Wednesday, March 25, 2015

A imensidão

Nos seus longos versos, existe um constante descer e subir de degraus que se reflecte num movimento de corpos. A paisagem é inclinada com luas que, nascem de fecundos campos, onde a sombra canta baixo, o mosto é aberto e o encanto liga a ave ao trevo. Há picos e crateras entre o começo e o fim do mundo que, nos seduzem a entrar na leitura em estado de pura assombração. A mãe que, perde aos 7 anos de idade, é uma referência permanente e representa o feminino em alusões absolutamente magistrais. De imaginação fértil e atormentada, a poesia de Herberto Helder que, nos deixou esta semana, é intensa, exuberante, vertiginosa e eterna.

E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das núvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.

[...]

Herberto Helder in O Amor em Visita - Lisboa: Contraponto, 1958