Friday, January 4, 2013
Thursday, January 3, 2013
Ao sair
Não te esqueças de,
ao sair,
deixar a porta
aberta. Podes
perder a chave
e não entrar.
Ou podem roubar-ta,
o que é pior.
Porque são numerosos
os ladrões do azul.
ao sair,
deixar a porta
aberta. Podes
perder a chave
e não entrar.
Ou podem roubar-ta,
o que é pior.
Porque são numerosos
os ladrões do azul.
Albano Martins
Wednesday, January 2, 2013
Mudar o rumo
Havia hoje, ao entardecer, loucos bandos de pássaros voando nos céus da minha cidade. Iam para sul, eu sei. E como entendo a sua fuga!
Manuel Jorge Marmelo in O Porto: Orgulho e Ressentimento - Editora Campo das Letras, Porto, Janeiro 2006
Tuesday, January 1, 2013
Contagens
Quer queiramos quer não, é aqui que pertencemos,
iniciando-se hoje uma nova etapa que, só será interrompida daqui a doze meses.
Até lá, continuaremos em permanente fluxo, muitas vezes rastejando como que por
submissão, vendendo a alma por trás dum sorriso, em permanente inquietação.
Será a vida um inferno, com tudo fora do sítio, e dias após dias carregados de
nuvens? O que nos poderá relativizar amiúde as expectativas? O que evitará as
pequenas e grandes contradições? No seio de tamanha inquietude continuamos,
ciclicamente, à espera dum sinal de esperança.
Monday, December 31, 2012
Na limpidez da noite
Uma viagem à Montanha de Pedra repleta de
pormenores inesperados e mais de 2 milhões de luzes, não só causa emoção, como produz
um efeito surpresa que, culmina no imaginário de qualquer um.
Sunday, December 30, 2012
Mundo de magia
Nesta quadra festiva, os
brinquedos adquirem vida, ganhando intensidade através do Quebra-Nozes, quando
as personagens vivem aventuras fantásticas, entre a realidade e um mundo de
sonhos, característico das crianças com a incontornável música de Tchaikovsky
como fundo.
Monday, December 3, 2012
Saturday, December 1, 2012
Friday, November 30, 2012
Noção do momento
O Natal
sobressai-lhes a curiosidade do olhar. Só as crianças lhe conhecem a magia e o
segredo entre recordações e o presente. Mas, o mínimo que dele podemos esperar
é a contenção de despesas valendo-nos da redução do desperdício, e reutilização
de objectos e materiais decorativos de outros anos. Reconhecer-lhe a dimensão
aprendendo a dar outro sentido às nossas vidas, torna-se uma realidade à qual
não conseguimos escapar. Quando o dinheiro falta, apenas nos resta um pouco de
esperança.
Thursday, November 29, 2012
Que nome é o teu?
Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde
moras, dize se vives ou se já nasceste.
Almada Negreiros in Frisos - Revista Orpheu nº1
Wednesday, November 28, 2012
Relação afectiva
Ninguém o questiona. Ele é talvez uma
das nossas primeiras referências, do qual julgamos depender. Intenso e
dramático, começa por se tornar nosso confidente, escondendo segredos, e amenizando
alguns momentos ora de maior tensão, ora de incontroláveis temores de infância.
Com um ursinho não há definitivamente ausência, há apenas a alegria da
presença.
Tuesday, November 27, 2012
Enfeites e contornos
Não falta nunca um toque de
brilho. Valoriza qualquer projecto de Natal mais arrojado que incorpore estrelas,
bolas, velas, grinaldas, fitas acetinadas ou cristais, ou outros elementos
decorativos que atraem as massas e nos nutrem ilusões. Mas, se nos centrarmos em
reformular a verdadeira dimensão do Natal, esta prende-se, sem dúvidas, em humanizá-lo.
Monday, November 26, 2012
Uma noite azul
do esquecimento. Para quem sai,
ainda louco de sono, do meio
de silêncio. Uma noite
ingénua para quem canta.
Deslocada e abandonada noite onde o fogo se instalou
que varre as pedras da cabeça.
Que mexe na língua a cinza desprendida.
E alguém me pede: canta.
Alguém diz, tocando-me com seu livre delírio:
canta até te mudares em azul,
ou estrela electrocutada, ou em homem
nocturno. Eu penso
também que cantaria para além das portas até
raízes de chuva onde peixes
cor de vinho se alimentam
de raios, raios límpidos.
Até à manhã orçando
pendúnculos e gotas ou teias que balançam
contra o hálito.
Até à noite que retumba sobre as pedreiras.
Canta - dizem em mim - até ficares
como um dia órfão contornado
por todos os estremecimentos.
E eu cantarei transformando-me em campo
de cinzas transformada.
