinaria tudo
- o ceptro que nos crava no mundo
o manto
o escudo
os anéis como nós de dedos,
Morre-se de alta tensão,
É o relâmpago de um troço avistado,
As voragens à força de janelas,
ou é Deus que nos olha em cheio: dentro
Herberto Helder in Ofício Cantante, Assírio & Alvim
Wednesday, February 27, 2013
Tuesday, February 26, 2013
Monday, February 25, 2013
Perseguição
Meus olhos vão atrás dela até ver, da rua, o fim.
Com ar gaiato, ela caminha apressada,
Rindo por tudo e por nada, e às vezes sorri p'ra mim…
Artur Ribeiro in Rosinha dos limões
Sunday, February 24, 2013
Protagonismo
Mérito, talento, e pessoas bonitas
e famosas da elite cinematográfica de todo o mundo, irão desfilar pela
passadeira vermelha do Kodak Theater para a gala da entrega dos Óscares. Há
quem tente adivinhar os vencedores das estatuetas douradas, madrugada fora, mas
o desfecho poderá trazer surpresas.
Saturday, February 23, 2013
Descobrir caminhos
Sigo-lhes o rasto, em delírio, tal
e qual como uma paixão que se reacende, e nunca deixa de me impressionar. O andar
ganha velocidade e leveza, e a minha alma voa ao reencontrar a magia das
amendoeiras em flor, mesmo no final dum ciclo. Soltas e felizes, uma a uma,
cada pétala se desprende para me cobrir a passagem, como se fosse um último
suspiro.
Friday, February 22, 2013
Mundo de enganos
Se me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente;
E, neste mundo de enganos,
Fala verdade quem mente.
Tu dizes que a minha boca
Já não acorda desejos,
Já não aquece outra boca,
Já não merece os teus beijos;
Mas, tem cuidado comigo,
Não procures ser ausente:
- Se me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente.
António Botto
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