A proximidade da chegada da bebé Yara foi motivo para homenagear
a Cláudia que, este domingo, organizou em sua casa, na praia de São Rafael, uma
festa para a família e amigos. Muitos balões cor-de-rosa decoraram o espaço, e um
delicioso lanche foi saboreado no jardim, numa tarde cheia de sol e boa disposição.
Sunday, April 27, 2014
Saturday, April 26, 2014
Friday, April 25, 2014
A liberdade dos passos
Recomeça... se puderes, sem
angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro,
dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto
queiras só metade.
Miguel Torga
Thursday, April 24, 2014
A morrer devagar
Meu amor, meu amor,
meu corpo em movimento,
minha voz à procura
do seu próprio lamento
meu corpo em movimento,
minha voz à procura
do seu próprio lamento
Meu limão de amargura,
meu punhal a crescer,
nós parámos o tempo,
não sabemos morrer
meu punhal a crescer,
nós parámos o tempo,
não sabemos morrer
E nascemos, nascemos
do nosso entristecer
do nosso entristecer
Meu amor, meu amor,
meu pássaro cinzento
a chorar a lonjura
do nosso afastamento
meu pássaro cinzento
a chorar a lonjura
do nosso afastamento
Meu amor, meu amor,
meu nó e sofrimento,
minha mó de ternura,
minha nau de tormento
meu nó e sofrimento,
minha mó de ternura,
minha nau de tormento
Este mar não tem cura,
este céu não tem ar,
nós parámos o vento,
não sabemos nadar
este céu não tem ar,
nós parámos o vento,
não sabemos nadar
E morremos, morremos
devagar, devagar
fado de Amália Rodrigues do álbum Com que voz de 1968devagar, devagar
letra de: José Carlos Ary dos Santos
música: Alain Oulman
Wednesday, April 23, 2014
A incógnita
"É por isso que vão andando de
lugar em lugar à volta da mesa, não é?”, perguntou Alice.
"Exactamente", "à
medida que as coisas vão ficando sujas."
"Mas, e o que é que acontece quando chegam ao ponto de partida outra vez?", Alice aventurou-se a perguntar.
Lewis Carroll in Alice no País da Maravilhas
"Mas, e o que é que acontece quando chegam ao ponto de partida outra vez?", Alice aventurou-se a perguntar.
Lewis Carroll in Alice no País da Maravilhas
Tuesday, April 22, 2014
Sem nada por dentro
Pego num pedaço de silêncio. Parto-o ao meio,
e vejo saírem de dentro dele as palavras que
ficaram por dizer. Umas, meto-as num frasco
com o álcool da memória, para que se
transformem num licor de remorso; outras,
guardo-as na cabeça para as dizer, um dia,
a quem me perguntar o que significam.
Mas o silêncio de onde as palavras saíram
volta a espalhar-se sobre elas. Bebo o licor
do remorso; e tiro da cabeça as outras palavras
que lá ficaram, até o ruído desaparecer, e só
o silêncio ficar, inteiro, sem nada por dentro.
e vejo saírem de dentro dele as palavras que
ficaram por dizer. Umas, meto-as num frasco
com o álcool da memória, para que se
transformem num licor de remorso; outras,
guardo-as na cabeça para as dizer, um dia,
a quem me perguntar o que significam.
Mas o silêncio de onde as palavras saíram
volta a espalhar-se sobre elas. Bebo o licor
do remorso; e tiro da cabeça as outras palavras
que lá ficaram, até o ruído desaparecer, e só
o silêncio ficar, inteiro, sem nada por dentro.
Nuno Júdica in A matéria do poema (2008)
Monday, April 21, 2014
Num tempo curto
Umas atrás das outras, as flores que vou colhendo, em
lugares de sonho, e distribuo ou coloco numa jarra a um canto da janela,
traduzem a temporalidade da vida.
Foco de atenção, a felicidade brilha quando a
banalidade de um desejo me proporciona simultaneamente plena satisfação, como
tão-somente o que se vai perdendo pelo caminho.
Sunday, April 20, 2014
Proezas
Neste outro lugar, as flores e as folhas baloiçam soltas,
apoiadas pela estrutura da rede, rumo ao céu. O sentido de aventura, não lhes
afecta a clarividência estética ou a teatralidade da interpretação. Suspensas e
bem delineadas, sacodem as corolas à passagem da brisa, realizando o maior
sonho de dimensão artística. Nada que não tenha sido já detectado, então e
depois, acrescentando ao caminho a expressividade encantatória que me sustenta
os dias.