Em dedicatória sangrenta
Há em cada instante uma noite sacrificada
ao pavor e à alegria.
Embatente com suas morosas trevas.
Desde o princípio, uma onda que se abre
no corpo, degraus e degraus de uma onda.
E alaga as mãos que brilham e brilham.
Digo que amaria o interior da minha canção,
seus tubos de som quente e soturno.
Há uma roda de dedos quentes no ar.
A língua flamejante.
Noite, uma inextingível
inexprimível
noite. Uma noite máxima pelo pensamento.
Pela voz entre as águas tão verdes no sono.
Antiguidade que se transfigura, ladeada
por gestos ocupados no lume.
Pedem
tanto a quem ama: pedem
o amor. Ainda pedem
a solidão e a loucura.
Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
E eles querem dizer: tu darás a tua existência
ardida, a pura mortalidade.
Às mulheres amadas darei as pedras voantes,
uma a uma, os pára-
-raios altíssimos da voz.
As raízes afogadas no nascimento. Darei o sono
onde um corpo fala
fusiforme
batido pelos dedos. Pedem tudo aquilo que respiro.
Dá-nos a tua ardente e sombria transformação.
E eu darei cada uma das minhas semanas transparentes,
lentamente uma sobre a outra.
Quando se esclarecem as portas que rodam
para o lugar da noite. Noite
de uma voz
humana. De uma acumulação
atrasada e sufocante.
o amor. Ainda pedem
a solidão e a loucura.
Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
E eles querem dizer: tu darás a tua existência
ardida, a pura mortalidade.
Às mulheres amadas darei as pedras voantes,
uma a uma, os pára-
-raios altíssimos da voz.
As raízes afogadas no nascimento. Darei o sono
onde um corpo fala
fusiforme
batido pelos dedos. Pedem tudo aquilo que respiro.
Dá-nos a tua ardente e sombria transformação.
E eu darei cada uma das minhas semanas transparentes,
lentamente uma sobre a outra.
Quando se esclarecem as portas que rodam
para o lugar da noite. Noite
de uma voz
humana. De uma acumulação
atrasada e sufocante.
Há
sempre uma ilusão abismada
numa noite, numa vida. Uma ilusão sobre o sono debaixo
do cruzamento do fogo.
Prodígio para as vozes de uma vida repentina.
E se aquele que ama dorme, as mulheres que ele ama
sentam-se e dizem:
ama-nos. E ele ama-as.
Desaperta uma veia, começa a delirar, vê
dentro de água os grandes pássaros e o céu habitado
pela vida quimérica das pedras.
Vê que os jasmins gritam nos galhos das chamas.
Ele arranca os dedos armados pelo fogo
e oferece-os à noite fabulosa.
Ilumina de tantos dedos
a cândida variedade das mulheres amadas.
E se ele acorda, então dizem-lhe
que durma e sonhe.
E ele morre e passa de um dia para outro.
Inspira os dias, leva os dias
para o meio da eternidade, e Deus ajuda
a amarga beleza desses dias.
Até que Deus é destruído pelo extremo exercício
da beleza.
numa noite, numa vida. Uma ilusão sobre o sono debaixo
do cruzamento do fogo.
Prodígio para as vozes de uma vida repentina.
E se aquele que ama dorme, as mulheres que ele ama
sentam-se e dizem:
ama-nos. E ele ama-as.
Desaperta uma veia, começa a delirar, vê
dentro de água os grandes pássaros e o céu habitado
pela vida quimérica das pedras.
Vê que os jasmins gritam nos galhos das chamas.
Ele arranca os dedos armados pelo fogo
e oferece-os à noite fabulosa.
Ilumina de tantos dedos
a cândida variedade das mulheres amadas.
E se ele acorda, então dizem-lhe
que durma e sonhe.
E ele morre e passa de um dia para outro.
Inspira os dias, leva os dias
para o meio da eternidade, e Deus ajuda
a amarga beleza desses dias.
Até que Deus é destruído pelo extremo exercício
da beleza.
Porque
não haverá paz para aquele que ama.
Seu ofício é invadir povoações, roubar
e matar,
e alegrar o mundo, e aterrorizar,
e queimar os lugares reticentes deste mundo.
Deve apagar todas as luzes da terra e, no meio
da noite aparecente,
votar a vida à interna fonte dos povos.
Deve instaurar o corpo e subi-lo,
lanço a lanço,
cantando leve e profundo.
Com as feridas.
Com todas as flores hipnotizadas.
Seu ofício é invadir povoações, roubar
e matar,
e alegrar o mundo, e aterrorizar,
e queimar os lugares reticentes deste mundo.
