Tuesday, February 9, 2016

Monday, February 8, 2016

Algo incompreensível

De súbito extinguiu-se qualquer coisa,
soltou-se qualquer peça de uma máquina incompreensível
de que dependia, afinal, a minha vida;
tornou-se tudo demasiadamente literal,
até eu estar ali, sem compreender;
e até eu não compreender parecia
algo inteiramente incompreensível;
o mundo, que via pela primeira vez,
via-o através de uns olhos que não me pertenciam,
que não pertenciam, porque eu próprio era
um acontecimento incompreensível acontecendo,
algo que me acontecia não sabia a quem;
o comboio afastava-se levando-te
para fora de mim como alguém sonhando,
e eu e tudo o que de mim sabia desaparecera
e ficara um sítio vazio
onde as últimas horas da tarde
como aves extenuadas pousavam.


Manuel António Pina in Atropelamento e Fuga - 2001



Sunday, February 7, 2016

Saturday, February 6, 2016

Sinfonias


Friday, February 5, 2016

Momento de pausa


Thursday, February 4, 2016

Na dispersão

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser

Mia Couto

Wednesday, February 3, 2016

Tuesday, February 2, 2016

Monday, February 1, 2016

Olé


Sunday, January 31, 2016

Friday, January 29, 2016

Revivendo os anos 60


Thursday, January 28, 2016

O que não é

O silêncio só raramente é vazio
diz alguma coisa
diz o que não é 


José Tolentino Mendonça

Wednesday, January 27, 2016

Natureza


Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!


Florbela Espanca

Tuesday, January 26, 2016

Contigo

Ah, poder falar do teu corpo. Perder o pé da realidade. Fechar à volta uma cortina para que nada de ti me fugisse e ficar eu só diante de ti. Sinto agora alguém dentro de mim a perguntar e depois? que é que aconteceu? Sei lá o que aconteceu, quero lá saber. Quero é estar contigo no nada do tudo o que acontecer. Saturar-me da tua presença. E ver-te. E ver-te. Que importa o que «acontece»?”

Vergílio Ferreira in Em Nome da Terra

Monday, January 25, 2016

Ponto de encontro

Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.


José Saramago

Sunday, January 24, 2016

A qualquer momento


Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar.


Rubem Alves

Saturday, January 23, 2016

Friday, January 22, 2016

Ensaio aberto


Thursday, January 21, 2016

Wednesday, January 20, 2016

Leve e vaga

Serei leve e vaga, como o que se sente e não se entende...


 Clarice Lispector

Tuesday, January 19, 2016

As minhas mãos traziam

Lembro-me da música dos lugares a oeste
dos planos para esse reino amado
que pretendemos tanto tomar de assalto
antes dos brados do fogo

Mas as minhas mãos traziam já
uma sina mais escura, nem a noite

Qualquer penumbra serviu
ao meu coração oculto
a miséria do inverno
o treino dos falcões nas escarpas
a glória iludida
em que se consumiu o tempo



José Tolentino Mendonça in A noite abre meus olhos 

Friday, January 15, 2016

Um chá


Thursday, January 14, 2016

Paraíso


O paraíso não é um lugar, é um breve momento que conquistamos.


Mia Couto

Wednesday, January 13, 2016

Todos os dias

Tudo parece surgir do abstracto, começando pela magia duma máquina fotográfica que, capta muitas das imagens. Sem propósitos definidos e sem obrigatoriedade para cumprir, mais adiante revisita memórias num regresso ao que fomos e para além da criatividade ou da ficção, vai, num momento ou outro, galgando fronteiras. E já lá vão 8 anos.

Tuesday, January 12, 2016

O papel principal


Monday, January 11, 2016

O irrepetível

Chegou-nos de um outro lugar e de um outro tempo tornando-se numa referência e inspiração para toda uma geração. Através de uma imagem ousada e inimitável sempre se soube reinventar. David Bowie foi um criativo até final e a sua música continuará connosco eternamente. 

Sunday, January 10, 2016

Memórias

"Tenho recordações de que não me lembro: são as mais belas."


Maria Gabriela Llansol

Saturday, January 9, 2016

O lado de Nietzsche


O lado mais claramente compreensível da linguagem não é a palavra em si, mas a sonoridade, a intensidade, a modulação, o ritmo com que as palavras encadeadas são pronunciadas - em resumo, a música por detrás das palavras, a paixão por detrás desta música, a pessoa por detrás dessa paixão: tudo aquilo, portanto, que não pode ser escrito. Por isso, a escrita nunca nos levará muito longe.

Nietzsche