Wednesday, October 14, 2015

A separação

Porque é sempre de nós que nos separamos quando deixamos alguém.


Álvaro de Campos

Tuesday, October 13, 2015

Monday, October 12, 2015

Outubro


De amor nada mais resta que um Outubro 
e quanto mais amada mais desisto: 
quanto mais tu me despes mais me cubro 
e quanto mais me escondo mais me avisto. 

Natália Correia

Saturday, October 10, 2015

Noite de Jazz



Friday, October 9, 2015

Não há

Não há estrada que te leve onde não queiras ir.

Tristão de Andrade

Thursday, October 8, 2015

Os jogos de sobrevivência

Os tempos eram difíceis e instáveis e a realidade, por vezes, obrigava-os a recuar. O mais importante era dar esperança para que as coisas pudessem mudar. Encontrar formas de entendimento e consensos sem perder a capacidade negocial, levava-os a escancarar todas as portas. Dentro dos cenários possíveis só um acordo sustentável, eventualmente, os poderia salvar.

Wednesday, October 7, 2015

Tuesday, October 6, 2015

A outra verdade

O poema é um exercício de dissidência, uma profissão de incredulidade na omnipotência do visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido. O poema obriga a pernoitar na solidão dos bosques, em campos nevados, por orlas intactas. Que outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo? O poema não busca o inexprimível: não há piedoso que, na agitação da sua piedade, não o procure. O poema devolve o inexprimível. O poema não alcança aquela pureza que fascina o mundo. O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia.

José Tolentino Mendonça


Monday, October 5, 2015

Passa por aí

«O lobo será sempre mau se apenas ouvirmos a versão do capuchinho vermelho»

Sunday, October 4, 2015

A reflexão

Na véspera optou por não reflectir e saiu de casa para ir dançar. O local não era nem de perto nem de longe um dos seus preferidos mas para o caso servia para lhe aclarar as ideias. Encontrava-se apinhado de alemães, de classe média baixa, duma geração para além da sua. A música era ao vivo, por parte de um elemento masculino que donde ela estava não dava para enxergar e três mulheres que trajavam mini vestidos pretos e botas um pouco acima do joelho. Cantavam demasiado alto e em alemão versões dos Abba e do Lionel Richie que todo o mundo parecia saber de cor e ao contrário dela, apreciar. No bar não havia mãos a medir para saciar tanta sede, motivada pela inclusão das bebidas com o entretenimento de cada uma das noites da estadia de toda aquela gente. Parte da sua visão resumia-se à exiguidade do espaço e à falta de reconhecimento em quem votar no dia seguinte. Afinal a política é feita por todos os que a fazem mas sem quaisquer garantias.

Saturday, October 3, 2015

Um lado de tudo

É a solidão
o que o coração procura,
como poderei não
saber o que não sei?

Estou cada vez mais longe de qualquer coisa,
regressarei alguma vez
a tudo o que há-de vir?
O que está atrás de ti

e a tua imagem
que o Futuro persegue.
Este é um lado de tudo
e o outro é o mesmo e o outro.


Manuel António Pina in Aquele que quer morrer, 1978 - Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2001

Friday, October 2, 2015

Metamorfoses


Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.


Rubem Alves

Thursday, October 1, 2015

Uma cena de pontas


Wednesday, September 30, 2015

Ondas ordenadas

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
 Onde tudo nos quebra e emudece
 Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
 Que nenhum deus se lembre do teu nome
 Que nem o vento passe onde tu passas.


Para ti eu criarei um dia puro
 Livre como o vento e repetido
 Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Tuesday, September 29, 2015

Monday, September 28, 2015

Desde

Desde que te amo, o mundo inteiro te pertence. Por isso, nunca cheguei a dar-te nada. Apenas devolvi.


Mia Couto in A Confissão da leoa

Sunday, September 27, 2015

Domingo na praia


Saturday, September 26, 2015

Wednesday, September 23, 2015

A escadaria

Então eu beijo, degrau a degrau, a escadaria daquele corpo.

Herberto Helder

Monday, September 21, 2015

O soltar de um grito