Friday, June 3, 2016
Thursday, June 2, 2016
Wednesday, June 1, 2016
Tuesday, May 31, 2016
Sunday, May 29, 2016
Saturday, May 28, 2016
Thursday, May 26, 2016
Wednesday, May 25, 2016
Tuesday, May 24, 2016
A resposta no vento que sopra
«Sim, quantas vezes deve um homem olhar pra cima
Antes de conseguir ver o céu?
Sim, e quantos ouvidos deve um homem ter
até conseguir ouvir quem chora?
Sim, e quantas mortes serão necessárias até ele saber
Que demasiada gente morreu?
A resposta, meu amigo, está no vento que sopra
A resposta está no vento que sopra»
Monday, May 23, 2016
Saturday, May 21, 2016
Friday, May 20, 2016
Thursday, May 19, 2016
Tuesday, May 17, 2016
O teu vulto
Dei-te a solidão do dia inteiro....
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Monday, May 16, 2016
Como se fosse possível aos homens desdobrarem-se
O que era vida irreal, é agora realidade,
o que era vergonha, ninharia e ridículo, é vida agora.
O que toma pé são os sonhos,
o que se agita são as paixões desregradas.
Não há limites nem peias.
Vêem-nos como eu te vejo a ti.
Tenho diante de mim este espectáculo,
como se fosse possível aos homens desdobrarem-se
e tomarem corpo, ideias e paixões.
Eles são aquilo que ocultamente desejavam ser,
são o que não se atreviam a ser.
Sob um mundo de verdade há outro mundo de verdade.
É esse mundo invisível e profundo
que passa a ser o inundo visível.
É esse.
Todo o homem é uma série de fantasmas
e passa a vida a arredá-los.
Chegou a vez dos fantasmas.
As nossas ideias e paixões
é que formam as figuras que actuam na vida.
Saturday, May 14, 2016
Um homem
Em qualquer parte um homem
discretamente morre.
Ergueu uma flor.
Levantou uma cidade.
Enquanto o sol perdura
ou uma nuvem passa
surge uma nova imagem.
Em qualquer parte um homem
abre o seu punho e ri.
António Ramos Rosa in O Grito Claro
Friday, May 13, 2016
Thursday, May 12, 2016
Wednesday, May 11, 2016
Tuesday, May 10, 2016
Os meus olhos nos teus
Tão abstrata é a idéia do teu ser...
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo
Fernando Pessoa in Análise
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