Thursday, April 29, 2010

Espaço de encontro

O local escolhido foi o Clube Padernense, e o autor a debater Valter Hugo Mãe. E, à chamada não faltaram a Ana, a Mª João, o Luís, a Mª de Jesus, que esmeradamente organiza estas sessões literárias, além de eu própria e da Cláudia que se lhes juntamos pela primeira vez! Foi numa ampla sala, da moderna sede deste clube, da freguesia de Paderne que, nos reunimos ofuscados pelo brilho de centenas de troféus, conquistados ao longo dos anos, premiando verdadeiros campeões! Quanto ao autor, todos fomos unânimes em considerar que nos seus quatro romances editados nos últimos seis anos, a sua escrita é acessível e agradável de se ler. Pessoalmente, li recentemente «a máquina de fazer espanhóis», onde o pai já falecido, é homenageado e, apesar de alguns momentos mais comoventes, me fascinou pela forma como o próprio autor com apenas 39 anos, não só antecipa a velhice, como a descreve de uma forma tão realista, não esquecendo todas as suas implicações, desde as crenças religiosas, ao amor na terceira idade, ou mesmo ao declínio e à morte, tanto a dos que nos são mais queridos, como também o nosso próprio fim, e o medo do que virá a seguir, quando a dúvida nos assombra como uma nuvem negra. Depois, além da personagem central – o Senhor Silva, teve ainda a originalidade de ir buscar dois polícias ficcionais a Francisco José Viegas, e o delicioso Sr. Esteves à Tabacaria de Fernando Pessoa, que num mundo inventado, uma vez mais voltaram a inspirar, e desta vez este inédito escritor! A sessão terminou doce, com queijo de figo caseiro decorado de amêndoas – um produto de grande tradição regional, acompanhado de licor de café. Um autêntico mimo que, conto voltar a saborear para o mês que vem!

Sunday, April 25, 2010

Donos da vida

Fazer escolhas, e reconhecer a igualdade, independentes para pensar e sentir, sem intervenções por parte de outros, ou nos subordinarmos a nada, senão a uma vontade muito própria – eis a liberdade!

Friday, April 23, 2010

Análise de leitura

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
que fala com a nossa voz?
É então a isto que chamam "livro",
a este coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?

Manuel António Pina In Uma Luz de Papel, Edições Eterogémeas, 2007

Wednesday, April 21, 2010

Um pouco maiores

Numa manhã inteiramente dedicada à poesia, uma vez mais, deixamo-nos guiar pela voz de Afonso Dias, que a cobriu de melodia, simplesmente para nos seduzir! Através dos versos dos poetas que nos imortalizam a língua, fomos desde logo apresentados à prosa poética de Mia Couto, cujas palavras inventadas, evocam imagens fantásticas dum universo vivo em histórias, dos quais os seus «Contos do Nascer da Terra» são um bom exemplo. Também os poemas com sotaque marcaram presença, e foi um prazer voltar a ouvir a bailarina de Cecília Meireles, a tal que «Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar/ e não fica tonta nem sai do lugar/Põe no cabelo uma estrela e um véu/ e diz que caíu do céu.», ou o trem de ferro de Manuel Bandeira: «Agora sim/Café com pão/Agora sim»! Prosseguindo a viagem, também Fernando Pessoa, num poema destinado à Lili, diz que «No comboio descendente/Vinha tudo à gargalhada/Uns por verem rir os outros/E os outros sem ser por nada». Alexandre O’Neill, antecipa-nos por sua vez, o significado da palavra amigo quando fala que «Amigo é um sorriso de boca em boca» ou mais adiante «Amigo vai ser,/é já uma grande festa!». Luís de Camões não escapa igualmente ao rol. E, se os Lusíadas davam para um ou mais guiões de filmes, todo o perfume do amor habita na sua poesia, quando escreve que «amor é fogo que arde sem se ver/É ferida que dói e não se sente/ É um contentamento descontente/É dor que desatina sem doer» num verdadeiro jogo de opostos. Já para António Gedeão através da «Pedra Filosofal», a poesia alimenta-nos os sonhos e, é da opinião que «Eles não sabem, nem sonham,/que o sonho comanda a vida,/que sempre que um homem sonha/o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança.». E, porque a musicalidade é uma faceta da poesia, as canções de Zeca Afonso também não podiam ficar esquecidas, lembrando «Venham mais cinco», ou a «Balada do Sino», cantarolada mais baixo, para melhor se ouvir o silêncio! Dali navegámos com Cabral do Nascimento: «Fui ao mar buscar sardinha/E encontrei uma sereia./Agora, pensei, é minha./Virei mais logo à tardinha./Quando, nos longes da areia,/ A negra sombra caminha./Mas rompeu a lua cheia/ E todos viram que eu vinha…/Adeus, disse eu./E larguei-a.» À poesia é que confesso ter sido difícil largar, porque em momentos mais nobres, nos elevou a um patamar mais alto, dando-nos a oportunidade de ver mais longe, e com muito mais minúcia.

