Crescem selvagens, em várias
direcções, cobertos de espinhos, de onde também surgem flores deslumbrantes com
pétalas amarelas ou alaranjadas. No meu caminho dos cactos, os frutos, quando
maduros, são alongados e carnudos, apresentando cor roxa de polpa refrescante e
sabor exótico aos quais se atribuem não só propriedades curativas como afrodisíacas!
Aqui, nas mais quentes e áridas regiões, onde eu e o Rico nos encontramos, os
cactos (de altura média de uma pessoa) têm servido, até aos nossos dias, para
demarcar os terrenos uns dos outros, e nos deliciar com todo o seu colorido e
magia.
Saturday, June 29, 2013
Friday, June 28, 2013
Thursday, June 27, 2013
Se te pedirem
Se te pedirem, amor, se te pedirem
que contes a velha
história
da nau que partiu
e se perdeu,
não contes, amor, não
contes
que o mar és tu
e a nau sou eu.
Fernanddo Namora
Wednesday, June 26, 2013
Pedaço de vida
Vulgarmente designada por orquídea
selvagem, a anacamptis pyramidalis não se restringe a um maravilhoso colorido
arroxeado. Ao seguir-lhe o rasto pelo ligeiro aroma adocicado, observo como a fragilidade
da sua singular forma de pirâmide, se projecta num jogo de imagens de sonho, na
lentidão do tempo.
Tuesday, June 25, 2013
Experiência gastronómica
Visualmente muito apelativa, a
cozinha japonesa não se limita ao sushi. Elaborada com arte, sofisticação e
requinte, desperta-nos os sentidos mais adormecidos, através das suas cores,
aromas e delicados sabores. A não perder.
Monday, June 24, 2013
O bafo no rosto
Quero um erro de gramática
que refaça
na metade luminosa o poema do mundo,
e que Deus mantenha oculto na metade nocturna
o erro do erro:
alta voltagem do ouro,
bafo no rosto.
Herberto Helder in Ofício Cantante - Poesia Completa, 2009
na metade luminosa o poema do mundo,
e que Deus mantenha oculto na metade nocturna
o erro do erro:
alta voltagem do ouro,
bafo no rosto.
Herberto Helder in Ofício Cantante - Poesia Completa, 2009
Sunday, June 23, 2013
A nu
Irá surgir-nos diferente, de uma beleza inusitada, quebrando
a monotonia de outras noites. Tantas vezes esquecida, entre a luz e as trevas a
sua proximidade será maior, e iremos redescobri-la, através de mil e um olhares
que, sobre ela incidirão lançando sobre o mar a sua gigantesca sombra.
Saturday, June 22, 2013
Aprender a meditar
A energia da alma está
relacionada com os nossos valores originais. É ela que nos guia e dá qualidade
aos nossos pensamentos. Para que eu me possa recolher é crucial entender que
não preciso ficar apegado aos acontecimentos rotineiros ou às marés da vida. A
meditação ajuda-me a construir esse poder. Aprendo a ficar mais quieto. Desenvolvo
uma disciplina interior. Distancio-me da influência das situações externas que
me prendem nas teias dos sentimentos e emoções. Ao alcançar esta dimensão
interna, desfrutarei de liberdade e da verdadeira essência do ser.
Friday, June 21, 2013
Thursday, June 20, 2013
Todos os sonhos
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa in Tabacaria
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa in Tabacaria
Wednesday, June 19, 2013
À tona de água
Atirávamos pedras
à água para o silêncio vir à tona.
O mundo, que os sentidos tonificam,
surgia-nos então todo enterrado
na nossa própria carne, envolto
por vezes em ferozes transparências
que as pedras acirravam
sem outro intuito além do de extraírem
às águas o silêncio que as unia.Luís Miguel Nava
Tuesday, June 18, 2013
Noite de jazz
Para atrasar a morte vamos abrir a noite
com música de
jazz Percorrê-la depois
num barco de borracha Celebrar o segredo
num barco de borracha Celebrar o segredo
Enforcar a
memória Descobrir de repente
uma ilha que nasce
dentro do teu vestido
Chamar-lhe
Madrugada Adormecer contigo
David Mourão-Ferreira
Monday, June 17, 2013
Sunday, June 16, 2013
Feitas as contas
Mais do que um convívio, um dia de aniversário é
sempre um trunfo. Com sorte, pensamos, superaremos mais um ano, que tal como
este se tornará alvo de comparações. Entre vários registos de reflexão, por
vezes, fala mais alto a fascinante sequência de eventos, antigos sentimentos e
emoções, e memórias de ao longo dos tempos. A meio caminho, a dinâmica vai dissipando
fulgor, aquela frescura desarmante perde expressão, mas quando julgamos que tanto
o mundo como nós próprios nos começamos a despedaçar, debruçando-nos sobre nós
mesmos, há como que uma reconstrução a partir deste diálogo com a eternidade. Superando
erros, tomo consciência que cheguei aqui! Mais cerebral, a nova realidade
apresenta-se mais intensa do que nunca, e o que me move e inspira é um novo olhar
em articulação com o que me rodeia.