Saturday, April 19, 2014
Friday, April 18, 2014
Os sinais do desejo
Estende um
pouco mais a mão
recolhe um a um os sinais do desejo
espera a insurreição da cal
é sobre o corpo a própria exaltação
morrer nos
flancos do amor é um dizer
repara como brilham os limoeiros.
Eugénio de
Andrade in Véspera da Água - Assírio
& Alvim
Thursday, April 17, 2014
Em expansão
Neste novo ciclo fluido
e delicado, o ovo simboliza a renovação da vida e a vitória sobre a morte. Em
compasso com o mundo, há toda uma noção de estrutura de uma vitalidade que, nos
atravessa, deixando marcas. Acontecera antes e voltará a acontecer como forma de
se exprimir, encorajando-nos a percorrer mais territórios sem nunca deixar de
nos surpreender.
Wednesday, April 16, 2014
De longe e de leve
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
Cecília Meireles
Tuesday, April 15, 2014
Território sonhado
Ninguém, em verdade, viaja para uma ilha. As ilhas existem
dentro de nós, como um território sonhado, como um pedaço do nosso passado que
se soltou do tempo.
Mia Couto in Pensageiro frequente - Caminho, 2010
Monday, April 14, 2014
Não fujas
Deito-me cedo contigo o meu sono é leve para a liberdade
acordas-
-me só de pensares nela. As casas e os bichos apoiam-se em
ti. Não fujas não
te mexas: vou fixar-te para sempre nessa posição.
Luiza Neto Jorge in Difícil Poema de Amor – Poesia - Assírio
& Alvim - 2ª edição - 2001
Sunday, April 13, 2014
Uma questão de atitude
E, porque a sua atitude estará de acordo com os seus pensamentos, seja um instrumento para melhorar o mundo. Não importa em que circunstâncias se encontra ou como se sentem as pessoas à sua volta, os seus sentimentos e a sua
atitude devem ser sempre positivos. Ao procurar criar pensamentos sobre a minha verdadeira natureza, através de um minúsculo ponto, no centro da testa, eu ganho força e sinto-me em paz. Há luz no meu exterior. Estou vivo, vibrante, brilhante, divino.
Saturday, April 12, 2014
Friday, April 11, 2014
Motivo inspirador
De certa
maneira, com o avançar dos dias, a paisagem transforma-se numa montra
impressionante. Calcorreando caminhos, sem fronteiras definidas, cada passo tem
o condão de nos surpreender. Por vezes, somos interceptados pelo amarelo
intenso das giestas que, iluminam uma casinha envolvida em magia. Tudo somado, é
uma celebração à vida em pequenas histórias enredadas umas nas outras. São
elas que, nos marcam o olhar, numa experiência que permanece uma verdadeira
aventura. É nesta coexistência que desenvolvemos os sentidos recuperando alguma
esperança.
Thursday, April 10, 2014
Um mês ou um século
O amor é um acordo que nos escapa
premissas traficadas sem certeza noite fora
em casas devolutas, em temporais, em corpos que não o nosso
aluviões para tentar de forma contínua
num sofrimento corrosivo que ninguém consegue
não chamar também de alegria
premissas traficadas sem certeza noite fora
em casas devolutas, em temporais, em corpos que não o nosso
aluviões para tentar de forma contínua
num sofrimento corrosivo que ninguém consegue
não chamar também de alegria
Pensamos que quando chegasse as nossas
vidas acelerariam
mas nem sempre é assim:
há emoções que nos aceleram
outras que nos abrandam
mas nem sempre é assim:
há emoções que nos aceleram
outras que nos abrandam
Um mês ou um século mais tarde
movem-se ainda,
tão subtilmente que não se notam
movem-se ainda,
tão subtilmente que não se notam
José Tolentino Mendonça, in Estação Central, Assírio & Alvim,
2012
Wednesday, April 9, 2014
A manhã
Deixei uma ave me amanhecer. E agora o que fazer com essa
manhã desabrochada a pássaros?
