Saturday, October 6, 2012

Entrada em cena


Friday, October 5, 2012

O outro lado da objectiva


A propósito do episódio da bandeira portuguesa, hasteada ao contrário, por lapso protocolar, diante dos nossos olhos nas comemorações da república, ultrapassado o incidente, podemos conceber a imagem que oscila entre o real e o irreal através de um exercício ficcional. E, ao abandonarmos a realidade na esperança de dar sentido ao vazio, vale a pena rodar a cabeça, e arriscarmos olhar as coisas de uma maneira diferente do que gostaríamos de imaginar. De um modo particularmente revelador podemos sempre criar a ilusão de reflectirmos sobre a construção de alternativas ou deixarmos tudo como está sem pensarmos em coisa alguma.

Thursday, October 4, 2012

Desempenho


Periclitante, procuro encontrar o equilíbrio num exercício arrojado, ao qual às vezes não basta perícia, mas um total controlo de movimentos e acções. Preservar a estabilidade emocional e a capacidade de poder de reacção, torna-se imprescindível, quando se pretende chegar a decisões ajustadas às mais complicadas situações do dia-a-dia. 

Wednesday, October 3, 2012

Até ao fim


Limito-me a seguir o caminho pelo prazer da descoberta. Incomunicante, e sem saber onde vai dar, percorro-o em direcção a um horizonte vasto enquadrado pelo mar límpido, à espera de qualquer coisa, que se me ofereça ao olhar.

Tuesday, October 2, 2012

Ao longo dos tempos


Se há memórias que se arriscam a desaparecer, existem outras que, um simples gesto, palavra ou som, nos despertam, recuperando formas, remetendo-nos para um passado não muito distante. Reconhecer experiências, quer da infância como da adolescência, com maior ou menor densidade dramática, reconduzem-nos para uma leitura do que foi vivido, e não nos terá passado despercebido, restabelecendo uma ligação referencial. Só, com as minhas próprias histórias, de olhar fixo e ausente, um a um, desenterro instantes inesquecíveis, recriando uma viagem interior intensa, para sempre inscrita num passeio pelo tempo.

Monday, October 1, 2012

Cobrir o buraco


Na política tal como na vida há estragos irreversíveis. E, o que fica dos dias é a ânsia de alcançar um objectivo matematicamente inatingível, quando sem moeda própria a única coisa a fazer é rever o memorando. Mesmo antes das medidas de austeridade serem aplicadas já se sabia que não iriam resultar. Seria importante juntar esforços e num exercício conjunto, agora mais do que nunca, procurar caminhos alternativos, uma vez que a capacidade de tolerância terminou. A questão que se coloca é se a confiança perdida ainda será recuperável!?

Sunday, September 30, 2012

Outra realidade


Os dias são mais curtos, e as temperaturas baixam quando as folhas das árvores amarelecem, e os frutos amadurecem acabando por cair, a um ritmo sequencial, em que tudo encaixa. Anda-se ao sol e à chuva, debaixo de vento e, por vezes, no meio da neblina da manhã. As cores no Outono tornam-se tão intensas quanto subtis. Passo a passo, vamos dando conta das metamorfoses da natureza, até que chega o tempo de vindimas e colheitas, e as belas paisagens se estendem pelo nosso olhar.

Saturday, September 29, 2012

Do outro lado


Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.

Almada Negreiros in Frisos

Friday, September 28, 2012

Chaminés do sul





Esguias, mais simples ou elaboradas, rendilhadas ou com filigranas, eis que espreitam dos telhados mouriscos de casinhas caiadas simbolizando todo o prestígio do sul de Portugal. Observá-las, apreciando as suas linhas, perspectivas, vértices, e cada um dos pormenores que reclamam imponência, sem lhes tocar, é um fascínio único que evoca as memórias do passado da região.

Thursday, September 27, 2012

O barco escondido


A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos

Alexandre O'Neill

Wednesday, September 26, 2012

Os instantes do tempo


Por estes dias, o Outono traz-nos uma nova linguagem impregnada de contemplativa poesia. Em permanente reformulação, convida-nos a viver um universo de cores profundas que, nos prendem o olhar. Perante a iminência de chuva, pequenos passos levam-me longe na paisagem que se transforma, sob uma luz dourada, após a sombra cair.

Tuesday, September 25, 2012

Fenómenos do fogo


 A faca não corta o fogo,
 não me corta o sangue escrito,
 não corta a água,
 e quem não queria uma língua dentro da própria língua?
 eu sim queria,
 jogando linho com dedos, conjugando
 onde os verbos não conjugam,
 no mundo há poucos fenómenos do fogo,
 água há pouca,
 mas a língua, fia-se a gente dela por não ser como se queria,
 mais brotada, inerente, incalculável,
 e se a mão fia a estriga e a retoma do nada,
 e a abre e fecha,
 é que sim que eu a amava como bárbara maravilha,
 porque no mundo há pouco fogo a cortar
 e a água cortada é pouca,
 ¡que língua,
 que húmida, muda, miúda, relativa, absoluta,
 e que pouca, incrível, muita,
 e la poésie, c'est quand le quotidien devient extraordinaire, e que música,
 que despropósito, que língua língua,
 disse Maurice Lefèvre, e como rebenta com a boca!
 queria-a toda

 Herberto Helder in Ofício Cantante (1930)

Monday, September 24, 2012

Improvisações


Sunday, September 23, 2012

Saudade

(...) O que é que eu digo à saudade
sem teus olhos para me olhar
o que é que eu digo à saudade
sem teus lábios para beijar

O que é que eu digo à saudade
sem teu corpo para amar
o que é que eu digo à saudade
se não me vens abraçar

O que é que eu digo à saudade
sem teu cheiro respirar
o que é que eu digo à saudade
com tanto amor para dar (...)

Do fado O que é que eu digo à saudade de Mário Raínho e José Luís Gordo

Saturday, September 22, 2012

Espaço central





Florescem em abundância e sem limites, um pouco, por todo o meu jardim. Crescem, principalmente, no alpendre, apoiadas em postes ao longo de vigas transversais num trajecto de enquadramento artístico. Emaranhadas em cachos de cores exuberantes, terminam nalguns ramos pendentes que, por vezes, nos impedem a passagem. 

Friday, September 21, 2012

A cor do calor


Thursday, September 20, 2012

O tempo

Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se todo o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo



Joaquim Pessoa in O Pouco é Para Ontem - Litexa Editora, 2008

Wednesday, September 19, 2012

Plena de luz








Sem pressas, recupero o caminho, furtando-me aos melodramas, pelo final da tarde. No lugar certo, em contraste com a tensão dos dias, a passagem do tempo não tem fim à vista. É lá que me desengano ofuscada por um sol que se perpetua.

Tuesday, September 18, 2012

Um passeio de automóvel


O verão é feito de coisas
que não precisam de nome
um passeio de automóvel pela costa
o tempo incalculável de uma presença
o sofrimento que nos faz contar
um por um os peixes do tanque
e abandoná-los depressa
às suas voltas escuras



José Tolentino de Mendonça in De Igual para Igual - Assírio & Alvim -
 Lisboa, 2001.

Monday, September 17, 2012

Duo artístico