Saturday, June 15, 2013
A malva-de-três-meses
Saltam à vista,
exactamente, pela pálida cor rosada de perceptíveis e vistosas risquinhas. Nascem espontaneamente, algumas rasteiras, outras mais ousadas, trepando e enrolando-se cheias de subtileza,
aqui e ali, nos campos e nas bermas dos caminhos que, na companhia do Rico
continuo a percorrer com prazer.
Friday, June 14, 2013
Na imaginação das aves
Por ti desço até ao fundo da noite,
desenraízo o tempo, culmino numa estrela,
vivo na imaginação de todas as aves
e acendo o futuro, num gesto antecipado.
Albano Martins in O Futuro em Anos-Luz
Thursday, June 13, 2013
Plano de fuga
A fada oferecendo-se para a ajudar, recomendou-lhe que fosse ao encontro do Mágico de Oz. Dorothy calçou os sapatos
encantados, que pertenciam à Fada Má do Leste, e seguiu o caminho de tijolos
amarelos que a conduziriam até à Cidade das Esmeraldas, onde morava o Mágico de
Oz, levando o Totó consigo.
O mágico de Oz - história infantil
Wednesday, June 12, 2013
Noite de Sto. António
Santo António, Santo António
Que bonito que tu és
Vou comprar-te um manjerico
E coloca-lo a teus pés!
É noite de Santo António
Estalam foguetes no ar;
Põe o manjerico á janela
E vem para a rua dançar.
Santo António, Santo querido,
ajuda-me a bem casar
preciso de um bom marido
que me leve até ao altar!
Menina se queres casar
Reza ao Santo Antoninho
Dá-lhe um arco a brilhar
Enfeita-lh’o seu caminho.
Na noite de Santo António
Vai haver grande folia
Os pares de namorados
Vão dançar até ser dia.
Tuesday, June 11, 2013
Os monstros
Eu tenho a intuição, Aramis, de que os monstros
são as tentativas mais puras do Universo.
"Olha-os e não os mates."
Maria Gabriela LLansol in O raio sobre o lápis - Lisboa: Europália, 1991
Monday, June 10, 2013
Em declínio
Entre a realidade que gostaríamos que existisse, e o cenário
actual: mal-me-quer. Os ventos varrem a poeira por entre as ervas secas:
mal-me-quer. Um malmequer, qualquer, tremia e murmurava, quando lhe estendo a
mão: bem-me-quer. O futuro passa pela solidariedade.
Na ausência de horizontes: mal-me-quer.
O programa era medíocre, destruiu postos de trabalho e esgotou-se: mal-me-quer,
mal-me-quer. Regredimos, em ambiente de contestação.
A Europa está fragmentada, a
nossa soberania tutelada: mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer. Haverá outra
forma de pensar o país? Bem-me-quer, bem-me-quer, porque nada sobra dos
discursos face às expectativas. Nem acção, nem a real percepção dos problemas,
nem sincronia entre os que governam e os que são governados. Mal-me-quer.
Sunday, June 9, 2013
Saturday, June 8, 2013
Dentro dos meus olhos
Se terminar este poema,
partirás. Depois da
mordedura vã do meu silêncio e das pedras
que te atirei ao coração, a poesia é a última
coincidência que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a mesma neblina que impede a
memória límpida dos sonhos e confunde os
navios ao retalharem um mar desconhecido
está dentro dos meus olhos – porque é difícil
olhar para ti neste preciso instante sabendo que
não estarias aqui se eu não escrevesse. E eu, que
continuo a amar-te em surdina com essa inércia
sóbria das montanhas, ofereço-te palavras, e não
beijos, porque o poema é o único refúgio onde
podemos repetir o lume dos antigos encontros.
