Saturday, October 10, 2015
Friday, October 9, 2015
Thursday, October 8, 2015
Os jogos de sobrevivência
Os tempos eram difíceis e
instáveis e a realidade, por vezes, obrigava-os a recuar. O mais importante era
dar esperança para que as coisas pudessem mudar. Encontrar formas de
entendimento e consensos sem perder a capacidade negocial, levava-os a escancarar
todas as portas. Dentro dos cenários possíveis só um acordo sustentável,
eventualmente, os poderia salvar.
Wednesday, October 7, 2015
Tuesday, October 6, 2015
A outra verdade
O poema é um
exercício de dissidência, uma profissão de incredulidade na omnipotência do
visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há
poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido. O poema obriga a
pernoitar na solidão dos bosques, em campos nevados, por orlas intactas. Que
outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo? O
poema não busca o inexprimível: não há piedoso que, na agitação da sua piedade,
não o procure. O poema devolve o inexprimível. O poema não alcança aquela
pureza que fascina o mundo. O poema abraça precisamente aquela impureza que o
mundo repudia.
José Tolentino
Mendonça
Monday, October 5, 2015
Sunday, October 4, 2015
A reflexão
Saturday, October 3, 2015
Um lado de tudo
o
que o coração procura,
como
poderei não
saber
o que não sei?
Estou
cada vez mais longe de qualquer coisa,
regressarei
alguma vez
a
tudo o que há-de vir?
O
que está atrás de ti
e
a tua imagem
que
o Futuro persegue.
Este
é um lado de tudo
e
o outro é o mesmo e o outro.
Manuel
António Pina in Aquele que quer morrer,
1978 - Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2001
Friday, October 2, 2015
Thursday, October 1, 2015
Wednesday, September 30, 2015
Ondas ordenadas
Mal de te
amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Que nenhuma
estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu
criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de
Mello Breyner Andresen
Tuesday, September 29, 2015
Monday, September 28, 2015
Desde
Desde que te amo, o mundo inteiro te pertence. Por isso, nunca cheguei a dar-te nada. Apenas devolvi.
Mia Couto in A Confissão da leoa
Sunday, September 27, 2015
Saturday, September 26, 2015
Wednesday, September 23, 2015
Monday, September 21, 2015
Sunday, September 20, 2015
Saturday, September 19, 2015
A fome
O dia aproximava-se vagarosamente
do final ainda que num movimento fluído. Debruçada sobre a mesa, à sua frente,
entre cadeiras encontravam-se os figos. Alguns cortados ao meio e outros em
quartos. Mas todos eles escuros. E também carnudos. Alguns com mel. Ouvia-se o murmúrio
melódico da brisa e num curto prazo o prato ficou vazio pairando no ar as
reflexões que a tarde, uma a uma, ia aglutinando.
Friday, September 18, 2015
O desânimo
Alice
sentia-se tão desesperada que estava pronta para pedir ajuda a qualquer um, até
que quando avistou o Coelho, em voz baixa, tentou suplicar-lhe um «por favor…». Mas,
com a pressa com que o Coelho ia, deixou cair as luvas brancas e o leque que
levava, desaparecendo na escuridão. Alice apanhou-os e, como a
sala estava muito quente, começou a abanar-se cansada de estar sozinha.
Lewis Carroll in Alice no País das Maravilhas
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