Tuesday, April 20, 2010

Nos céus do mundo

Poeiras, fuligens, gases, e minúsculos detritos quentes, escapam para a superfície terrestre, libertando nuvens de cinza gigantes que nos assombram a atmosfera. Após repouso profundo, um vulcão adormecido entra repentinamente em erupção, passando a controlar-nos as rotas e o tráfego aéreo. Um fenómeno natural, cujos movimentos sísmicos internos têm causado importantes mudanças nestes últimos dias, com consequências globais bastante significativas.

Saturday, April 17, 2010

Em alta frequência

Através da sua luz, beleza e cor, depressa nos apercebemos da energia que transmitem. Aliás, não é novidade, pois a vibração das suas ondas hertzianas, e os seus poderes curativos, chegam-nos de longe, da antiguidade. Os quartzos serão os mais comuns, e as drusas - aglomerados de cristais com pontas infinitas. Cada cristal tem as suas frequências energéticas específicas, e diferentes propriedades aproveitadas em inúmeros fins. Antes de os utilizarmos precisamos de os limpar de forma adequada, através de processos purificadores, e, uma vez adquirida a energia, são programados tanto para funções de uso pessoal, como para protecção, usados em plantas, ou no reequilíbrio de ambientes. São ainda magníficos na meditação, ou em alinhamentos dos chakras localizados ao longo da coluna vertebral, ajudando a libertar as tensões e ansiedades, acumuladas no dia-a-dia de uma forma mais negativa.

Tuesday, April 13, 2010

Entre beijos

Especialmente agradáveis, às vezes tornam-se um prazer inesperado. Em geral, não nos chegam isolados, e, entre um beijo e outro, o coração dispara, e a tensão arterial sobe, deixando-nos quase sem fôlego, e a suspirar de emoção! Podem durar um momento, ao de leve, ou serem eternizados para sempre, quando evocamos a memória de um prazer que já lá vai. Com sabor, arte e perícia se trocam, correspondendo a um desejo, num instante de paixão.

Thursday, April 8, 2010

Teoria do sonho

Ocorrem durante o sono, fruto do nosso inconsciente, à medida que a noite avança. E, pela manhã, já nem deles nos lembramos, embora a vontade de busca de uma explicação prática permaneça. Na antiguidade os sonhos eram proféticos, e transportavam mensagens dos deuses, mas com Freud e Jung a psicanálise passou a utilizá-los como recurso, tentando resolver-nos os conflitos existenciais. Dormimos para preservar a nossa energia, e cada sonho apesar de efémero, é único, e traz à memória factos que pouco ou nada têm que ver com a vivência diária, mas que podem transformar-se na forma de realizarmos os nossos desejos mais íntimos.

Sunday, April 4, 2010

Páscoa florida



A vila veste-se de flores, e embeleza as suas varandas com colchas, atraindo visitantes e turistas que aos milhares enchem as ruas para a Procissão da Aleluia. Tudo em nome da fé, com as tochas erguidas ao céu, e o refrão na ponta da língua: - «Ressuscitou como disse! Aleluia, Aleluia, Aleluia!».

Saturday, April 3, 2010

A passagem

Das trevas para a luz, ou da morte para a vida, cuja existência está ligada ao ovo – símbolo da fertilidade. A dinâmica da Páscoa coincide ainda com a chegada da primavera, quando a natureza desabrocha, e surge cheia de flores. A esperança de uma nova vida, na qual procuramos renascer num mundo renovado e há muito prometido.

Thursday, April 1, 2010

Mundo de mentiras

Por maldade, ou como forma de obter um objectivo, frequentemente se mente. A sua intensidade pode levar-nos ao ponto de já nem sabermos mais o que é verdade, ou sequer meia verdade, causando-nos uma certa confusão mental. Há quem tenha a tendência para sistematicamente distorcer a realidade, fruto de uma imaginação fértil, quando esta nos parece a única opção. Ou porque não queremos ferir susceptibilidades, como uma forma de mentira piedosa, ou para nos ilibar de responsabilidades, ou até por coisas mais pequenas, quando à mentira apelidamos de inocente… E, depois, esforçamo-nos para que os outros realmente acreditem. Que desculpa esfarrapada!? Como se uma simples mentirinha fosse inofensiva, sem nada de perverso, e não comprometesse ninguém.