Monday, June 17, 2013
Sunday, June 16, 2013
Feitas as contas
Mais do que um convívio, um dia de aniversário é
sempre um trunfo. Com sorte, pensamos, superaremos mais um ano, que tal como
este se tornará alvo de comparações. Entre vários registos de reflexão, por
vezes, fala mais alto a fascinante sequência de eventos, antigos sentimentos e
emoções, e memórias de ao longo dos tempos. A meio caminho, a dinâmica vai dissipando
fulgor, aquela frescura desarmante perde expressão, mas quando julgamos que tanto
o mundo como nós próprios nos começamos a despedaçar, debruçando-nos sobre nós
mesmos, há como que uma reconstrução a partir deste diálogo com a eternidade. Superando
erros, tomo consciência que cheguei aqui! Mais cerebral, a nova realidade
apresenta-se mais intensa do que nunca, e o que me move e inspira é um novo olhar
em articulação com o que me rodeia.
Saturday, June 15, 2013
A malva-de-três-meses
Saltam à vista,
exactamente, pela pálida cor rosada de perceptíveis e vistosas risquinhas. Nascem espontaneamente, algumas rasteiras, outras mais ousadas, trepando e enrolando-se cheias de subtileza,
aqui e ali, nos campos e nas bermas dos caminhos que, na companhia do Rico
continuo a percorrer com prazer.
Friday, June 14, 2013
Na imaginação das aves
Por ti desço até ao fundo da noite,
desenraízo o tempo, culmino numa estrela,
vivo na imaginação de todas as aves
e acendo o futuro, num gesto antecipado.
Albano Martins in O Futuro em Anos-Luz
Thursday, June 13, 2013
Plano de fuga
A fada oferecendo-se para a ajudar, recomendou-lhe que fosse ao encontro do Mágico de Oz. Dorothy calçou os sapatos
encantados, que pertenciam à Fada Má do Leste, e seguiu o caminho de tijolos
amarelos que a conduziriam até à Cidade das Esmeraldas, onde morava o Mágico de
Oz, levando o Totó consigo.
O mágico de Oz - história infantil
Wednesday, June 12, 2013
Noite de Sto. António
Santo António, Santo António
Que bonito que tu és
Vou comprar-te um manjerico
E coloca-lo a teus pés!
É noite de Santo António
Estalam foguetes no ar;
Põe o manjerico á janela
E vem para a rua dançar.
Santo António, Santo querido,
ajuda-me a bem casar
preciso de um bom marido
que me leve até ao altar!
Menina se queres casar
Reza ao Santo Antoninho
Dá-lhe um arco a brilhar
Enfeita-lh’o seu caminho.
Na noite de Santo António
Vai haver grande folia
Os pares de namorados
Vão dançar até ser dia.
Tuesday, June 11, 2013
Os monstros
Eu tenho a intuição, Aramis, de que os monstros
são as tentativas mais puras do Universo.
"Olha-os e não os mates."
Maria Gabriela LLansol in O raio sobre o lápis - Lisboa: Europália, 1991
Monday, June 10, 2013
Em declínio
Entre a realidade que gostaríamos que existisse, e o cenário
actual: mal-me-quer. Os ventos varrem a poeira por entre as ervas secas:
mal-me-quer. Um malmequer, qualquer, tremia e murmurava, quando lhe estendo a
mão: bem-me-quer. O futuro passa pela solidariedade.
Na ausência de horizontes: mal-me-quer.
O programa era medíocre, destruiu postos de trabalho e esgotou-se: mal-me-quer,
mal-me-quer. Regredimos, em ambiente de contestação.
A Europa está fragmentada, a
nossa soberania tutelada: mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer. Haverá outra
forma de pensar o país? Bem-me-quer, bem-me-quer, porque nada sobra dos
discursos face às expectativas. Nem acção, nem a real percepção dos problemas,
nem sincronia entre os que governam e os que são governados. Mal-me-quer.
Sunday, June 9, 2013
Saturday, June 8, 2013
Dentro dos meus olhos
Se terminar este poema,
partirás. Depois da
mordedura vã do meu silêncio e das pedras
que te atirei ao coração, a poesia é a última
coincidência que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a mesma neblina que impede a
memória límpida dos sonhos e confunde os
navios ao retalharem um mar desconhecido
está dentro dos meus olhos – porque é difícil
olhar para ti neste preciso instante sabendo que
não estarias aqui se eu não escrevesse. E eu, que
continuo a amar-te em surdina com essa inércia
sóbria das montanhas, ofereço-te palavras, e não
beijos, porque o poema é o único refúgio onde
podemos repetir o lume dos antigos encontros.