Deve apagar todas as luzes da terra e, no meio
da noite aparecente,
votar a vida à interna fonte dos povos.
Deve instaurar o corpo e subi-lo,
lanço a lanço,
cantando leve e profundo.
Com as feridas.
Com todas as flores hipnotizadas.
Deve
ser aéreo e implacável.
Sobre o sono envolvido pelas gotas
abaladas, no meio de espinhos, arrastando as primitivas
pedras. Sobre o interior
da respiração com sua massa
de apagadas estrelas. Noite alargada
e terrível terrível noite para uma voz
se libertar. Para uma voz dura,
uma voz somente. Uma vida expansiva e refluída.
Sobre o sono envolvido pelas gotas
abaladas, no meio de espinhos, arrastando as primitivas
pedras. Sobre o interior
da respiração com sua massa
de apagadas estrelas. Noite alargada
e terrível terrível noite para uma voz
se libertar. Para uma voz dura,
uma voz somente. Uma vida expansiva e refluída.
Se
pedem: canta, ele deve transformar-se no som.
E se as mulheres colocam os dedos sobre
a sua boca e dizem que seja como um violino penetrante
ele não deve ser como o maior violino.
Ele deve ser o único único violino
Porque nele começará a música dos violinos gerais
E acabará a inovação cantada.
Porque aquele que ama nasce e morre.
Vive nele o fim espalhado da terra.
E se as mulheres colocam os dedos sobre
a sua boca e dizem que seja como um violino penetrante
ele não deve ser como o maior violino.
Ele deve ser o único único violino
Porque nele começará a música dos violinos gerais
E acabará a inovação cantada.
Porque aquele que ama nasce e morre.
Vive nele o fim espalhado da terra.
Herberto
Helder, Lugar (poema II) - in POESIA TODA - ASSÍRIO&ALVIM - NOVEMBRO 1981
Sunday, November 25, 2012
Saturday, November 24, 2012
A inversão
Está aí não tarda. Num mundo liderado por
princípios económicos que movem as sociedades, por trás da aparência das coisas,
o convívio próximo com a realidade dos dias obriga-nos, este ano, a uma
história diferente. Empenhados em desfazer modelos, redefinir pontos de vista, recuperar
técnicas, ou simplesmente reflectir sobre o mundo actual, a crise que nos
percorre as veias, condiciona-nos na luta pela subsistência, e desperta-nos o
desejo de reinterpretar. Resistir a um consumo desenfreado, na época que se
aproxima, é não só um desafio, mas uma decisão ponderada a reescrever este
Natal.
Friday, November 23, 2012
Lá ao fundo das coisas
Do outro lado de mim, lá para
trás de onde jazo, o silêncio da casa toca no infinito. Oiço cair o tempo, gota
a gota, e nenhuma gota que cai se ouve cair. Oprime-me fisicamente o coração
físico a memória, reduzida a nada, de tudo quanto foi ou fui. Sinto a cabeça
materialmente colocada na almofada em que a tenho fazendo vale. A pele da
fronha tem com a minha pele um contacto de gente na sombra. A própria orelha,
sobre a qual me encosto, grava-se-me matematicamente contra o cérebro.
Pestanejo de cansaço, e as minhas pestanas fazem um som pequeníssimo,
inaudível, na brancura sensível da almofada erguida. Respiro, suspirando, e a
minha respiração acontece - não é minha. Sofro sem sentir nem pensar. O relógio
da casa, lugar certo lá ao fundo das coisas, soa a meia hora seca e nula. Tudo
é tanto, tudo é tão fundo, tudo é tão negro e tão frio!
Bernardo Soares in livro do
desassossego
Thursday, November 22, 2012
Agradecimento
Neste dia de Acção de Graças, reconheçamos tudo aquilo que,
por vezes, não nos damos conta, e tomamos por adquirido. Exprimir gratidão, e
identificar tantos instantes felizes nas nossas vidas, pode não ser traduzível,
mas certamente se manifesta por aquele salto quântico num universo por
decifrar.
Wednesday, November 21, 2012
Voo rasante
Em alguma
vida fui ave.
Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.
Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.
Mia Couto
Tuesday, November 20, 2012
Monday, November 19, 2012
Mundo de névoa
Há uma vida atrás da vida, uma irrealidade presente à
realidade, mundo das formas de névoa, mundo incoercível e fugidio, mundo da
surpresa e do aviso. Assim o próprio presente pode ter a voz do passado, vibrar
como ele à obscuridade de nós. A minha retórica vem do desejo de prender o que
me foge, de contar aos outros o que ainda não tem nome e onde as palavras se
dissipam com a névoa dos que narram.
Vergílio Ferreira in Aparição
Subscribe to:
Posts (Atom)

