Manoel de Barros
Tuesday, April 8, 2014
Realidades distantes
Num diálogo com o tempo, deixava-se,
frequentemente, levar pela memória, sem tirar nem pôr. Na sua relação com o
mundo, em que pouca atenção lhe era prestada, em última instância o Boby era
quem, dia após dia, durante a sua infância, participava nas suas brincadeiras
recriando momentos de afecto. As coisas eram partilhadas e, a cada obstáculo era
encontrada a solução feliz. Tudo assim acontecia, enlaçada à sua própria
interioridade, que jamais se esgotou, fruto do mais puro instinto de
sobrevivência.
Monday, April 7, 2014
Abril a um canto da noite
Amo devagar os amigos que são tristes
com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados,
fechando os olhos,
Com os livros atrás a arder para toda a
eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Mulheres correndo, correndo pela noite.
Mulheres correndo, correndo pela noite.
O som de mulheres correndo, lembradas,
correndo
como éguas abertas, como sonoras
corredoras magnólias.
Mulheres pela noite dentro levando nas patas
grandiosos lenços brancos.
Correndo com lenços muito vivos nas patas
pela noite dentro.
Lenços vivos com suas patas abertas
como magnólias
correndo, lembradas, patas pela noite
viva. Levando, lembrando, correndo.
É
o som delas batendo como estrelas
nas portas. O céu por cima, as crinas negras
batendo: é o som delas. Lembradas,
correndo. Estrelas. Eu ouço: passam,
lembrando.
As grandiosas patas brancas abertas no som,
à
porta, com o céu lembrando.
Crinas correndo pela noite, lenços vivos
batendo como magnólias levadas pela noite,
abertas, correndo, lembrando.
De repente, as letras. O rosto sufocado como
se fosse abril num canto da noite.
O
rosto no meio das letras, sufocado a um canto,
de repente.
Mulheres correndo, de porta em porta, com
lenços
sufocados, lembrando letras, levando
lenços, letras - nas patas
negras, grandiosamente abertas.
Como se fosse abril, sufocadas no meio.
Era o som delas, como se fosse abril a um
canto
da noite, lembrando.
Ouço: são elas que partem. E levam
o
sangue cheio de letras, as patas floridas
sobre a cabeça, correndo, pensando.
Atiram-se para a noite com o sonho terrível
de um lenço vivo.
E
vão batendo com as estrelas nas portas. E sobre
a
cabeça branca, as patas lembrando
pela noite dentro.
O
rosto sufocado, o som abrindo, muito
lembrado. E a cabeça correndo, e eu ouço:
são elas que partem, pensando.
Então acordo de dentro e, lembrando, fico
de lado. E ouço correr, levando
grandiosos lenços contra a noite com estrelas
batendo nas patas
no meio das letras, o rosto sufocado
correndo pelas portas grandiosas, as crinas
brancas batendo. E eu ouço: é o som delas
com as patas negras, com as magnólias negras
contra a noite.
Herberto Helder
Sunday, April 6, 2014
Final da história
Num breve instante, soprou-o, fugidio e com
doçura, como se o apelo fosse o prazer de o voltar a ver.
Saturday, April 5, 2014
Friday, April 4, 2014
Por cada louvor
De volta aos campos, ao abrir das portas de
um novo dia, começo a imaginar o que seria se, há um ano atrás, a cirurgia que
submeti à vista não tivesse sido tão bem sucedida. Estar no lugar certo,
rodeada de quem recebi tanto apoio, quando chegou a hora errada, tornou-se uma
data marcante que, sem o saber, alterou toda a perspectiva duma vida. Quando
nos vemos privados do que um dia dávamos por adquirido, a oportunidade de poder
continuar a observar o que nos rodeia, é qualquer coisa de inatingível. Atenta
à Primavera, e ao impacto da profundidade e relevo, temporariamente negados
como parte da experiência, foi uma óptima ocasião para numa descoberta
interpretativa sentir uma sedução correspondida.
Thursday, April 3, 2014
A única palavra
Sim, dizias tu, mas em seguida
corrigiste:
talvez.
Esta é a única palavra
que não tem casa.
