Tuesday, October 14, 2008

Irrepetível

Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.



Eugénio de Andrade

Saturday, October 11, 2008

O equilíbrio do ser


O stress do dia-a-dia, as tensões familiares, ou do trabalho, e uma alimentação menos saudável levam-nos por vezes a situações negativas de depressão, ansiedade, ou medo. Através de um workshop que teve esta tarde lugar na Biblioteca Municipal de Albufeira constatei que o Reiki poderá ser uma forma eficaz na reposição do nosso equilíbrio energético. Conjuntamente com outra terapia convencional este método alternativo milenar, de cura natural pelas mãos, atenua possíveis efeitos secundários da medicação, olhando o indivíduo como um todo, e melhorando o seu bem-estar. Na totalidade são sete os pontos de energia de diferentes vibrações, localizados ao longo da coluna vertebral do corpo humano. Em constante movimento representam diferentes aspectos do corpo, da alma e do espírito.
A maior parte das doenças são exactamente decorrentes do desequilíbrio dos chakras, e é aqui que o Reiki como energia inteligente pode ter um papel fundamental promovendo a recuperação. Namasté!
Para mais informações pode consultar o site do Mestre Viktor em:
www.mestreviktor.blogs.sapo.pt

Insuficiências


Um gesto sem paisagem
Sem horizonte ou casa
Sem o outro
Não chega a ser um gesto
Será talvez um esgar
Um grito que sufoca
Tal como um rio se perde
Sem as suas margens



António Ramos Rosa

Friday, October 10, 2008

Divindades

… com braços de flor,
Vinde aqui, Graças
Filhas de Zeus…


Safo

Thursday, October 9, 2008

O céu dele

O senhor Henri, entretanto, pousou os binóculos e tirou da sua mochila uma garrafa de absinto.
Depois de beber umas boas goladas o senhor Henri disse: que belo eclipse! E bebeu mais umas goladas.
Deitado no chão à espera que algo acontecesse no céu o senhor Henri acabou por fechar os olhos e adormecer.
Quando acordou pegou na sua mochila e na sua garrafa de absinto e retirou-se.
Tive um eclipse privado, disse o senhor Henri para si próprio, satisfeitíssimo com os astros que conseguira ver no seu céu particular.


Gonçalo M. Tavares

Wednesday, October 8, 2008

Beijos e feitiços/Kisses and Spells

O príncipe chega finalmente à sala onde a bela princesa dormia profundamente. Durante longo tempo olha-a fixamente, tão cheia de serenidade, tão pacífica, encantadora e pura, sentindo a Primavera no seu coração, e o amor que sempre procurou sem nunca achar. Vencido pela emoção, aproxima-se dela, segura-lhe a mãozinha branca, e beija-a suavemente...
Ao receber o beijo, a princesa abre rapidamente os olhos, e despertando do seu longo sono, vendo o príncipe junto dela, murmura:
"Oh, finalmente chegaste! Aguardava por ti no meu sonho. Esperei tanto!"
Naquele momento, o feitiço foi quebrado. A princesa levantou-se segurando a mão do príncipe. E o castelo inteiro despertou também.


The Prince finally reached the room where the beautiful Princess lay fast asleep. For a long time he stood gazing at her face, so full of serenity, so peaceful, lovely and pure, and he felt spring to his heart that love he had always been searching for and never found. Overcome by emotion, he went close, lifted the girl's little white hand and gently kissed it . . .
At that kiss, the princess quickly opened her eyes, and wakening from her long sleep, seeing the Prince beside her, murmured:
"Oh, you have come at last! I was waiting for you in my dream. I've waited so long!"
Just then, the spell was broken. The Princess rose to her feet, holding out her hand to the Prince. And the whole castle woke up too.

Monday, October 6, 2008

Improvisando

Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para quem o poema acabe.



Nuno Júdice

Saturday, October 4, 2008

Friday, October 3, 2008

Em bicos de pés

Colhe
todo o oiro do dia
na haste mais alta
da melancolia.


Eugénio de Andrade

Thursday, October 2, 2008

Atlantis

A ilha submersa

Ninguém tem a certeza de que existiu, mas há 2.400 anos Platão mencionou-a pela 1ª vez, e ainda hoje continua a encantar a humanidade. Segundo a sua descrição uma civilização teria habitado um continente a oeste do Mediterrâneo, no meio do oceano para além do estreito de Gibraltar. De acordo com a lenda, nos primeiros tempos, os deuses terão feito entre si a partilha do mundo passando a Atlântida a pertencer a Poseidon que ali terá vivido na companhia da jovem Clito. Platão descreveu-a como anéis alternados de terra e mar, com um palácio ao centro, cercado por muros cobertos de ouro que brilhavam à luz do sol. A região terá sido dividida em partes, cabendo cada uma delas a cada um dos dez filhos do casal, obedecendo todos ao primogénito Atlas. Este tornou-se a personificação das montanhas ou pilares que sustentavam o céu, significando Atlântida (do grego Atlantis) a terra de Atlas, e Atlântico o seu oceano. Explorando os seus recursos desenvolveu-se de tal forma que o grau de riqueza alcançado por esta cultura avançada não encontra paralelo em mais lado nenhum. Porém, crê-se que os atlantes tenham sido vítimas das suas ambições de conquistar o mundo ao serem dizimados pelos atenienses, que os afastam através de um poderoso exército. Ter-se-ão ainda entregue aos seus próprios vícios e perversões, o que terá suscitado a cólera de Zeus que terá causado a sua destruição há 12.000 anos, por meio de grandes maremotos e tremores de terra. No auge da sua era dourada Atlântida acaba engolida pelo oceano, desaparecendo para sempre nas profundezas dum mar povoado por sereias. Algumas pessoas acreditam até que os Açores poderão ser os cumes das montanhas do submerso continente da Atlântida. O que é certo é que a tradição oral foi sobrevivendo ao passar dos séculos. Até durante a Renascença, que procurou nos mitos realidades, foram várias as tentativas de explicação racional desta história. A Atlântida inspirou centenas de pintores, escritores e poetas, seduzidos pelo romantismo e vigor da narrativa, não sendo difícil que a terra submersa se transformasse em musa para artistas do mundo inteiro. Ainda nos dias de hoje desperta a imaginação dos homens, que debatem as mais diversas interpretações possíveis sobre o desaparecimento da misteriosa ilha.

