Aos cinquenta anos dei por mim a fumar ao espelho e a
perguntar E agora, José. Fumar ao espelho, qualquer José sabe isso, é
confrontarmo-nos com o nosso rosto mais quotidiano e mais pensado. Por trás, em
fundo, tem-se um cenário do presente imediato (a porta do quarto, um cabide
vazio) mas esse presente, logo à segunda fumaça já é passado (a porta
desfez-se, o cabide voou) e tanto mais passado quanto mais mergulhamos no
cigarro. O olhar envelheceu, foi o que foi.
(...)
José Cardoso Pires in Entrevista de Artur Portela, Publicações
D. Quixote - 1991
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