Saturday, July 23, 2016
Friday, July 22, 2016
Tuesday, July 19, 2016
Sunday, July 17, 2016
Saturday, July 16, 2016
Friday, July 15, 2016
Thursday, July 14, 2016
O urdir do tempo
Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.
Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.
Minhas irmãs faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.
Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípio
de esplendor.
Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.
Herberto Helder
Wednesday, July 13, 2016
Tuesday, July 12, 2016
Monday, July 11, 2016
O mundo inteiro
"Desde que te amo, o mundo inteiro te pertence. Por isso, nunca cheguei a dar- te nada. Apenas devolvi."
Mia Couto
Sunday, July 10, 2016
Friday, July 8, 2016
Thursday, July 7, 2016
Wednesday, July 6, 2016
A nuvem que voa
A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal
soa,
A vida é sombra que
foge,
A vida é nuvem que
voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a
neve
E como o fumo se
esvai:
A vida dura num
momento,
Mais leve que o
pensamento,
A vida leva-a o
vento,
A vida é folha que
cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela
cadente,
Voa mais leve que a
ave:
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos
mares,
Uma após outra
lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale
impelida
A vida o vento levou!
João de Deus
Tuesday, July 5, 2016
Monday, July 4, 2016
O mar largo
Passavam pelo ar aves repentinas,
O cheiro da terra era
fundo e amargo,
E ao longe as
cavalgadas do mar largo
Sacudiam na areia as
suas crinas.
Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,
Era a carne das
árvores elástica e dura,
Eram as gotas de
sangue da resina
E as folhas em que a
luz se descombina.
Eram os caminhos num ir lento,
Eram as mãos profundas
do vento
Era o livre e luminoso
chamamento
Da asa dos espaços
fugitiva.
Eram os pinheirais onde o céu poisa,
Era o peso e era a cor
de cada coisa,
A sua quietude, secretamente
viva,
E a sua exalação
afirmativa.
Era a verdade e a força do mar largo,
Cuja voz, quando se
quebra, sobe,
Era o regresso sem fim
e a claridade
Das praias onde a
direito o vento corre.
Sophia de
Mello Breyner Andresen in Paisagem
Sunday, July 3, 2016
Saturday, July 2, 2016
Friday, July 1, 2016
Thursday, June 30, 2016
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