Mas agora pedes-me que pare, que fique por aqui,
que apenas escreva até ao fim mais esta página
(que, como as outras, será somente tua – esse
beijo que já não desejas dos meus lábios). E eu, que
aprendi tudo sobre as despedidas porque a saudade
nos faz adultos para sempre, sei que te perderei
em qualquer caso: se terminar o poema, partirás;
e, no entanto, se o interromper, desvanecer-se-á
a última coincidência que nos une.
Maria do Rosário Pedreira
mordedura vã do meu silêncio e das pedras
que te atirei ao coração, a poesia é a última
coincidência que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a mesma neblina que impede a
memória límpida dos sonhos e confunde os
navios ao retalharem um mar desconhecido
está dentro dos meus olhos – porque é difícil
olhar para ti neste preciso instante sabendo que
não estarias aqui se eu não escrevesse. E eu, que
continuo a amar-te em surdina com essa inércia
sóbria das montanhas, ofereço-te palavras, e não
beijos, porque o poema é o único refúgio onde
podemos repetir o lume dos antigos encontros.
Mas agora pedes-me que pare, que fique por aqui,
que apenas escreva até ao fim mais esta página
(que, como as outras, será somente tua – esse
beijo que já não desejas dos meus lábios). E eu, que
aprendi tudo sobre as despedidas porque a saudade
nos faz adultos para sempre, sei que te perderei
em qualquer caso: se terminar o poema, partirás;
e, no entanto, se o interromper, desvanecer-se-á
a última coincidência que nos une.
Maria do Rosário Pedreira
Friday, June 7, 2013
O desejo da velocidade
O que, à
partida, parecia um curto percurso é, apesar de tudo, um exercício de
aproximação. Registo-o, à deriva, entre as fissuras das rochas, ou no topo de
um pauzinho, preciso e belo, cheio de segurança e serenidade, em escorregadia
fluidez. Vindo de um outro horizonte, parece querer atravessar a geografia invisível,
com os pauzinhos ao sol. Apesar de lento, num ápice, configura um caminho,
movendo-se com esforço, em muitos campos e em diversas direcções, criando a
ilusão de um movimento intenso.
Thursday, June 6, 2013
A lenda
Ainda não fui, mas o tema, deste ano, do Festival
Internacional de Esculturas na Areia, em Pêra – o maior do género em todo o
mundo e único na Península Ibérica é a música! E, quem, senão a mais famosa
estrela de rock and roll para homenagear!? Porém, visitei já, em 2004, Graceland - a sua
residência oficial, de 1957 a 1977, quando morreu, em Memphis, Tennessee. No
melhor estilo colonial americano, a mansão de Graceland inserida num espaço de
17 hectares, vai muito para além do simples kitsch, tornando-se num verdadeiro
santuário visitado diariamente por uma verdadeira legião de fãs.
Wednesday, June 5, 2013
Botão-azul
De aparência leve, a sua presença é bem
ilustrativa nos diferentes cenários do meu quotidiano, pela forma como se
movimentam, ao sabor da brisa, ganhando elegância, entre as pedras, ou à beira dos caminhos, que
percorro.
Tuesday, June 4, 2013
Coisas mudas
Dá-me algo mais que silêncio
ou doçura
Algo que tenhas e não saibas
Não quero dádivas raras
Dá-me uma pedra.
Não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há coisas mudas
ocultas no que se diz
Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!
Herberto Helder
Não quero dádivas raras
Dá-me uma pedra.
Não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há coisas mudas
ocultas no que se diz
Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!
Herberto Helder
Monday, June 3, 2013
Pequenos Gigantes
No âmbito das comemorações do dia mundial da criança, teve lugar no passado sábado dia 1 de Junho, a apresentação da obra «Os pequenos gigantes» dos alunos das escolas do concelho de Albufeira, seguido de uma pequena dramatização da adaptação do conto de António Torrado «O pinto Pintão».
Friday, May 31, 2013
Voltinhas
Ó Rosa, arredonda a saia,
Ó Rosa, arredonda-a bem!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Olha a roda que ela tem
Ó Rosa, arredonda-a bem!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Olha a roda que ela tem
Olha a roda que ela tem,
Olha a roda que ela tinha!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Que fique bem redondinha!
Olha a roda que ela tinha!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Que fique bem redondinha!
[Refrão]
A saia que traz vestida,
É bonita e bem feita,
Não é curta, nem comprida,
Não é larga, nem estreita.
É bonita e bem feita,
Não é curta, nem comprida,
Não é larga, nem estreita.
Thursday, May 30, 2013
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