Que mora
no intervalo
entre o som e o silêncio
Albano Martins
Wednesday, April 2, 2014
Carências
Um galo procurava alimento no terreiro para si e suas
galinhas e encontrou uma pedra preciosa de grande valor e beleza. Se tivesse
sido o seu dono a descobri-la, certamente, iria saltar de alegria, no
entanto, a ele tal pérola de nada lhe servia. Teria preferido muito mais achar
um simples grão de milho que todas as jóias do mundo!
Moral da história: A necessidade
de cada um é o que determina o real valor das coisas.
Esopo in O Galo e a Pedra
Preciosa, fábula
Tuesday, April 1, 2014
Um lugar de distância
Musicalmente criativa, como a própria fazia questão de afirmar, pede-lhe que a
siga no imaginário. Um simples movimento, em tempo real, a partir de uma
recolocação dos corpos permite-lhe, vertiginosamente, rodopiar. Nesta estratégia,
face a face com a ilusão, o par move-se com notável fluidez, apesar da chuva
conciliável com a execução de um sonho mais forte que a realidade.
Monday, March 31, 2014
Mão de mestre
Lentamente, a Primavera interrompe-nos a sequência
dos dias para, numa leitura mais atenta, tudo nos contar sobre a exuberância das
cores, e o deslumbrante efeito visual. Cheia de vitalidade solta-nos a sua
poesia alcançando o estatuto de obra-prima.
Sunday, March 30, 2014
Caminham
caminham sobre a
terra rápida, e quando
morrem são anjos em
eterna muda de penas, feitas
só pássaros sem bico, engolidas
por grande morte depois de
tão pequena vida, assistem
ao céu, pasmadas numa
lentidão eterna
valter hugo mãe in a cobrição das filhas – quasi 2001
Saturday, March 29, 2014
Friday, March 28, 2014
Viva!
Que me importa
que mundo não tenha
sentido
se por aquela porta
entra o bafo comovido
desta luz macia
que em flores se gera.
Viva a anarquia
da primavera!
josé gomes ferreira
Thursday, March 27, 2014
Em cena
Em gestos repetitivos,
uns intérpretes vão sendo substituídos por outros. Há espaços montados, palcos,
ou qualquer que seja o enquadramento, o real é ultrapassado pela encenação do dia-a-dia.
Todos vagueamos, desarticulados, por aí. Há gente com indizíveis realidades
completamente encobertas. As imagens, não são, muitas vezes, suficientemente
definidas e a necessidade de uma certa afinação paira sempre no ar. Quando o
teatro acabar, não é só ele que morre, mas cada um de nós, parte do mundo à sua
volta.
Wednesday, March 26, 2014
Instantes
o que resplandece nos instantes
as impressões difíceis que nos arrastam
as palavras que leio no escuro
Se um amor passa por nós
tão perto já de perder-se
José Tolentino Mendonça in De Igual Para Igual - Assírio & Alvim
Tuesday, March 25, 2014
Enquanto espero
Enquanto
penetrantemente te espero a luz coalhou. Os pássaros
coalharam enquanto
te espero. O leite enquanto te espero coalhou. Haverá
outro verbo?
Submersa, muito
distante de qualquer inferno de um paraíso qualquer existo
eu. Existirão tais
palavras?
Luiza Neto Jorge in Difícil Poema de Amor – Poesia - Assírio
& Alvim - 2ª edição - 2001
Monday, March 24, 2014
Não me lembro
A reflexão inicia-se
com um pequeno nada. A melodia que trauteamos (sem saber por quê), a subtileza
dum toque, um vago aroma, ou, simplesmente, da necessidade de lembrar. Por
vezes, há determinados episódios que requerem uma pesquisa da mente mais
elaborada, tal como quando tentamos encontrar um objecto perdido e não o
conseguimos localizar. De vez em quando, surgem uns lampejos, no encadeamento
das lembranças que ainda sobrevivem quando a evocação é feliz. No espaço vazio,
há coisas que escapam, ou nada acrescentam. Na contagem do tempo que já lá vai, é
impossível ir mais longe, quando o amor é volátil e parece evaporar.
Sunday, March 23, 2014
Saturday, March 22, 2014
O melhor que podia acontecer
Tudo decorre de forma cíclica. Em
busca de novos indicadores, muito ao de leve, finco os pés bem na terra, e
percorro, apenas com o olhar, um horizonte vasto, onde o ar é fresco e doce, e
na transparência da luz, defino as novidades da estação, ao ritmo da recém-chegada
Primavera.
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