Mas agora pedes-me que pare, que fique por aqui,
que apenas escreva até ao fim mais esta página
(que, como as outras, será somente tua – esse
beijo que já não desejas dos meus lábios). E eu, que
aprendi tudo sobre as despedidas porque a saudade
nos faz adultos para sempre, sei que te perderei
em qualquer caso: se terminar o poema, partirás;
e, no entanto, se o interromper, desvanecer-se-á
a última coincidência que nos une.
Maria do Rosário Pedreira
mordedura vã do meu silêncio e das pedras
que te atirei ao coração, a poesia é a última
coincidência que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a mesma neblina que impede a
memória límpida dos sonhos e confunde os
navios ao retalharem um mar desconhecido
está dentro dos meus olhos – porque é difícil
olhar para ti neste preciso instante sabendo que
não estarias aqui se eu não escrevesse. E eu, que
continuo a amar-te em surdina com essa inércia
sóbria das montanhas, ofereço-te palavras, e não
beijos, porque o poema é o único refúgio onde
podemos repetir o lume dos antigos encontros.
Mas agora pedes-me que pare, que fique por aqui,
que apenas escreva até ao fim mais esta página
(que, como as outras, será somente tua – esse
beijo que já não desejas dos meus lábios). E eu, que
aprendi tudo sobre as despedidas porque a saudade
nos faz adultos para sempre, sei que te perderei
em qualquer caso: se terminar o poema, partirás;
e, no entanto, se o interromper, desvanecer-se-á
a última coincidência que nos une.
Maria do Rosário Pedreira
Friday, June 7, 2013
O desejo da velocidade
O que, à
partida, parecia um curto percurso é, apesar de tudo, um exercício de
aproximação. Registo-o, à deriva, entre as fissuras das rochas, ou no topo de
um pauzinho, preciso e belo, cheio de segurança e serenidade, em escorregadia
fluidez. Vindo de um outro horizonte, parece querer atravessar a geografia invisível,
com os pauzinhos ao sol. Apesar de lento, num ápice, configura um caminho,
movendo-se com esforço, em muitos campos e em diversas direcções, criando a
ilusão de um movimento intenso.
Thursday, June 6, 2013
A lenda
Ainda não fui, mas o tema, deste ano, do Festival
Internacional de Esculturas na Areia, em Pêra – o maior do género em todo o
mundo e único na Península Ibérica é a música! E, quem, senão a mais famosa
estrela de rock and roll para homenagear!? Porém, visitei já, em 2004, Graceland - a sua
residência oficial, de 1957 a 1977, quando morreu, em Memphis, Tennessee. No
melhor estilo colonial americano, a mansão de Graceland inserida num espaço de
17 hectares, vai muito para além do simples kitsch, tornando-se num verdadeiro
santuário visitado diariamente por uma verdadeira legião de fãs.
Wednesday, June 5, 2013
Botão-azul
De aparência leve, a sua presença é bem
ilustrativa nos diferentes cenários do meu quotidiano, pela forma como se
movimentam, ao sabor da brisa, ganhando elegância, entre as pedras, ou à beira dos caminhos, que
percorro.
Tuesday, June 4, 2013
Coisas mudas
Dá-me algo mais que silêncio
ou doçura
Algo que tenhas e não saibas
Não quero dádivas raras
Dá-me uma pedra.
Não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há coisas mudas
ocultas no que se diz
Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!
Herberto Helder
Não quero dádivas raras
Dá-me uma pedra.
Não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há coisas mudas
ocultas no que se diz
Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!
Herberto Helder
Monday, June 3, 2013
Pequenos Gigantes
No âmbito das comemorações do dia mundial da criança, teve lugar no passado sábado dia 1 de Junho, a apresentação da obra «Os pequenos gigantes» dos alunos das escolas do concelho de Albufeira, seguido de uma pequena dramatização da adaptação do conto de António Torrado «O pinto Pintão».
Friday, May 31, 2013
Voltinhas
Ó Rosa, arredonda a saia,
Ó Rosa, arredonda-a bem!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Olha a roda que ela tem
Ó Rosa, arredonda-a bem!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Olha a roda que ela tem
Olha a roda que ela tem,
Olha a roda que ela tinha!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Que fique bem redondinha!