Tuesday, September 30, 2008

Monday, September 29, 2008

Restrições



Confidências que fazia outrora
Ao seu amigo Sol
Só as faz agora à sua amiga Lua

Saturday, September 27, 2008

Tópicos de conversa

Afazeres levaram-me lá perto, aproveitando para a visitar de novo. É com um sorriso e um brilho nos olhos que sempre me abre a porta de casa, partilhando comigo todo o saber de uma vida. Como faz calor abre a portada da sala permitindo-me avistar a relva de um verde que me revitaliza. Sobre a mesinha em frente ao sofá poisa um exemplar do Rio das Flores, que o filho lhe ofereceu, quando lá passou o mês de Agosto com a família. Apesar de calhamaço já pouco lhe falta para chegar ao fim, e assegura-me não ter dificuldades de visão na leitura. Pergunta-me se de momento também estou a ler. Respondo-lhe afirmativamente, e que por acaso até é um livro sobre astros que tanto me fascinam, confidenciando-lhe ter aprendido que em tempos a Terra terá rodado muito mais depressa que agora, durando os dias apenas uma dezena de horas. Sorri, e com um humor deveras perspicaz responde-me que naturalmente a idade avançada do nosso planeta também já não lhe possibilita as mesmas correrias!
Conta-me ainda que durante todo o Verão foi muito mimada pela nora que lhe executou as tarefas domésticas, sem a deixar mexer uma palha. Mas a Tininha é uma fonte inesgotável de energia, com uma capacidade inata de realizar múltiplas e mais variadas lidas. Pintar é absolutamente vital para ela, quando através de uma sensibilidade libertadora se supera a si mesma. Os seus quadros e o seu talento transmitem-nos toda a sua realidade imaginativa. Antes de partir ainda há tempo para me mostrar duas fotografias do casamento do sobrinho Hugo a que assistiu faz quinze dias, e da ementa do copo de água que me desperta o apetite.
O mundo que a envolve é sem dúvida um desafio às minhas capacidades sensoriais, e de cada vez que a revisito, renovo-me e reinvento-me, olhando o que ela me aponta, muito para lá do horizonte.

Friday, September 26, 2008

Sem nada


Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.


Eugénio de Andrade

Thursday, September 25, 2008

Wednesday, September 24, 2008

Destino e Fortuna

Todos os homens estão destinados a morrer
E ninguém sabe se amanhã estará vivo.
Certo de que é assim, homem, entrega-te ao prazer
E procura no vinho o esquecimento da morte.
Goza também do Amor enquanto arrastas a tua vida efémera.
Deixa que a Fortuna decida o resto.

Tuesday, September 23, 2008

Imprevistos/Unpredicted circunstances


O Capuchinho Vermelho desfrutava o dia quente de verão sem se aperceber que uma sombra negra vinda da floresta se aproximava por trás dela… De repente, o lobo aparece ao seu lado. «O que fazes por aqui, menina?», perguntou-lhe o lobo na voz mais amistosa possível. «Estou a caminho de visitar a minha avó, que vive na floresta, perto do ribeiro», respondeu-lhe o Capuchinho Vermelho. Realizando já ir atrasada rapidamente se justifica, apressando o caminho para a casa da avó. O lobo, entretanto, tomou um atalho...

Little Red Riding Hood was enjoying the warm summer day so much, that she didn't notice a dark shadow approaching out of the forest behind her...
Suddenly, the wolf appeared beside her.
"What are you doing out here, little girl?" the wolf asked in a voice as friendly as he could muster. "I'm on my way to see my Grandma who lives through the forest, near the brook" Little Red Riding Hood replied. Then she realized how late she was and quickly excused herself, rushing down the path to her Grandma's house. The wolf, in the meantime, took a shortcut...

Monday, September 22, 2008

Nuvens passageiras

A vida é uma viagem onde existências se cruzam. Algumas marcam-nos para sempre. Na passada semana perdi duma assentada dois amigos de longa data, e as nuvens coloridas que flutuavam no céu, imediatamente mudaram de tom. Embalada por lembranças, tenho vindo a recuperar memórias, até que um vento forte varra as nuvens cinzentas de vez, e um novo sopro me ajude a retomar o caminho. É tempo de seguir em frente, e pouco a pouco avançar. Sem dúvida que continuarei a percorrer paisagens, transpondo o fosso e recuperando o ânimo, sem nunca perder de vista a concretização de aspirações. Afinal, nem um nem outro gostariam que fosse de outra forma.

Sunday, September 21, 2008