Olha a roda que ela tinha!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Que fique bem redondinha!
[Refrão]
A saia que traz vestida,
É bonita e bem feita,
Não é curta, nem comprida,
Não é larga, nem estreita.
É bonita e bem feita,
Não é curta, nem comprida,
Não é larga, nem estreita.
Thursday, May 30, 2013
Wednesday, May 29, 2013
A aura das horas
O passado não existe. Assim me acontece às vezes que toda a
minha vida de outrora se me revela ilegível: o que a forma não são factos,
sentimentos que se analisem ou reconheçam, mas os ecos alarmantes de um
labirinto onde a chuva, o sol ou o vento repercutem e quase criam uma estranha
vibração. São vozes que me chamam dos quatro cantos do espaço e eu não ouço
senão quando a aura das horas mas lembra.
Vergílio Ferreira in Aparição
Tuesday, May 28, 2013
Olhar panorâmico
Suspensas no
ar, as nuvens são uma janela rasgada que, acompanho com o olhar. Emergem no
céu, à deriva, perdidas num espaço em dispersão que, jamais, se esgota. O seu
caminho é incerto e, dominam-me a atenção através das mais inesperadas imagens,
com diferentes possibilidades de leitura, misto de estranheza e fascínio.
Monday, May 27, 2013
O sabor do sempre
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto in Raiz de Orvalho e Outros Poemas
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto in Raiz de Orvalho e Outros Poemas
Sunday, May 26, 2013
Saturday, May 25, 2013
Para além do tempo e matéria
A Brahma Kumaris proporcionou, uma vez mais,
a palestra «Além das influências», na Biblioteca Lídia Jorge, através da qual
nos demonstrou o quão importante são os nossos pensamentos. Nesta altura de
transição é importante distanciarmo-nos das situações menos positivas do
exterior que, tanta inquietação nos causam, para tentarmos desenvolver uma
disciplina interior que, nos leve a relembrar quem somos na realidade. Quanto
mais focados no exercício do silêncio e meditação, mais facilmente
experimentamos a paz e o equilíbrio, tornando-nos mais capazes de enfrentar o
desafios da vida.
A luz para iluminar o caminho está bem próxima: dentro de nós. Somos seres de luz. Quando conseguimos acender a percepção das nossas qualidades, todo o cenário se transforma. A vida adquire novas nuances. A alma humana inunda-se de beleza.
Brahma Kumaris
Friday, May 24, 2013
Pelas bermas dos caminhos
No decurso dos passeios, a Primavera
presenteia-nos com pequenos gestos de subtileza. Num jogo de composições
aleatórias, enrolam-se, graciosamente, em estruturas de arame, florescendo até
uma posição cimeira.
Thursday, May 23, 2013
As formas que ninguém ouve
O corpo tem
degraus, todos eles inclinados
milhares de
lembranças do que lhe aconteceu
tem filiação,
geometria
um desabamento
que começa do avesso
e formas que
ninguém ouve
O corpo nunca é
o mesmo
ainda quando se
repete:
de onde vem
este braço que toca no outro,
de onde vêm
estas pernas entrelaçadas
como alcanço
este pé que coloco adiante?
Não aprendo com
o corpo a levantar-me,
aprendo a cair
e a perguntar
José Tolentino Mendonça
Wednesday, May 22, 2013
Instante
És tu a Primavera que eu esperava,
A vida
multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e
perfeito cada instante.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Tuesday, May 21, 2013
Vigilância
Perguntarás aos peixes
como se dorme
de olhos abertos. Porque o sono
dos vivos é um fosso
de víboras
insones. E precisas
por isso
de estar atento. De dormir
acordado.
albano martins
Monday, May 20, 2013
Jogos de mãos e pés
As palmas, os sons do sapateado e suas combinações
rítmicas, imprimem-lhe a força. Pernas e braços esguios improvisam-lhe os gestos
numa contorção de corpos que, harmoniosamente rodopiam diante mim. Os trajes
coloridos, os leques e as mantilhas, conferem-lhe a elegância e graciosidade,
recriando o ambiente de festa andaluza. A essência do flamenco vai muito para
além da coreografia em palco. A sensualidade dos movimentos e voltas não só nos
conquista como se perpetua com o decorrer dos tempos
Subscribe to:
Posts (Atom)
















